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Raúl Rafael

   

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Boa vizinhança
© Raúl Rafael

     

 

Bate a porta diariamente
Com um: " Desculpe incomodar" 
De olhar triste quase a chorar
Sem nada trazer na mão
Só na ponta da lingua, o verbo "Emprestar"
Ó vizinho, por acaso não tem
Um ôvo, arroz, café,
açúcar, pão ou dez euros até
" O meu marido esqueceu de deixar"
Parece que nada tem...
Mas tem tudo a dobrar
Dores nas costas,
Nas pernas , nos pés
O dente como dói...
No osso do figado podem apostar
Se eu me atrevesse a inventar
A janela seu lugar predileto
Sempre atenta ao que se passava
Mais parece um radar,
Dessa janela, bem ao lado da minha
Tudo ela dava conta,
Cento e tal kilos de vizinha
Vaidosa quanto basta
Toda roupa lhe fica bem 
Desde que seja "Linha saca"
Vizinha como esta,
Poucos se podem gabar de ter
Desta minha vizinha,
Como poderei esquecer ? 

    

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