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Infeliz do povo ou dos povos que desprezam as suas raízes na História da Educação, pois estarão forjando uma lacuna imperdoável no infindável elo de construção da Cultura Humana.
O presente ensaio representa apenas um momento de reflexão em torno de um assunto um tanto polêmico em relação à Educação. Nada mais do que uma reflexão sobre um momento de transição da Educação Antiga para a Educação Moderna. Lentamente, estamos procurando soluções para uma nova visão da Educação, onde a inclusão, a pluralidade cultural e os recursos das mais recentes tecnologias, contribuem de uma forma definitiva, para que aconteçam as transformações necessárias que tragam mais tolerância e humanização à convivência de diferentes raças, idéias, sonhos, ideologias e projetos.
Neste momento, evoco, com muito respeito, as raízes da nossa Educação, que estão fundamentadas também na Educação Antiga e, mais propriamente, na Educação dita Tradicional. Muitas pessoas de larga visão e de mente aberta, ao mencionar o estágio atual da Educação brasileira, falam com certo desprezo da Educação Tradicional, como se esta não tivesse contribuído em nada para a vida moderna que estamos vivenciando.
Como disse, no início deste ensaio sobre Educação, este é apenas mais um ponto de vista, cujo objetivo é um momento de reflexão sobre os verdadeiros valores que ainda movem os objetivos de quem pensa e projeta a Educação no Brasil.
Sobre a Educação Tradicional, quero mencionar alguns motivos que a valorizam, e que, talvez, façam muitos professores olharem com novos olhos o recente passado do sistema de ensino brasileiro, para, também, poder agradecer todo o esforço dispensado na evolução da cultura humana, esforço vindo de professores, alunos, instituições sérias e dos governos que antecederam o nosso tempo atual. Penso que cada tempo, cada contexto precisa ser considerado, ser valorizado positivamente, porque nossas raízes educacionais e culturais tiveram verdadeiras histórias de heroísmo, maturidade e AMOR à vocação de ser MESTRE.
Os exemplos que aqui registro, sobre a Escola Tradicional, certamente não estão registrados em nossos livros de literatura – pois a literatura é sempre polêmica – e, certamente, não são mencionados por alguns pedagogos modernos, porque um grande silêncio se fez e se faz em torno de um assunto que muitos preferem simplesmente enterrar, sem maiores considerações, talvez porque queiram que os novos modelos e métodos sejam mais facilmente aceitos pela população brasileira dos tempos modernos, derrubando mitos de um passado que nos legou uma grandiosidade cultural, social e humana, que pretendo evocar neste artigo, como um resgate dos sonhos que antecederam os nossos sonhos.
Quando penso na Escola e na Educação Tradicionais, não lembro apenas de algo ultrapassado e digno de desprezo, nem leio discursos inflamados sobre as desmazelas que foram cometidas em nome da educação – porque as desmazelas também acompanham o nosso tempo, quer queiram, quer não, os novos pensadores em Educação. Quando penso na Escola Tradicional, visualizo os grandes e sólidos edifícios, as imensas pontes, firmes, as metrópoles construídas com o suor, o sonho e o Conhecimento de uma época que nos legou além de tudo isso, o caráter forte dos indivíduos, a honestidade das antigas gerações e os grandes projetos artísticos que hoje observamos com curiosidade e respeito.
Quando nos dispusemos a estudar e pesquisar as raízes da nossa Educação, encontramos, com agradável assombro, a riqueza de mentes abertas e produtivas, que fizeram o que foi possível fazer naquele tempo e naquele contexto, onde ainda estava-se tateando em busca de um caminho que promovesse o humanismo, acima de tudo.
Tanto os sólidos edifícios, como o caráter lapidado da maioria das pessoas, demonstra que a Escola Tradicional, enfim, não é tão desprezível, assim como preferem alguns indivíduos, que esqueceram do legado social, cultural e humano de uma Educação que não possuía os recursos da tecnologia, nem da queda de preconceitos, que hoje podemos cultivar, sem medo.
A Escola Tradicional, antes de tudo, representou uma transição de um momento histórico para outro, onde professores orientavam os seus alunos com o heroísmo e o estoicismo de quem não merece apenas o silêncio e o desprezo da época considerada moderna.
Se atingimos um patamar mais elevado na Educação atual, foi porque os que vieram antes de nós, souberam planejar e agir com muita inteligência.
Mesmo aplaudindo as mudanças, não esqueçamos dos méritos da Educação Tradicional. Um dia, no futuro, também desejaremos ser lembrados pelo Bem que fizemos em prol da cultura, da Humanidade e do progresso da Civilização, apesar de que, temos a certeza absoluta, também não seremos perfeitos nas nossas tentativas, pois o Ser Humano é guiado ainda pelos seus instintos mais brutais, e precisa ser lapidado pela Educação, eternamente.
Eternamente, é enquanto existir um Ser Humano para ser educado e lapidado.
Eternamente, envolve a educação antiga, tradicional, moderna e futura, cujos estágios representam sempre um passo a mais na senda evolutiva, independente daquilo que, porventura vamos melhorando e aprimorando no decorrer do tempo.
Portanto, a Educação Tradicional, não é feita somente de “decorebas” inúteis, mas sim, de verdadeiros atos de heroísmo, que forjaram um Ser Humano sólido e equilibrado, mais do que nos nossos tempos, onde a própria transição de um para outro sistema de ensino, produz uma ruptura não somente de métodos e de planejamentos, mas principalmente, produz uma ruptura de valores, que precisam ser reavaliados, com urgência, porque os indivíduos e as coletividades acabam ficando órfãos de princípios cujos alicerces são a base da Civilização sonhada por todos os que, verdadeiramente, se preocupam com os destinos da EDUCAÇÃO Moderna.
“Aqueles que são diferentes de mim não me prejudicam, muito pelo contrário, eles me enriquecem. Nossa unidade se fundamenta em algo mais elevado que nós mesmos – no ser humano...” ( Antoine de Saint-Exupéry).
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