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As expressões "a nível" ou "em nível", acompanhadas ou
não da preposição "de", com equivalência a "de âmbito"
ou "com status de" são muito criticadas pelos gramáticos, que as
consideram sem sentido e, portanto, as condenam. Apesar de o povo ser o senhor
da língua e ele dar o significado que quer a palavras e expressões já
existentes ou até criar palavras novas, as formas citadas são mesmo insossas.
Até que elas se consolidem e sejam reconhecidas, é preferível, para evitar
críticas, usar formas cujo significado seja incontestável e que sejam
pacificamente aceitas. Desse modo, em vez de "A campanha será feita a (ou
em) nível mundial", prefira-se "A campanha será mundial",
"A campanha terá abrangência mundial", "O âmbito da campanha
será mundial" ou ainda "A abrangência da campanha será
mundial", se se tratar de abrangência. Se a intenção for expressar
status, no lugar de "As mudanças no Governo serão feitas em nível
ministerial", use "As mudanças no Governo serão feitas no
ministério", forma até mais objetiva. Na verdade, não há
"princípio lingüístico" que justifique a repulsa a tais
expressões, apenas sua inconsistência semântica. Finalmente, observe-se que
é correto o emprego de "ao nível de" quando se quiser dizer que algo
está na mesma altura em relação a outra coisa, quer em sentido próprio
(denotado) ou figurado (conotado): "Ubatuba está ao nível do mar"
(na mesma altura em que o mar está) e "Dizer que criminosos de colarinho
branco estão ao nível de batedores de carteira é ofender estes
últimos".
Leia mais em:
Dicionário de questões vernáculas, de Napoleão Mendes de Almeida.
1001 dúvidas de português, de José De Nicola e Ernani Terra.
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