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Olhar semicerrado
rasgando o breu da noite
buscando o não prometido
Costas dobradas sobre o fardo da miséria
arrastando as passadas pelos dias idos
lar da amplidão da rua
coberta de papelão humedecida
De esmola a refeição fria
Principio do fim da vida
Classe social não colunavél em revista
Classe que deveria ser banida
Seres humanos
vida pior que de cão
Sem um abraço amigo
sem um simples abrigo
São filhos de Deus...
Talvez de um Deus menor!
Colocados de lado sem decoro
Mas são gente, são povo
Até que...
Num qualquer portal, banco de jardim
na ruela mais sórdida
Jaz hirto e gélido
É apenas mais um desconhecido
A quem lhe foi negada a dignidade
E o direito de ser feliz
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