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Ao criar um verso, o poeta dispõe de alguns processos de acomodação
silábica e acentual para atingir o esquema desejado. Esses podem ocorrer de
diversas formas, tais como: junção ou separação de vogais em contato; o
acréscimo ou a supressão de sílabas; o recuo do acento forte vocabular .
Assim, ele reutiliza do material e
dos recursos que a língua oferece para alcançar a harmonia melódica do poema.
Dessa
forma, há três tipos de ligação:
a)
A
ligação tipo 1 é a associação
natural de consoante de fim de palavra (R, S, Z, M, L) à vogal inicial da
palavra seguinte.
Exemplo: O
teu pé
sutil e
breve (Antero de
Quental)
O
/ teu/
pé/ su/
ti/ le/
bre/ ve
b)
A ligação do tipo 2 ocorre quando há o desenvolvimento de um fonema
de transição, sempre, que a palavra anterior terminar por
Exemplo:
Quem as
cordas estalou?
(Antero de Quental)
Que/
nhas/
cor/
da/
ses/ ta/
lou?/
c)
A ligação do tipo 3 dá-se quando
há, também, o caso de relação do “-b” de sob com vogal seguinte,
embora não se trate, propriamente, de ligação; o idioma é avesso a finais de
palavra oclusiva, desenvolvendo, sempre, uma vogal.
Exemplo:
Sob
as
vagas
altaneiras! (Fagundes Varela)
So/
bias/
va/
ga/
al/
ta/
nei/
ras!
O processo de acomodação
silábica implica na contração (Elisão, Sinalefa, Sinérese) ou expansão
(Ampliação, Dialefa, Diérese) do corpo silábico do verso; já o de
acomodação acentual visa o curso intensivo do verso em função da cadência
estrófica Translação (avanço ou
recuo da sílaba forte).
Fonte
de pesquisa: Teoria do verso, de Rogério Chociay
Maria
da Conceição R. Hora
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