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Em nossa correria diária, deixamos de nos atentar a pequenos detalhes que fazem
toda a diferença. No mais das vezes não percebemos as nuanças de nossa
atividade mental que, em verdade, determinam a qualidade de nossas atividades, e
em grande parte as escolhas que vamos fazendo, ainda que não nos demos conta
disso.
Sabe-se, após tantos estudos e pesquisas, que nossa mente movimenta-se
permanentemente, numa coerente atividade compatível a natureza da vida.
A vida é basicamente energia, e como tal expressa-se, manifesta-se através do
movimento. Assim, nossa vida é a expressão do movimento que nossa energia
adota. Conforme a qualidade que possui será sua expressão.
O que disso podemos tirar proveito para melhorar e aplicar em nosso cotidiano?
Desde que somos concebidos nossa mente vai registrando toda e qualquer
experiência que vivemos. Seja através de sentimentos, impressões, sensações
até as vivências propriamente ditas.
De modo que, através de movimentos ela vai registrando tudo e com isso,
compondo o fundo que permanece como um banco de dados, que sempre será
consultado pelo nosso consciente.
Conforme vamos crescendo, vamos também movimentando todos esses dados, revendo,
alterando, trocando, reformulando, pois de alguma forma estamos sempre a
interferir nesses dados, que representam em última análise, o resumo vivo de
nossa história.
Quando por algum motivo deixamos que alguns aspectos em nossa vida se
cristalizem, não se mexam mais, não se atualizem, adequando-se ao momento
presente, então deixamos de estar sincronizados ao movimento, que é a
expressão permanente da vida. Diria que começamos então a criar uma espécie
de "arquivo morto", e aí começam nossos problemas.
Esse fundo estático passa a ser um elemento a mais em nosso cotidiano. Porém
como permanece imóvel interfere sempre exatamente da mesma forma, pois não
possui mais a qualidade de articular-se agindo compulsivamente.
O que disso resulta é o que chamamos comumente de paradigma, ou de trauma ou de
condicionamentos, enfim, há uma gama de qualificações, adjetivos e
identidade, para os resíduos gerados pela inércia, que se cristalizam em nossa
mente e formam "nódulos" energéticos, provocando alterações em
todo o funcionamento dela.
Todos nós em alguma medida estamos sempre a gerar estes resíduos, e conforme
vamos vivendo podemos ter a possibilidade de atuar sobre eles ou não.
A única forma pela qual podemos interferir nestes nódulos, é através do
auto-conhecimento.
Não era sem motivo que os gregos aconselhavam com profunda convicção:
"conhece-te a ti mesmo" isso para não mencionar conselhos preciosos
que podemos encontrar na Bíblia: "vigiai e orai sem cessar", e tantos
outros conselhos que poderíamos ficar dias apenas comentando-os e citando-os.
Importa que possamos estar conscientes deste fato. A vida nos foi dada como um
presente. E devemos começar por este pequeno detalhe. Um presente!
Não nos foi dada como uma herança, nem como uma promessa futura, mas nos foi
dada plenamente como presente. E só aí já teremos algo maravilhoso para
aprendermos. A vida nos é dada como presente. Presente é hoje, aqui, agora, é
atualidade, é já.
Uma vez que possamos perceber esse detalhe, que traz em si, talvez, a pista que
pode nos levar a um entendimento melhor de nossa rotina, teremos a possibilidade
real de nela interferir e nos tornarmos mais conscientes do domínio que podemos
exercer.
Interessante como nos comportamos muitas vezes, ingenuamente.
Pretendemos dominar espaços, situações, coisas, e até pessoas.... sem nos
darmos ao trabalho de conferir até que ponto vai esta nossa pretensa
autoridade, até onde ela é legitima e até que ponto saberíamos usá-la.
Quando começamos a nos conhecer com seriedade, a explorar nosso intimo com
calma e autêntica honestidade, no propósito de nos conhecer, então coisas
estranhas passam a acontecer.
De início descobrimos algo que, não nos agrada, por vezes nos contraria tanto
que algumas pessoas ai mesmo já desistem, e fogem refugiando-se no arquivo
morto, na ilusão, protegendo-se de si mesma.
Nossa primeira descoberta é que não possuímos poder algum sobre nada que nos
rodeia. Sejam situações, circunstâncias, coisas, lugares, negócios, pessoas!
Não temos domínio saber nada externo a nos.
Mas, quando nesta descoberta não desistimos, não nos deixamos assuntar, então
damos outro passo, igualmente importante e descobrimos algo deveras importante.
Nos é dado o poder de dominar nosso interior. Essa é uma descoberta
determinante em nossa vida. Em posse desta descoberta podemos exercer o primeiro
ato de vontade que poderá mudar toda nossa existência. A escolha de conhecer e
aprender a utilizar o domínio que nos é dado.
Se apenas nos é dado o poder de controlar nosso interior, penso que nos
dedicarmos a ele é a atitude mais inteligente e produtiva que podemos adotar,
exercendo assim nossa primeira escolha, nosso primeiro ato consciente do
presente que recebemos.
Passamos então a nos interessar por esta qualidade, tão atípica, que
descobrimos em nós. E vamos compreendendo a tolice que é desperdiçar energia
tentando exercer um poder que não temos e jamais teremos. Da mesma forma,
passamos a nos encantar com as possibilidades que existem no poder que nos é
dado e, fascinados com a lógica perfeita da natureza ao nos oferecer tamanha
dádiva.
Um dos efeitos colaterais que perceberemos é o amadurecimento natural de nosso
ego. Surge, em seu melhor feitio, uma humildade interna própria das mentes que
se deparam com a realidade mais sutil do funcionamento mental. Nada de
subserviente, mas uma perfeita compreensão do que nos é permitido e como
conseqüência um respeito mais agudo em relação às outras pessoas.
De certo modo, nesta primeira lição está contido o segredo da existência
humana.
A partir desta descoberta, nunca mais seremos os mesmos. Nem que desejássemos
poderíamos retornar à ignorância deste fato. Eis algo interessante e que,
infelizmente, assusta algumas pessoas, que não percebem a grandiosidade desta
condição e do grande avanço que ela representa para todo nosso planeta.
Bom ressaltar aqui que a vida sendo energia, é una, um só oceano de Luz, que
se expressa em infinitas formas, mas sempre uma só energia. Isso é de suma
importância se compreender, pois implica em noções que delimitam os espaços
por onde percorremos nosso cotidiano, desenhando nossa existência.
Sendo a Vida Una, Uma só energia, é legítimo compreendermos que não podemos
estar fora dela, ou dela nos separarmos como bem nos aprouver, ou ainda estando
nela, nos isolarmos de alguma forma da totalidade.
Esta percepção é a mola propulsora de nosso desenvolvimento interno, e sem
dúvida um toque divino que com genialidade possibilita vôos mais altos e
prazerosos á nossa alma.
Nossos dias são como mosaicos que se juntam compondo o cenário que é nossa
própria vida.
Que sejam mosaicos coloridos e que se encaixem com perfeição, para que nossa
existência se torne uma obra de arte digna de ser legada aos que atrás de nós
vierem.
Priscila de Loureiro Coelho
Consultora de Desenvolvimento de Pessoas
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