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Ridamar Batista

   

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Amante
© Ridamar Batista

     

 

Sou como colibri
a espera de mel
no ninho, sedenta.
Sou a flor que se abre
em úmida seiva
e se entrega e se deixa
açucarar de amor.
Sou o mel de tua boca
deixado na minha boca
para alimentar meu desejo.
E quando cai a chuva
e molha meu caminho
sou como a fonte limpa
que nasce de carinho
e corre para o mar.
Sou toda uma dádiva
mulher de corpo e alma
sempre pronta para amar.
Calmaria
Fiz de Deus,
O comandante mor, de minha nau
Hoje soçobro em paz.
Houve um tempo,
Arrogante, intrépida e atrevida
Oh! Insensatez!
Disse-Lhe:
__Estou pronta, dá-me o leme
Sei comandar.
Tu Te recolheste solene e calmo
Comandei esta nau,
esta nau, a vida.
O barco navegou com sobrepeso
Muita bagagem inútil
Gente em demasia
Não houve calmaria
Ondas gigantes, tempestades,
A nau bêbada seguindo
A esmo, sem destino ou norte
O orgulho, soberba, amor-próprio
Cegueira dos viventes
Minha cegueira
Era nosso rumo.
Comandava só.
Tripulação à bordo em sussurros
Maledicência, medos.
Fitei desconsolada o céu
Tudo era negro,tive dó,
Chorei as lágrimas daquela tempestade.
Te devolvi o leme
E agora,
Em plena calmaria navegamos
Todos os mares desta vida a fora. 

    

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