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Cabisbaixo e entristecido andava ele pela calçada.
Estava um tanto curioso com o seu próprio comportamento.
O que estaria acontecendo?
Muitas coisas estavam mudando em sua vida: valores, posições antes ambicionadas, fatos e acontecimentos pareciam que não mais atraiam tanto a sua atenção. Parecia que as portas iam sendo fechadas às suas observações sobre as euforias da juventude e seus inconseqüentes idealismos. Também o triunfo dos insolentes e/ou o sucesso dos ufanistas já não lhe causava mais nenhuma inveja.
Na verdade, o Sr. Fábio não estava ainda assim tão velho para estar sentindo-se tão indiferente a tudo que acontecia ao seu redor e que antes muito lhe chamava a atenção. Ele foi se distanciando e chegou até confessar que não sentia aquela vontade imperiosa de ter a última palavra sobre qualquer assunto.
O Sr. Fábio começou esse processo de mudança quando teve que enfrentar uma crise de meia idade, por volta de seus quarenta e oito anos. Sua consciência o fez desistir de ser herói, conquistador, um homem especial, quase um semi-deus. Daí para cá tomou um caminho de maior conscientização sobre a vida. Percebeu que todos seus esforços de muito trabalho, levantando cedo, leitura intensa, às vezes varando a noite para aproveitar melhor o tempo, viu que era correr atrás do vento.
O Sr. Fábio resolveu fazer alguns ajustes. Redirecionou a leitura do Livro Sagrado, bem como a leitura de muitos clássicos. Era interessante ouví-lo dizer: Neste tempo em que já estou no outono da vida, a minha maior descoberta é que estou me tornando mais humano. Desejo estar aprendendo a ser mais generoso e sereno; viver com mais alegria; amar as pessoas; as coisas mais simples e contemplar a natureza.
Nesta sua nova modalidade de vida desprendeu-se dos preconceitos sociais, perdeu o medo de se desnudar e mostrar-se vulnerável. Antes, quantas vezes impressionou as pessoas com palavras e discursos duros. Agora ele pede a Deus que segure a sua mão e o sustente em sua decisão. Quantas vezes o Sr. Fábio fugia de certos contatos para não mostrar aos outros que não era aquilo que demonstrava ser.
Agora seu Fábio tem sentido liberdade e também humildade para dizer que ainda está em construção. Diz sempre: Sou ainda um aprendiz. Quero ser e fazer aquilo que me dá prazer. Quando tiver vontade de rir, rirei e até dançarei de alegria. Não preocupo em parecer incoerente ou ser um político incomum.
O seu Fábio continua sempre afirmando: Preciso estar alerta para não me tornar faccioso e cego por obstinação.
Como o Sr. Fábio viveu muitas pessoas ainda vivem uma mentira, quase sempre sem poder escapar dela.
Felizmente, ele acordou a tempo de viver a beleza da vida.
Humanista Sou
Minha vida era irreal
Fiz de mim o que não soube
De forma errada vivi
Conheceram-me, desmenti.
Tirei a máscara
Tratei as escaras.
Agora, que surpresa!
Posso ver minha beleza.
Não é preciso morrer
Para começar a viver.
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