Canal Contos
A Mulher Casamenteira
© Alma Collins
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Ela se casou jovem. Amava seu marido, mas a juventude disfarçava este amor em ambição e futuro. Estava grávida. Logo nasceu sua primeira cria que foi a razão de seu viver. Perdeu amigos, pois eles não compreendiam uma outra razão de vida senão aproveitar a juventude. Ela já tinha uma vida adulta, de tarefas e responsabilidades.

O casamento seguiu ora leve e suave, ora tenso. Altos e baixos se alternavam como ondas do mar. A maresia trazia e levava problemas, mas também trazia e levava alegrias.

Um outro filho pensou. Nasceu uma companheira para todos da família.

A vida se bastava como a vida de qualquer um. Mas, a princípio, buscava mais felicidade em fatores externos do que dentro da própria casa. Achava que uma carreira bem sucedida seria fator preponderante para poder ser feliz. Buscou de todas as formas encontrar um trabalho que compensasse o esforço de se ausentar de casa. Possuía estudo, mas isso não era o bastante para conseguir o almejado. Talvez a sorte lhe faltasse. Ou talvez a sorte estivesse em outro lugar. Desistiu de buscar loucamente aquilo que não lhe vinha facilmente. Resolveu dedicar sua vida à família e ao lar. Estava feliz com uma vida simples. Não se importava com os comentários que lhe entravam pelos ouvidos como: “mulher que trabalha fora é muito mais inteligente” ou “a mulher tem que se auto afirmar e buscar sua posição na sociedade”. Esta mulher buscou a posição dela na sociedade. Optou a fazer o caminho inverso. Sua inteligência lhe mostrou que não lhe importava ter um patrão fora de casa, mas sim ser a chefe do seu próprio trabalho. Além disso, ajudava o marido com a contenção de despesas e na administração e cuidados da casa e dos filhos.

Os tempos passaram. A rotina se instaurou. Ela lia muito e leu um artigo que dizia que pode-se casar várias vezes com a mesma pessoa, simplesmente mudando a forma de viver, seja interna ou externamente.

Houve uma mulher que assediava seu marido. Já estava na hora de romper aquele casamento e casar-se novamente. Assim o fez. Casou-se novamente quando abandonou uma carreira profissional externa e agora casa-se novamente com o mesmo marido. As carícias aumentaram, os sorrisos saem mais facilmente, os móveis mudam de visual e as crianças (já não são mais, pois se passaram 23 anos desde o primeiro filho), tomam o rumo da sua vida. Casou-se novamente quando percebeu que o amor vale mais a pena do que qualquer crise monetária. Casou-se novamente quando decidiu dedicar ao mesmo marido, uma mulher inteira, dona da sua própria opção de ser dona de casa, mãe e esposa, fazendo com que isso fosse a sua condição feliz de vida. Casou-se novamente quando, além de ser esposa, tornou-se uma verdadeira amante, com a cumplicidade e a amizade que requer em qualquer relacionamento. E assim o novo casamento com o mesmo marido, se deu em plena harmonia.

Ela sabe que irá se casar novamente muitas outras vezes, mas sem perder o amor primordial. Simplesmente renovando-o.

© Alma Collins



 

 

 

         

   

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