|
|
4. POR QUE PRESTIGIAR SÉRGIO REIS E ESQUECER O SERTANEJO GOIANO? (JORNAL
OPÇÃO, 19-25/11/00, C-3)
Continuo aqui a comentar erros desse texto.
7.Veja a passagem: A Cannes (...) terá um faturamento anual da ordem de 2
milhões de reais somente com os 20 por cento que tem direito na utilização de
mídias.
Um erro muito comum é o não emprego da preposição, principalmente quando
está antes de pronome relativo, exigida por algum elemento regente (verbo,
substantivo, adjetivo, advérbio). Por ex., quem tem direito tem direito a.
Temos direito a viver com dignidade. Voltemos ao texto: "somente com os 20
por cento a que tem direito" = aos quais 20 por cento tem direito.
Mídia é um coletivo. Vem do latim "media", isto é, "os
meios", que no inglês se pronuncia "mídia" (+/- semelhante ao
português). Em vez de utilizarmos o termo "média", referente aos
meios de comunicação, como acontece no espanhol, importamos o termo
"mídia" dos States. Se "mídia" refere-se aos meios de
comunicação social, onde se inclui a televisão, o jornal, o rádio..., não
há a menor justificativa para se empregar "mídias", como várias
vezes o redige o autor do texto: televisão, rádio, jornal não são mídias,
mas fazem parte da mídia.
8.Ele afirma que: ............... Há o erro comum de se colocar dois pontos
depois de pontes (preposições, conectivos...). Ora, se se coloca dois pontos
após a ponte que une o elemento anterior (regente) e o posterior (elemento
regido), quebra-se a ponte. Vejamos: "O evento será realizado a partir de:
15 de janeiro de 2001." "Será realizado em: 15 de janeiro de
2001." "Será realizado a: 15 de janeiro de 2001." As
preposições de, em, a são as pontes, ficando os dois pontos totalmente
incabíveis. A mesma situação se verifica com os vocativos, quando muita gente
substitui a vírgula por dois pontos. Ex.: Senhor Prefeito, (correto) e Senhor
Prefeito: (incorreto). O fato de após a ponte saltar-se para a linha seguinte
não justifica pôr dois pontos após a ponte. A norma sintática continua a
mesma, independente da formatação do texto.
Corrijo o texto que estou analisando: Ele afirma que 1) ao contrário de nota...
Obs.: alguém deve ter estranhado que mantive dois pontos no singular, fazendo a
concordância no singular. Ex.: "Dois pontos abre uma explanação."
Está correto, pois dois pontos não se refere a elemento plural, mas a uma
pontuação constituída de dois pontos. Por isso, não se deve modificar
"dois pontos" pelo artigo: "A frase terminou por dois
pontos" e não "pelos dois pontos". Caso sejam modificados, a
concordância deverá ser feita com o número do modificador: "Os dois
pontos abrem uma explanação." É voz corrente e aceita a mesma lógica
quando se trata, por exemplo, de Estados Unidos: "Estados Unidos é um
país", "Os Estados Unidos são um país".
9.O rural business constatou que esses telefonemas devem estar acontecendo fora
do horário comercial. Pois nenhum deles tem conhecimento dos mesmos.
O "pois" tem pelo menos três funções. Nunca deve começar frase,
pois sempre desempenha o papel de explicar ou concluir a idéia anterior ou
dizer a causa de algo. No presente caso, deve ser antecedido de vírgula.
O emprego de "mesmo" e flexões para substituir o possessivo ou
pronome reto de terceira pessoa é verdadeira mania nacional. Indica, no
mínimo, pobreza de estilo. Veja que coisa mais sem graça: "Todos foram à
casa do Alberto e, depois de jogarem truco na sala da mesma, comeram uma
feijoada oferecida pelo mesmo." Cruzes! Vamos melhorar: "Todos foram
à casa do Alberto e, depois de jogarem truco na sala, comeram uma feijoada
oferecida por ele."
Empregue "mesmo" para modificar substantivos ou em expressões
consagradas: os mesmos alunos; ficou na mesma; foi tudo feito por mim mesmo; ele
mesmo não sabe do que se trata...
Correção do texto acima: O rural business constatou que esses telefonemas
devem estar acontecendo fora do horário comercial, pois ninguém tem
conhecimento deles.
Um abraço do Professor Nilton Mario Fiorio.
nmfiorio@cultura.com.
© Todos direitos reservados.
|
|