Exige Media Player

Sandra Fayad

   

Voltar ao meu índice

Clique e fale comigo!

Auto de Outono
© Sandra Fayad - voz de Celso Brasil

     

 

Similar à dança sensual de uma odalisca,
Folhas bailam como um véu mulçumano.
Silenciosas, movimentam-se maduras,
E vão pousar discretas sobre o real trono,
Pintado de marrom com verdes ranhuras.

Descem empurradas pelo vento leve.
Solitárias ou em pequenos grupos,
Vão criando caramelos colchões de neve,
Leito móvel que estala sob os pés descalços
Da poesia, que a tudo assiste e descreve. 

Tons pastéis são molduras do cenário
Pincelado por ipês roxos, abacates, amoras,
Que surgem como quem sai do armário.
Á noite, surpreendendo as auroras,
A cada dia, com seu novo vestuário.

Instala-se e cumpre à risca o seu papel.
Irreversível, segue o ritmo da ventania.
Depois marcha para o deserto, a tropel.
Vai enxugar a voz do cantor ao meio-dia
E ralar a mão do escultor, com seu cinzel.

Dará por fim boas vindas ao forasteiro,
Reverenciando-lhe a chegada com chapéu
E retira-se, entregando o comando inteiro,
A quem dominará a cena como menestrel. 

    

Gostou? Clique e envie para seus amigos!

Voltar ao meu índice

Índice geral - Membros

 

 

         

   

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site