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R .J. Cardoso

   

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O verbo
© R.J. Cardoso

     

 

Sempre me preocupo com as pessoas no mundo
Não com àquelas que estão na telinha e são celebridades
Que dão entrevista, fazem novelas ou longa-metragem 
Que são devidamente respeitadas por seus fãs. 

Mas com àquelas que acordam e vão para o trabalho, 
Sonolentas segurando no ferro frio dos ônibus. 
E que, quando saem às calçadas são anônimas, 
E ninguém lhes dá atenção de que precisam; 
São andantes quaisquer, talvez em busca do nada.

Sempre me preocupo com as pessoas no mundo 
Com seus amores, com seus difíceis problemas. 
Com a vida obscura no campo da imagem e do som, 
Que se perdem em quartos negros de saudade. 

Sempre me preocupo com as pessoas no mundo
Que lutam nos seus empregos no campo e na cidade 
Com as mulheres abandonadas, crianças nas calçadas
Jogadas, cujo alimento é o desamor desenfreado.

Sempre me preocupo com as pessoas no mundo
Com os escritores e poetas que nunca são lidos. 
Com as palavras no mundo esquecidas, 
Que acabam de me afagar com a mágica universal 
Do verbo que se fez carne agora desconhecido. 

    

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