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Entre a névoa e a sombra
há um anseio rendilhado
um cinzento branqueado
e um desejo
ainda não sepultado
Entre a tristeza e o sonho
de pólen alimentado
há um feixe de luz viva
que se escapa da penumbra
num voo de adeus ao breu
Entre o ficar e o partir
há um querer de largas asas
sobre o reino do tumulto
que atravessa mares e barcos
e dilui nódoas e charcos
Entre a rajada do vento
e a bruma fosca e lassa
há uma lágrima que escorre
de um clamor que não morre
num sentir de vida escassa
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