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Minha bela toalha de linho...
Puro alinhavo em gotas de fios...
Ondas de nuvens insólitos linhos...
Dedais adornando belos moinhos...
E ela a bordadeira a cerzir...
Teus cabelos em linha de bordar...
Síbilo vento em renda bordada...
O abajour adorna aquela beleza...
De linhas e renda puella adornada...
Na face um semblante cálido e singelo...
Nas mãos pelúcias e unhas rosadas...
E vai, cosendo a bela toalha...
Rococó ponto sem nó...
Em olhos de retrós...
Na ingrata incerteza...
Borda a vida e se espraia...
Rococó ponto sem dó...
Rococó a costurar girassol...
Queria poder engomar tua face...
E nela cobrir de encanto e garapa de cana...
Cana caiana, na mesa de linho derrama...
Quando adormece, e os dedos cansados da toalha difusa...
E no cheiro de linho girassóis exala...
E embala seu país anêmico além das chãs...
Acorda toda aparente, e evoca a vida insolente...
A semear a flor irmã...
Eta! Bordadeira planta o teu quinhão...
Engoma toalha de linho...
E nas mãos da poeta vira canção!
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