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Atlântico navegante
Que se recusa a cruzar
O cabo das tormentas
Não por temor
Mas por sonhar seguir adiante
Em frente, reto, mar adentro
Desconhecido e não menos perigoso
Sem medo de se precipitar
No vazio da borda do planeta
Contra todos os conceitos de uma época
Assim foi, Cruz de Malta ao mastro
De Cabral a sua nau
E Caminha que escreve cartas ao rei
E que se deparou com terra à vista
Neste paralelo costado continente
Acobertado de suas matas
Que esconde o povo nu silvícola
Do civilizado indumentário
Que após quase dizimado não pereceu
Que ensinou o seu modo tropical
De tomar banho todos os dias
E comer da terra as suas raízes
E das árvores os seus frutos
E deste inicial dormiu vermelho e branco
E acordou mameluco
E mais adiante com o povo negro das savanas
Dormiu o índio e acordou cafuzo
E o europeu na senzala acordou mulato
E de um multicolorido racial.
Fez-se brasileiro.
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