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Elites, massa popular, socialismo, capitalismo, palavras de ordem... De repente, discursos anacrônicos invadiram a mídia, tentando desviar o assunto de um tema que, infelizmente, sobrevive, incólume: corrupção! Agora querem que as ruas sejam invadidas, em atos de apoio e desagravo! Só falta a contrapartida das “marcha da família...”!
Francamente, o momento não pede alarido, mas exige silêncio e calma para ouvir, analisar e concluir sobre fatos; não exige “caras-pintadas”, dando respaldo incondicional, mas cara limpa! Afinal, quem não deve não teme e, sendo inocente, sairá moral e politicamente engrandecido do affaire!
O real exercício da democracia implica em aprender lidar com a liberdade de expressão. De direita ou esquerda, posturas extremas, dogmáticas, tendem a assumir o sentido probabilístico de Engels, ou seja, tudo o que fazem, mesmo quando errado ou reprovável, é justificado, útil e bom! A história está repleta de exemplos.
Como sempre, os extremos são o problema, e não adianta incitar o povo ou fazer atos públicos de desagravo. Não precisamos de manifestações populares, mas de esclarecimentos individuais!
O problema, de fato, está nas elites, mas não nas sociais. Está nas elites políticas, de todas as cores, que insistem em fazer de tudo para alcançar o poder, e não importa o quê, para mantê-lo!
O Brasil precisa abolir, definitivamente, essa mentalidade ditatorial! Não podemos continuar vivendo com medo de conspirações capitalistas ou reféns das escolhas pessoais de indivíduos. O Brasil não precisa nem de caudilhos e coronéis, nem de mártires ou líderes carismáticos, que nos escravizem, cada um com ao seu modo. Tampouco tem espaço para os que querem buscar canonização ou divinização, em vida, ou vivam cobrando dívidas de gratidão. Precisamos de representantes que lutem para mudar o que está errado, e não repitam os mesmo erros, só que travestidos de “acertos”, “decisões políticas”, “nobres ideais” ou “fins” que justificam “meios”.
Infelizmente, ainda existem egos exacerbados, mágoas renitentes, cadáveres insepultos e feridas abertas que ameaçam a estabilidade do país. Em vez de curá-las, alguns preferem vê-las crônicas, quiçá, gangrenadas e fétidas.
Não há democracia no poder absoluto e auto-indulgente, seja de direita ou de esquerda! É indispensável ter autocrítica e saber ouvir críticas. Além disso, é preciso muito mais coragem para mudar práticas políticas viciosas e mentalidades arcaicas, do que para empunhar armas ou discursar em palanques! É nessas horas que se conhece o verdadeiro caráter das pessoas, e que se realiza se o respeito é merecido ou, apenas, cobrado.
Portanto, não precisamos de manifestações de apoio a governos, partidos ou políticos, nas ruas. Necessitamos, com urgência urgentíssima, tirar os que prejudicam o país e o povo delas, sejam da “elite” social, política ou criminal!
É sempre bom lembrar, que o apelo popular, incitado e iludido, já libertou culpados e condenou inocentes!
Sobre o imbróglio atual, o julgamento deve ser de pessoas, com nome e sobrenome, e não institucional ou ideológico; e deve ser lúcido, isento de paixões ou culto a personalidades.
O povo deve e vai se manifestar, sim! Mas à luz dos fatos e no momento oportuno: em 2006, Celebrando os inocentes e punindo, ao menos pelo voto, os culpados!
Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro, Professor Universitário, Articulista e Poeta
algbr@ig.com.br
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