|
Oxalá que após o suplício não caia no estrupício.
92.ESTUDANTES
DA USP SE DÃO MAL NO SHOW DO MILHÃO
Nessa
quinta-feira (9/8/01), o Show do Milhão perguntou:
A colheita da uva
é chamada de
a)
vindima;
b)
vinhedo;
c)
vinha;
d)
videira.
A
candidata estava concorrendo a 50.000 reais e resolveu consultar os
universitários, todos da USP. Pra quê! Não sei se por corporativismo da
ignorância, resolveram em uníssono dizer que a resposta correta era a C. E a
candidata embarcou nessa. Errou. Recebeu apenas 15.000 reais.
A
resposta correta seria A, “vindima”.
VIDEIRA
é o tronco que fornece a uva.
VINHA
é terreno plantado com videiras, geralmente em filas.
VINHEDO
é grande extensão de vinhas..
Tem-se
observado, com pena e... penúria, o índice precário dos universitários que
respondem ao show do milhão, independentemente se da UNICAMP, UCG, UFRGS, USP,
UES, UNESP... Principalmente, no que concerne a cohecimentos relativos a
Humanidades, como Filosofia, Teologia, História, Geografia, Língua Portuguesa
e literatura afim...
Se
o índice das perguntas fica na linha do medíocre ou menos, o das respostas é
muitas vezes ainda pior. Isso dá o que pensar: o analfabetismo informal é mais
preocupante que o das estatísticas. Em miúdos: saber assinar ou assassinar o
próprio nome não é o verdadeiro indicador do analfabetismo, mas a
incapacidade de se informar, discernir, julgar e tomar decisões, provenientes
da escassa ou nenhuma leitura no dia-a-dia. Somos, a esmagadora maioria, um
País sem bússola.
93.”TODO
MUNDO” = “TODO O MUNDO” ?
Não,
não é.
1.Quando
se emprega todos ou todas, o artigo é obrigatório.
Todos os homens
e todas as mulheres estão empenhados
na mesma luta.
2.Quando
se usa todo ou toda, entretanto, a explicitação do artigo nem sempre acontece. A
presença do artigo faz com que todo e
toda tenham o significado de inteiro;
a ausência do artigo, por sua vez, faz com que todo
e toda signifiquem qualquer.
Como
toda boa carioca, adoro cerveja
= como
qualquer boa carioca...
Diretores
das concessionárias de todo o País
dizem que agora estão lucrando... = Diretores das concessionárias do País inteiro dizem que agora...
Veja
esta frase de Jorge de Sena, citada como epígrafe por Nelson de Matos em A Leitura e a Crítica (Lisboa: Estampa, 1971):
Sem
a aplicação de um método toda a inquirição é impossível.
Correto?
Depende:
*
se o autor quis dizer que a inquirição total,
completa, cabal é impossível, a frase está correta;
*
se quis dizer que qualquer inquirição
é impossível, a frase está incorreta.
Parece
que o sentido pretendido foi o último. Portanto, o autor deveria ter dito:
Sem
a aplicação de um método toda inquirição é impossível.
94.CÃIBRA
ou CÂIMBRA ?
Na
ISTOÉ (8/8/2001, p.103), está escrito:
Nesse
caso, bastam 15 minutos para que os músculos se contraiam e a câimbra
paralise os movimentos das pernas, provocando o afogamento...
Consultando
os melhores dicionários, você irá encontrar estas palavras:
câimbo
(var. de cambo)
– pau com gancho na ponta para tirar fruta;
câimbra
– contração muscular
espasmódica e dolorida;
câimbro
– duas espigas de milho unidas
entre si pela própria palha.
Pelo
que dizem os dicionários, a revista está correta. Mas é intrigante.
Qual
a justificativa do acento?
Trata-se
de vocábulos paroxítonos terminados em “a” e “o”. Não devem ser
acentuados pelas normas ortográficas de 1943. Se assim fosse, “campo”, “mesa”,
“tombo”, “pleno”, “nabo” e a maioria dos termos deveriam ser
acentuados. Por isso, o acento registrado pelos dicionários está incorreto.
Como
escrever tais vocábulos, então? Simples:
cãibo,
cãibra, cãibro.
