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Não sei qual foi o dia, nem o mês. Apenas, lembro-me do fato acontecido. Era à tardinha, a rua estava deserta, o sol já estava se pondo. O silêncio reinava absoluto. Ou era no meu sentir? Não posso definir ao certo. As folhas das árvores não se mexiam. Tudo parecia estático. Ou seria meu pensamento? De repente...eu vi. Vi um sujeito parado; olhar firme, penetrante; rosto sério; porém, com um semblante terno...
Assustei-me. Assustei com as formas-pensamentos que iam surgindo. Deparei-me diante de uma imagem inexplicável, vinda de uma época distante, cuja memória registrara, mas, depois, desaparecera. Lembrança esta que, agora, ia apresentando-me etereamente e, aos poucos, foi se firmando. As emoções foram surgindo. Olhei para a rua. As luzes estavam acesas. Quanto tempo ficara naquela contemplação? Olhei para o relógio de pulso, não se passara nem cinco minutos desde a última vez que queria saber as horas.
Dei dois passos. Retomei a imagem anterior e procurei discernir sobre o que aquele olhar queria me dizer. Senti renascer o horizonte perdido, percebi o jardim exalando o perfume das rosas, senti a vida fluindo meigamente pelas veias de meu interior. Era o arco-íris de minha existência reavivando meu ser. Encontrara o caminho dantes esquecido. Ele fora deixado. Desviei-me das pegadas e perdi-me no labirinto da vida. Nesta perca, segui outra estrada, cujo traçado levara-me para cavernas, deixando-me à deriva. Valeu à pena? Sim, pois, tive experiências várias que auxiliaram na sedimentação de conceitos outrora vislumbrados, contudo, não compreendidos.
Dei mais três passos. A brisa tocou-me na face. Acariciou-me. Estava plena, plena de Luz, plena de DEUS. Sorri. Sorri para mim!
Conceição Di Castro
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