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Sombras há
que perseguem a minha voz
e vozes que ensombram
a minha escassa poesia
Sei que é feita
de arabescos de nuvem
e algumas pegadas de pólen
mas tem da alma a glória
vive em mim
em mim será perene
e sem fazer
fará a minha história
Mãos
mãos que não lidam
a faina da vindima
não podem sentir
nascente da natureza
o aroma a mosto
Ai mãos... ai poesia
se não amparam
nem acariciam
não podem bater
nem cuspir no rosto
Ai sombras.. ai vozes
da poesia algozes
vozes frias de Inverno
fantasmas negros
a caminho do inferno
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