O
til aí pode causar espécie, mas é coerente com a norma, já que assim o
fazemos com “mãe” (repare que se trata do mesmo ditongo nasal, apenas com
grafias distintas: ãi / ãe).
A
justificativa para acentuar “câimbra”, “câimbro” e “câimbo” só
pode ser o fato de que tais palavras podem ter o acento tônico no “i”, como
em “Coimbra”. O acento circunflexo, portanto, tira a dúvida. Entretanto,
para que insistir em sua grafia com acento circunflexo, se é bem mais prático
escrevê-las com til (cãibra, cãibro, cãibo) ?
95.COMO
PONTUAR FORMAS PARALELAS SEM CONECTIVO ?
Tema
já abordado no item 79.Vírgula obrigatória (V)
Veja
as seguintes passagens:
morta
na sexta-feira 27 de julho;
a
esperança de Miryam acabou na sexta-feira 3;
até
quinta-feira 2 não havia a confirmação do contato do piloto...
São
tiradas da ISTOÉ (98/8/2001, p. 101-105).
Essa
revista é o único órgão informativo (dos que leio) que teima em grafar datas
com esse equívoco (ou erro?).
Quando
há dois elementos paralelos sem conectivo, deve-se separá-los por vírgula.
Assim, acontece com sujeitos seguidos, objetos diretos seguidos, adjuntos
adnominais seguidos... No nosso caso, há dois adjuntos adverbiais com a mesma
semântica, a saber, referem-se a tempo, um referente ao dia da semana e outro
ao dia do mês. Têm que ser separados por vírgula. Vejamos:
morta
na sexta-feira, 27 de julho;
a
esperança de Miryam acabou na sexta-feira, 3;
até
quinta-feira, 2, não havia a confirmação do contato do piloto...
Se
a revista fosse coerente, teria que empregar o mesmo comportamento em outras
circunstâncias. Separa por vírgulas, por exemplo, estes elementos paralelos
referentes a espaço:
A
aeronave estava a 17,5 metros de profundidade, a 2.7 quilômetros da praia de
Maresias. (p. 101)
Ou
estes relacionados também a espaço:
Estava
na praia de Santiago, a 11 quilômetros de Maresias, São Sebastião, litoral
norte de São Paulo...
Se
cada um de tais elementos têm denotação especial, os de tempo (data) também.
Portanto, deve-se aplicar a casos iguais a mesma norma.
96.VÍRGULA
PROIBIDA (I)
1.Não
se pode colocar vírgula entre o sujeito e o verbo que declara a sua ação.
Ex.: minha terra (sujeito) tem (verbo) palmeiras; o moleque (sujeito) fez
(verbo) um gesto feio; quem fala demais (= falador / sujeito) dá (verbo) bom
dia a cavalo.
Se
houver entre o sujeito e o verbo algum bloco sintático, constituído de
elementos esclarecedores ou modificadores, pode-se colocar tal bloco entre
vírgulas, como se fossem parênteses. Tomemos os mesmos exemplos acima:
minha
terra, assim cantou Gonçalves Dias ,
tem palmeiras;
o
moleque, com a cara zangada , fez um
gesto feio;
quem
fala demais, reza o provérbio, dá
bom dia a cavalo.
Trocando
as vírgulas por travessões ou parênteses, os mesmos textos podem ser
pontuados corretamente de outra forma:
minha
terra (cantou Gonçalves Dias) tem
palmeiras;
minha
terra – cantou Gonçalves Dias –
tem palmeiras;
quem
fala demais – reza o provérbio – dá
bom dia a cavalo.
Três
empregos da vírgula, a seguir, estão corretos
e dois incorretos:
a)
Gabriela Marchi, de 9 anos, perdeu a perna esquerda;
b)
o repórter, com muita cautela fez perguntas inteligentes;
c)
quem semeia ventos, colhe tempestades;
d)
os artistas, de modo geral, adoram deixar seu nome na calçada da fama;
e)
ladrões da classe chique, a maioria constituída de políticos, jamais vêem
o
sol nascer quadrado.
Se
você está convicto de que as frases das letras a,
d e e
estão corretas, você sabe pontuar.
Um
abraço do Professor Nilton.
nmfiorio@cultura.com.br
© Todos direitos reservados.
|