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A entrada ficava mesmo ali. Era só atravessar aquela queda de água que os olhos viam, deslumbrados. Depois, era preciso a gente molhar-se, sentir no corpo e na alma aquela água fresca e cada uma das suas gotas. Milhares ou milhões, não sei. Só sei de cada gotícula como estrela fantástica de água e sol a tocar-me e a envolver-me o ser. E pronto. Um enorme turbilhão, talvez por magia ou milagre, levava-me para lá daquele espelho refrescante e aí estava eu na Floresta Azul. Azul??? Eu disse Floresta Azul???
Sim, azul!!! Azul muito azul!!! Cada árvore, mais azul que a outra, exibia as suas folhas azuis e prometia às aves, às
borboletas, aos veados... prometia-lhes flores, muitas flores que estavam ainda em botão, à espera de desabrochar.
A Primavera estava quase aí e as flores de todas aquelas árvores, frondosas e seculares, perfumariam os ares para encanto e delícia de qualquer ser residente ou visitante.
E as flores? Eu queria tanto poder apreciar as suas cores e aromas! Mas de que cores seriam as flores daquelas árvores azuis, tão azuis como o céu e o mar?
Teriam todos os tons de azul que o pintor prepara, esbate e aviva na sua tela, conseguindo tonalidades únicas?
Ou seriam as suas pétalas pintadas com as cores do mais belo arco-íris que a natureza desenhou entre Deus e os homens?
Eu estava tão curiosa que não cabia em mim!
Quem poderia saber? Estava na hora da sesta das ondinas e dos duendes e eu não tinha a quem perguntar.
Ai que vontade de agarrar num botãozinho que quase me roçava o rosto e... Foi então que reparei. As árvores tinham percebido a minha curiosidade e inquietação e segredavam entre si, sorrindo à socapa por trás dos seus cabelos azuis de folhas e ramos:
"Hi... hi... hi..." Então escutei um "pssst, pssst" vindo não sei bem de onde.
Avancei timidamente e detive o meu olhar atento naquela ávore que me chamava.
Avancei mais um pouco, devagar, e quase colei o meu ouvido ao seu tronco largo, robusto e majestoso.
Era, soube mais tarde, a árvore mais idosa e sábia da Floresta Azul, esta que calmamente, numa voz tão misteriosa quanto segura, me falava nos seus lábios serenos de casca enrugada:
_ Queres saber de que cor são as flores das árvores da nossa floresta? Pois eu vou dizer-te. Logo que desabrochem, verás que são lindas e têm a cor da vida e da alegria de todos os animais que nela vivem e também a cor dos sorrisos.
Sim, a cor dos sorrisos felizes das crianças que amam e respeitam a Floresta Azul e todas as florestas do mundo.
© Nita Ferreira |