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Tinha seis anos de idade quando um dos irmãos revelou a sua grande descoberta e me disse que Papai Noel não existia. São os pais que compram os presentes. Não me lembro ao certo como terminou a revelação. Mas foi a morte do meu primeiro sonho. Chorei, chorei e chorei... Todas as lágrimas que a menininha sensível e sozinha fez o funeral do Papai Noel mágico e esperado. Depois juntei todos os meuse reescrevi a minha história de Natal.
Papai Noel existiria para mim sempre. Com seu trenó colorido e as mágicas renas passavam no céu da minha alma e da minha vida. Adorava ver as bolinhas e os pingentes do pinheirinho montado. Na hora da distribuição dos presentes as velinhas eram acesas. A árvore era natural e a neve algodão. Para mim, criança sonhadora, aquele instante voltou a ser mágico. Papai Noel existia no fundo do meu coração, mesmo sem trazer presentes, ele chegava ante meus olhos pedindo a grande passagem. E eu reconstruí o Papai Noel, o Natal, o Jesus Menino na manjedoura.
Cresci, casei e tive meus filhos. Quando cada um ia descobrindo que Papai Noel não existia, eu revivia a morte do meu sonho, e procurava passar a simbologia e a magia das festas do final do ano.
Fiz os Natais para meus filhos com carinho, amor, beleza, fé e músicas. Os pacotes muito bem feitos e coloridos.
A ceia era um esmero. Cones de isopor vestido com fatias de peru defumado com fios de ovos fechando o topo como um penacho. As bolachas coloridas. O peru e o tender com as frutas em calda. Papos de anjo...
Hoje vejo com muita tristeza que a maioria das pessoas não reescreveu suas histórias de Natal. O sonho morreu e nunca mais voltou e o Natal é vivido sem magia, com vista nos filhos, amigos e parentes O Papai Noel vem e os presentes esperados chegam. A ceia ainda é a mesma, mas sem magia. Que pena...
Quero ver se consigo passar para meus netos um Natal de luz, paz e alegria, cujo foco principal seja Jesus menino na manjedoura. E o símbolo do Papai Noel com seu trenó e renas coloridas ainda estão conosco na nossa imaginação, num mundo encantado do faz de conta.
© Susana Petraglia |