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Ridamar Batista

   

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Casamento
© Ridamar Batista

     

 

Jovens amantes de juras eternas
frente ao altar, se acorrentam
laços reluzem, entrelaçam dedos
borbulham sim, sim e aceito!
nada questionam, cegos de amor
jurando eternidades nesta vida,
os dias correm muito mais depressa
que correm as lágrimas dos cantos dos olhos
vão desfiando dores e seus desencantos,
vão desmanchando os nós ali entrelaçados.
Outros dias em arrastos indolentes
em vão, debalde chorem corações
tementes de quebrar as juras
vão desfiando dores, mágoas, vãs tristezas
seguem ainda presos nas promessa
embora a alma solta e rebelde
voando plagas nunca desvendadas
sofra da dor de cada vã palavra
dita com tanto ardor em hora tonta
sem dimensionar a força de cada momento
sem perceber a carga das promessas
não quer romper o laço, ou o juramento
vai debulhando um a um seu sofrimento
carregando o peso de seu pensamento.
E depois olha para trás e para frente
nem luz nem sombra, só e tristemente
cada passo trôpego, cada movimento
é uma dor, uma saudade um descontentamento.
A vida passa, num estalar de dedos
se foi feliz não sei, ninguém enfrenta o medo
de arrebentar amarras, de sair correndo
e de buscar de novo o seu recomeço. 

    

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