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R . J. Cardoso

   

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 Poeta e
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*
Rio de Janeiro
R  J
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R  J Cardoso

 

 

 Raimundo João Cardoso, (R J Cardoso), Poeta e escritor. Publicou nas décadas de 70, 80 e 90 artigos e crônicas em diversos jornais cariocas como Última Hora, O dia e O Globo. Escrevi Mensageiros de Gandhi, Na Cauda do Cometa e Memórias Nordestinas. Cenário das Artes, Amor para Sempre, Castelo dos Sonhos e "CASA DE FAMÍLIA". Participou das antologias publicadas pela Editora Litteris: Amor e Paixão – o erotismo na Literatura, Contos e Poemas do Brasil, Amor, Razão de Viver e Dicionário Biobibliográfico dos Escritores Brasileiros 2000.

 

Auto-retrato


Sou Raimundo João Cardoso, (R J Cardoso), Poeta e escritor. Publiquei nas décadas de 70, 80 e 90 artigos e crônicas em diversos jornais cariocas como Última Hora, O dia e O Globo. Escrevi Mensageiros de Gandhi, O Filósofo Jesuíta, Na Cauda do Cometa e Memórias Nordestinas, Cenário das Artes, Amor para Sempre, Castelo dos Sonhos e “CASA DE FAMÍLIA”. Participei das antologias publicadas pela Editora Litteris: Amor e Paixão – o erotismo na Literatura, Contos e Poemas do Brasil, Amor, Razão de Viver e Dicionário Bibliográfico dos Escritores Brasileiros do Ano 2000. Participação no livro “Diário do Escritor 2007”, publicado pela Editora Litteris.
Segundo filho de família desprovida economicamente. Criado com conforto e segurança que oferece tal condição. Fui sempre um menino muito estimado. Meus pais eram mineiros e ensinavam-nos para que seguíssemos caminhos abertos por nós mesmos, esperando que todos encontrassem, mais tarde, a felicidade.
Nasci pequeno, com dois quilos e meio, no exato momento em que minha mãe, Josefa Judithe Fagundes, deixava a lavoura de arroz no fim do dia rumo à nossa casa. Em meio a um temporal, não mais que de repente, ela me viu sustentado apenas pelo cordão umbilical e quase levado pela enxurrada; o que teria acontecido não fossem tuas santas mãos. 
Meu pai, Saturnino Fagundes, o traço hereditário mais evidente que dele herdei foi à arte musical: era um bom violinista. 
Meu avô paterno falecera de enfarto do miocárdio. Trago dele a vaga lembrança de um senhor de idade elevada, vestindo-se de terno preto e naturalmente usando cabelos grisalhos. Era meu avô muito prestativo com todos nós, essa uma postura comum à família de meu pai. Todos eram corteses, magnânimos, desvelados, mas longe, sem nos dispensar muito estimulo, afeição e carinho de que todas as crianças gostam e necessitam para uma vida feliz. Meus avós maternos eu não conheci, nem mesmo através de fotografia. 
Meu pai, de baixa estatura e cabelos encaracolados, era muitíssimo bom, mas muito tímido. Sempre gostei do contato de sua mão na minha. Sentia-se vitorioso no trabalho quando um galho de seu pé de café amanhecia florido. Sua parca economia só permitia que ficássemos naquele ermo, distante de tudo, na periferia de um povoado de nome SERICITA, no estado das Minas Gerais, onde passei a maior parte de minha infância, nas proximidades de ABRE CAMPO, onde nasci, numa fazenda de propriedade dos Coelhos. Fazendeiros conhecidíssimos e respeitados na região pela dignidade com que tratavam seus trabalhadores. Lembro-me, como se fosse hoje, das visitas às outras fazendas, onde me deparava e ficava estarrecido com trabalhadores sovando o feijão ou o arroz nos terreiros. Busco e posso rever no fundo da memória todos de calças listradas e botas de canos longos caminhando sobre os cereais.
Meu pai era para mim o homem mais perfeito, meu herói.

 

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