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Vânia Moreira Diniz

   

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Olhos Azuis
© Vânia Moreira Diniz - voz da Autora

 

   

 

Quando contemplava aqueles olhos azuis,
Profundos, expressivos às vezes assustadores,
Não compreendia nunca na sua imensidão,
O valor inexplicável dessa profundidade.

Olhos azuis que diziam muito de si mesmo,
Que traduziam carinho e severidade,
No mesmo olhar longo e transbordante 
De brandura involuntária revelada a cada momento

Olhos azuis que por vezes se me afiguravam cristalinos,
Manifestando rancor ou extravasando numa mesma expressão,
Meiguice, amor e doação nunca vistas.

Olhos azuis que eu amei e nos quais senti segurança,
Que me bastavam na hora do sofrimento irremediável,
Que se fazia presente, quando todos me faltavam descomprometidos,
E que lá estavam quando eu mais sentia dor ou solidão.

Olhos azuis que meu pai ostentava indiferente à sua beleza,
Que escondia em óculos de armações elegantes,
Olhos azuis que eu soube fitar com ternura ou mágoa,
Mas que hoje os vejo até no escuro brilhando azuis,
Inesquecíveis e sinto dentro d’alma,
O incrível magnetismo radiante
E quase onipotente. 

    

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