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R . J. Cardoso

   

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Alma de Poeta
© R. J. Cardoso

   

O poeta deseja viver a realidade, mas a necessidade
De dias melhores, do amor carnal e fraterno, o leva
A fantasia, ao mundo das mais remotas possibilidades
Ás vezes até se contenta com uma simples frase no papel
Mas fica-lhe quase sempre um vazio perene vindo do céu.

Tudo se torna motivo para, de súbito, escrever lindos poemas
Buscar, pelo menos, pequena razão para dar vida até o que
Vida não tem, tenta explicar tudo, mas às vezes nada explica
Simplesmente navega na magia da poesia que seu coração rega

A riqueza encontra-se em tua alma que mergulhada no prazer
Na solidão, no campo devastado e no vento calmo a soprar 
No mar aberto, tem a certeza de não estar fazendo mal a
Ninguém, apenas deixando impressão do bem a todos a dizer.

E com a licença poética que a ele merecidamente é concedida
Pode dizer tudo e da melhor maneira sobre o que na verdade
Pensa, às vezes chega a ser contestado, mas sempre é elogiado
E, então, a ele só resta ter como ponto de partida a própria vida.

Como amor é vida, vai tecendo, vai tecendo como linha no
Mais belo tear, fazendo zigue-zague, formando lindos desenhos
Tentando mostrar o desempenho da mente, como a brisa no
Preamar, desenvolvendo raciocínios dos que não sabem amar.

O poeta é louco, louco por amor, por ser meramente sonhador
Por tentar desvendar mistérios que, às vezes quem sabe, não os
Leve a sério, só acha bonitinho e chega a chamar de santinho
Um homem que tem as mesmas dificuldades de todo o sofredor. 

    

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