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Um amigo juntou-se a uma iniciativa do fome zero na cidade onde mora, colocando
sua experiência como administrador a serviço do programa.
Sua tese era simples: primeiro precisamos de um processo inteligente que
garanta a distribuição eficiente dos alimentos. Depois vamos pensar na
mecânica de arrecadação de alimentos.
Algumas reuniões depois, chocado com o jogo de interesses, com a incapacidade
dos dirigentes de discutir os temas com consistência e com o resultado zero,
meu amigo desistiu. Decepcionado, saiu do grupo. E levou consigo a certeza de
que as coisas não andariam e que o Fome Zero estava, ao menos na sua cidade,
fadado a ser mais um daqueles programas espalhafatosos que dão muita notícia e
resultados pífios.
A descrição de meu amigo, das reuniões do grupo que pretende
"ajudar" o Fome Zero, não me surpreende.
Apenas descreve a tal mediocridade e incompetência a que me refiro em meus
textos. Este caso é um exemplo acabado: um monte de gente, supostamente com
boas intenções, disposta a dedicar tempo e energia por uma boa causa, sucumbe
diante da incompetência, da pequenez da visão...
O pior: a maioria absoluta, gente boa e bem intencionada, querendo fazer
o
melhor...E afundando as iniciativas.
In-com-pe-tên-cia .
Imediatamente me lembrei daquelas reuniões de condomínio, cheias de conflitos,
de mentes pequenas discutindo pequenas soluções para pequenos problemas...
Sinceramente? Não sei como lidar com um problema como esse do Fome Zero. Chutar
tudo pro alto e deixar como está? Cheira a desistência.
Montar um outro grupo, competente? Significa implementar um rigorosíssimo
processo de seleção dos membros, para ter gente que faça acontecer,
sem
prender-se ao bla-bla-bla, às tentativas de ganhar tempo ou ao discurso
dos
aparecidos...
Mas pessoas competentes fogem ao menor sinal da tirania da incompetência, como
fez meu amigo. Não têm paciência nem estômago para a burocracia, as
manipulações, os espertinhos e a falta de objetividade que
caracterizam essas ações espalhafatosas organizadas pelos governos.
Uma coisa é certa: o Fome Zero do meu amigo, conduzido por uns Zé Manés, não
cheirava bem. E para um programa que lida com comida, cheirar mal é mortal...
Mas posso estar sendo injusto. Alguém aí tem uma história do Fome Zero que
mostre-o funcionando e dando resultados sustentáveis?
Luciano Pires é profissional de comunicação, jornalista, escritor,
conferencista e cartunista,
atualmente Diretor de Comunicação Corporativa da Dana. Visite o site
www.omeueverest.com.
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