Dicas de Português

Voltar para a página índice de Dicas de Português

Concordância Verbal


1.CONCORDÂNCIA VERBAL

Eis um exemplo discordante: "Chegou recentemente quatro dornas de aço inoxidável." (DIÁRIO DA MANHÃ, 5 de julho de 1999, Caderno LOCAL, p.1)
Chegou e dornas são respectivamente núcleo do predicado e do sujeito.
Concordância ao pé da letra significa "estar alguém no mesmo coração de outrem". Em outras palavras, estar sintonizado. "FHC concorda com Pedro Malan, assim como dona Ruth concorda com o presidente". "Já a amante discordou publicamente do ex-técnico da seleção".
Em gramática, concordância é o estabelecimento de flexões idênticas (um coração só) entre elementos sintáticos que exercem funções idênticas ou diferentes. O núcleo do sujeito e do predicado, por exemplo, devem concordar, a saber, devem estar no mesmo número (singular ou plural).
No exemplo acima, o correto pela norma gramatical é "Chegaram... quatro dornas..."
Vejamos alguns textos da mídia.

"Em todos se apresentam a súmula das inquietações de Cortázar: os seres extraordinários, o limite entre o real e o absurdo, as relações pessoais..." (Cult, outubro/2000, p.17) Como o sujeito é súmula, o núcleo do predicado tem que ficar também no singular: apresenta.
O mesmo se passa no seguinte: "Em frases desajeitadas ou em frases geniais ficam também a marca de sua vocação para a democracia..." (ISTOÉ, 05/01/2000, p.21) Descobriu o erro? Se o sujeito é marca, o verbo tem que ficar no singular: fica.
"E não basta bons salários." (ISTOÉ, 9/6/99, p.103) Não faça isso, meu irmão! O verbo tem que ficar no plural (bastam) para fazer jus aos bons salários, certo?

2.CUIDADO COM OS VERBOS EXISTIR e HAVER

O verbo "haver", quando não admite sujeito, é impessoal. Então, mantém-se na 3a. pessoa do singular. Sempre. Quando é impessoal, tem o mesmo significado de "existir" ou "fazer". Há muito não vejo você, havia gatos barulhentos no telhado, haverá dois dias de folga antes do Natal, haja canibais para tantos marinheiros capturados!
É comum aparecer por aí haviam (existiam) em vez de havia. Não faça isso. Havia alunos querendo aprovação no vestibular só com o poder de reza e promessa a S. Judas. Credo!
Já o verbo "existir", por ter significado semelhante a "haver", muita gente o mantém na 3a. pessoa do singular. Engano puro e simples: é sempre pessoal, concordando com seu sujeito. Existe muito louco solto, dirigindo carro numa boa, enquanto os outros estão numa péssima. Existem muitos loucos soltos... Pobre sempre existirá, já o afirmou Cristo. Sempre existirão pobres, do contrário como é que os ricos seriam ricos?

Um abraço do Professor Nilton Mario Fiorio.
nmfiorio@cultura.com.br

© Todos direitos reservados.
   

Voltar para a página índice de Dicas de Português