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Sandra Fayad

   

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Cheiro de Cafuné
© Sandra Fayad

     

 

Se eu fosse uma estrela brilhante no céu,
Pediria a Deus que perfumasse cada ponta com cheiro de amor.
Se eu pudesse brilhar na terra, acesa de muito carinho,
Escreveria teu nome em letras encarnadas
Nas curvas do meu caminho.

Se eu fosse uma estrela cadente-candanga,
Ao amanhecer te convidaria pra visitar o Parque Nacional.
Vamos caminhar nas trilhas de verde degradê,
sem pressa e em silêncio - com passos de cristal -
Pra não assustar a fauna em seu ninho,
Até que o sol mesclado de azul-dourado
vá se escondendo no crepúsculo do cerrado,
A contrastar com a lua branca despontando do outro lado.

A paz da noite chegando de mansinho
Tem cheiro de cafuné sem pressa.
É hora de voltar pra casa,
Pois agora o Lobo Guará virá caçar.
É melhor ficar no sofá bem juntinhos,
Ouvindo Roberto Carlos cantar:
"Eu sou aquele amante à moda antiga,
daqueles que ainda mandam flores..."

E na madrugada pálida e fria,
Roséas taças de vinho nos farão levitar
Abraçados no embalo da canção.
Dos beijos ardentes prateados
E da mistura dos nossos corpos trançados,
Como as ramas do canteiro de poejo,
Entraremos num filme dos anos dourados
Para sair do outro lado
Saciados do nosso desejo.

    

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