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Ser, ou ter aspirações a ser político, exige dignidade, respeito e cumplicidade pela causa pública, e, uma forma diferente de estar na vida, com frontalidade e alguns sacrifícios e a abdicação de quaisquer beneficias não compatíveis com o bem comum.
Grande parte dos nossos políticos procuram a causa pública para dela se servirem e promoção pessoal e pouco ou nada para servir quem os elegeu, e, em nosso entender, isso não é servir os superiores interesses do país e do povo português.
Infelizmente, a grande maioria dos nossos políticos não dispõe do mínimo de preparação técnica para poder exercer, cabalmente, os cargos que ocupam, e, esse facto, prejudica grandemente todo o bom funcionamento da causa pública.
Portugal não está, nem soube, aproveitar as experiências de outros países da UE, nos sectores mais importantes da economia nacional, nomeadamente, nos Sectores da Construção Civil, Turismo, Agricultura e outros, onde, praticamente, nada foi feito e nada está programado para recuperar a economia nacional.
Não é necessário procurarmos muito para verificar quais são as causas que contribuíram para que Portugal se encontre, actualmente, na cauda da economia da UE, basta-nos verificar o que se passa nos seguintes sectores da economia nacional, e, assim temos:
I - O Sector da Construção Civil, está a degradar-se rapidamente e dando lugar ao aparecimento de grandes Construtoras Civis Espanholas, que se instalam acompanhados dos seus bancos e exigem do Governo português contrapartidas para a concretização dos seus investimentos e, dessa forma, asfixiam algumas construtoras portuguesas, que por outro lado ainda teem que enfrentar o, absurdo e lamentável, atraso na aprovação dos seus projectos, que em alguns casos, chegam a demorar três a quatro anos para serem aprovados, facto que, faz com que os seus imóveis, depois de construídos, fiquem mais caros do que em Madrid, Barcelona ou Londres. Aliando tudo isto ao poder de compra dos portugueses, coloca o Sector da Construção Civil numa situação extremamente critica.
II - O Sector da Mediação Imobiliária, está a passar por uma crise de grandes proporções, com muitas empresas a declarar falência diariamente, quer pela crise no Sector da Construção Civil, quer porque 25% a 35% dos negócios imobiliários passa por intermediários, que não pagam quaisquer impostos ao Estado, e prejudicam a actividade normal das empresas de Mediação Imobiliária, aquém o estudo tudo exige e em nada as protege.
Para colocar o Sector Imobiliário ao nível que este se encontra em outros países da UE, bastaria que o Estado copiasse o sistema existente nesses países e determinasse que todas as escrituras publicas de compra e venda de imóveis, só pudessem ser celebradas com processos elaborados por Empresas de Mediação Imobiliária, e, assim, não só protegia as empresas do sector, como também o Estado receberia todos os impostos inerentes.
III - O Sector de Turismo, embora sendo um dos sectores de grande interesse para a Economia Nacional, atravessa graves problemas, especialmente ao nível das pequenas e médias empresas, que tentam investir na industria hoteleira e que teem que enfrentar a pesada máquina burocrática dos diversos organismos do estado, que demoram entre três a cinco anos para aprovarem os seus projectos e, por isso, alguns não são concretizados e os promotores perdem o capital que investiram. Existem organismos a mais e cada um deles sente que nada pode avançar sem a sua aprovação e por isso demora o tempo que quer e não se importa, nem com o que o projecto pode representar para a Economia Nacional, nem com os interesses do promotor, que também devem ser respeitados.
Sabemos que muitos investidores estrangeiros, especialmente holandeses, alemães e ingleses, que pretenderam investir no Sector Turístico em Portugal, quando tiveram que enfrentar a máquina burocrática portuguesa, desistiram de trabalhar em Portugal e foram investir em Espanha, pais onde não existe burocracia, mas sim, uma politica de apoio aos investidores que ali pretendam operar.
IV - O Sector Agrícola está, praticamente, irrecuperável em algumas das suas actividades, como sejam a Olivicultura, Horticultura e a Fruticultura, basta verificarmos qual é a origem dos produtos à venda no mercado para verificarmos que:
a) - O azeite que consumimos, como sendo português, a sua maioria é importado pelas marcas de Espanha e apenas embalado em Portugal, embora grande parte da azeitona em Portugal não seja apanhada e se estrague, como acontece no Alentejo.
b) - As frutas que consumimos só uma pequena parte é portuguesa, a sua grande maioria é espanhola e de outros países com o Brasil, Argentina, Chile, China e outros.
c) - Os produtos hortícolas disponíveis no mercado, a sua maioria são espanhóis e uma pequena parte franceses, holandeses e alemães e apenas aparecem alguns portugueses e mesmo esses muito mal apresentados.
Os campos agrícolas portugueses estão, praticamente, abandonados e nem para a criação de gado estão sendo aproveitados.
Com o estado actual da economia portuguesa e a não existência de um verdadeiro plano de desenvolvimento, julgamos que a sua recuperação é muito difícil de alcançar.
Portugal necessita de um governo formado por homens competentes e tecnicamente para resolver os seus graves problemas da Economia Nacional, de harmonia com as realidades do país, dado que, o actual governo, em muitas situações não foi transparente e alguns dos seus ministros, alem de serem incompetentes, são também arrogantes, e, por isso, já perderam toda a sua credibilidade junto dos portugueses.
© Sacramento Gaudêncio - Portugal
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