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R . J. Cardoso

   

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Canto de Poeta
© R. J. Cardoso

     

 

O som da gaivota ecoou lá no fundo do grotão
Sobre o espelho d'água sua fotografia reluziu
Vendo o filete da nascente escorrendo pelo chão
A felicidade dos tempos idos de repente ressurgiu.

Flores às margens do rio carinhosamente eu colhi
Oferecendo-as para vida o apogeu eu consegui 
Com o vaga-lume iluminando o campo deserto
Na minha mente aberta o que era ruim sumiu, eu vi

Ouvi o canto do galo no mais alto galho da laranjeira
Canários belgas também cantavam o lindo sonho meu
A vaca que no curral ruminava lutava de toda maneira
Para alcançar a liberdade na pasto que não floresceu.

O dia raiou de mansinho e logo o sol no horizonte brilhou
Crianças dormiam em paz, paz que certamente não havia
Num mundo cheio de esperança, da menina cheia de tranças
Que Deus com amor e perseverança um dia construiu.

Sonhar é viver feliz, mesmo não se tendo o que sempre quis
Amar é viver a alegria da dor que o poeta sempre é entregue
Para ele o sol brilha mais forte, seja no sul ou no norte
E lutando contra sorte cantando vida ou morte o amor irá sempre existir.

Canta poeta, canta! Que seu sonho é cantar, de amor e alegria
Mesmo quando chorando está, canto eu, canta você em busca
De um novo dia, canta poeta, canta! Na mais doce fantasia
Embalando a criança, na bela esperança de sua tenra e Melódica poesia.

    

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