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Tira os sapatos... Pisa devagar:
Um passo, outro passo...suavemente...
Vem vestindo malha de algodão, leve.
Nada de couros...traz cadarços somente
Usa roupão...assim...
Como se tivesses saído do banho,
Com cheiro de colônia após a barba.
Não diz nada...Pra quê? Atrapalha!
Nenhuma palavra, de nenhum tamanho.
Olha! Também me visto com malha,
Cabelos molhados, saídos do banho.
Chega. Segura minhas trêmulas mãos,
Abraça-me devagar...em câmera lenta,
Liga as turbinas, acelera, esquenta...
Incendeia-me com teu fogo,
Faz-me arder como a mais ardida pimenta.
Não pára! Percorre meu corpo aos poucos.
Vai indo...Mais...Pode ir...
Tira-me o fôlego com teus loucos beijos
Atira-me ao leito e sobre mim enlouquecido cai.
Aspira meu fôlego até eu gemer de desejos,
Prova das iguarias nunca saboreadas,
Alimenta teu corpo com a minha fragrância
E explora minhas entranhas mais delicadas.
Não demora. Vem!
sandra fayad Bsb, 24062006
http://www.sandrafayad.prosaeverso.net
Comentário:
Esta poesia é a resposta (uma espécie de Dueto) inspirada no texto inserido no Gazzag em 23.06.06, do poeta português Antonio Santos, o Tó:
“Envolve-me
Não temas
Perante o meu fogo vivo
A tua carne se deslumbra
E surge castamente
Com cores rosáceas
Nesse traje provocador
Envolve-me
Quero entrar em ti
Aspiro no ar
Uma fragrância débil
Que emana desse corpo
Vou alimentar-me em ti
Saborear iguarias nunca provadas
Envolve-me...”
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