Canal Crônicas
Ana Carolina...
© Ilda Brasil

Rosto magro, pele queimada pelo sol, cabelos encaracolados e negros, olhos brilhantes e envolventes. A minha esquerda, uma menininha a qual não se movimentava; extasiada, olhar fixo no livro que eu estava lendo: "A pedra encantada de Brisingamen". De quando em quando, apossava-se de seus lábios um suave e gostoso sorriso, mas os olhos continuavam centrados no livro que eu tinha nas mãos. Seu olhar era tão forte e envolvente quanto a sua beleza. Vestia uma blusa verde bebê com belos ramos florais e bermuda jeans que realçavam a sua simplicidade e encantamento. De repente, percebeu que havia quebrado a minha concentração e disse:
- Desculpe-me. A voz era angelical e meiga. Sorri-lhe e perguntei:
- Gostas de ler?
- Sim, a leitura me fez conhecer muitos lugares. Estou na 3ª série e me chamo Ana Carolina.
- Em que pensavas enquanto admiravas a capa do livro?
- Ah, de como seria a história...
- E o que imaginaste ser?
- Uma história de aventuras com fadas, monstros, bruxas, magos, algo lendário vivido por adolescentes.
Encantei-me com a intensa sensibilidade e capacidade de intuição dessa menininha do interior de Encruzilhada do Sul, pois nesse clássico, o escritor Alan Garner lança o seu leitor ao perigoso, fascinante e extraordinário mundo da mitologia celta, tendo como personagens principais duas crianças que vivem a aventura do resgate de uma pedra mágica disputada pelas forças do bem e do mal.
Ainda surpresa, fechei o livro e lhe entreguei, dizendo:
- É teu; um presente meu.
- Meu? 
- Sim, leia-o e verás que tua imaginação é tão fantástica quanto ao livro.
Com delicadeza e doçura, levantou-se, agradeceu-me e foi sentar-se ao lado da mãe. Dei um tempo e me virei, a cena era magnífica. Os dedinhos de Ana Carolina deslizavam com amor e carinho sobre a capa do livro, com a mesma amplitude que uma mãe afaga o seu bebezinho ao amamentá-lo. Sorriu-me felicíssima e disse:
- Já vou dar para a minha mãe guardar; é o meu primeiro livro! Obrigada.

A Carol, Assistente Comercial da Editora Moderna, que me perdoe, quando eu retornar a Porto Alegre irei visitá-la em busca de um outro exemplar. Estou tranqüila, pois pelo tempo que a conheço, sei que teria agido da mesma forma.



 

 

 

         

   

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