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Coloquei mais um link no meu site.
O que acha dessa frase? Possivelmente, você dirá que está tudo certo com ela,
tal é sua familiaridade com essa enxurrada de palavras estrangeiras que pipocam
nos textos da nossa imprensa - especializada ou não -, não é mesmo?
Pois é, mas vamos aos fatos. Em primeiro lugar, a grafia das palavras no Brasil
é regulamentada por lei (Decreto-Lei n.º 2623, de 21.10.55), simplificada pela
Lei n.º 5765, de 18.12.71. Dessa forma, o respeito à norma ortográfica
oficial é respeito à lei. Em segundo lugar, essa mesma norma disciplina a
escrita de nomes estrangeiros - os estrangeirismos ou barbarismos (em sentido
estrito) - que, se não forem aportuguesados, ou seja, se não se adequarem à
nossa ortografia, devem ser escritos entre aspas ou então sublinhados. Devem,
enfim, ser postos em destaque de alguma forma (tipos itálicos, por exemplo).
Excetuam-se os já consagrados, como box, watt, show, shopping, etc. (aqui em
destaque apenas para melhor visualização). A propósito, box, com significado
de "compartimento", permaneceu na grafia original, mas empregada no
sentido de "luta com punhos" foi aportuguesada para "boxe" e
tem ainda sinônimo vernáculo: pugilismo. Assim, o correto é escrever-se
"link", software, upgrade.
O ideal seria que os meios de comunicação - TV, rádio, revistas, jornais e
agora a Internet - adotassem postura de defesa da nossa cultura, aí incluída a
língua portuguesa. Para isso, procurariam traduzir para o português, quando
possível, os nomes estrangeiros que através deles ingressassem em nosso meio.
Caso não fosse possível, que pelo menos adaptassem à nossa ortografia essa
torrente de palavras estrangeiras, especialmente inglesas.
Não se entende, a não ser em razão de mentalidade colonizada, que a maioria
dos estrangeirismos não possa ser traduzida. Para ficar apenas no contexto da
Internet: link não poderia ser "ligação" ou mesmo
"porta"? Home page não poderia ser traduzida por "página
principal" ou "página de abertura"? Browser, não poderia ser
"navegador" ou "programa de navegação"? Em vez de
download, bem que poderíamos utilizar "baixamento",
"descarregamento" ou "descarga". Se alguém objetar que
"baixamento" não está no dicionário, pois que se crie essa palavra
e se a coloque nele! Banner não poderia ser "faixa" ou
"faixinha"? E o que dizer de hit, no contexto da rede? Poderia
perfeitamente ser traduzida por "visita" ou "acesso".
Lembremo-nos de que file, desde o início da expansão da Informática no
Brasil, foi apropriadamente traduzida por "arquivo". Em vez de mandar
"e-mail" (abreviação de electronic mail = correio eletrônico), eu
bem que poderia mandar uma mensagem ou até, abreviadamente, "msg.",
já que é para encurtar... Este trecho, de três linhas, foi retirado de uma
revista especializada em Internet: "Às vezes, troca-se links simplesmente,
em vez de banners. Por exemplo: você tem um site...". Total desrespeito à
norma ortográfica. Que pelo menos se aportuguesem tais palavras. Assim,
vocábulos como link viram "linque"; site vira "saite";
browser, "bráuser" e assim por diante. Já não aportuguesamos
diskette? E "leiaute", já não foi layout? Quem resiste a isso,
deveria continuar a escrever football, goal, penalty, bouquet e carnet, por
exemplo.
Não se trata de xenofobia (aversão a tudo que é estrangeiro). Trata-se apenas
de defender nossa cultura e conseqüentemente nossa língua dessa invasão
desenfreada, que aqui despeja centenas de palavras sem a menor cerimônia, como
se o Brasil fosse a "casa-da-mãe-joana". (Na opinião de quem assim
procede e com isso concorda, é.) Vamos receber esses empréstimos
lingüísticos quando necessário, quando vierem suprir lacunas do idioma e
mesmo assim adaptando-os à nossa ortografia. Caso contrário, que fiquemos com
as palavras da nossa língua, a qual muito mais autenticamente expressa a
cultura brasileira. O Brasil proclamou sua independência política em 1822,
mas, na mentalidade de muita gente, ainda somos colônia.
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