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18.RETORNANDO AO ASSUNTO DO PARTICÍPIO DUPLO (item 12)
1.Há particípios duplos que acabaram brigando e lutando pelo gosto popular. No
final, chegaram às boas, prevalecendo o fora-da-lei: quem manda é o irregular.
Vejamos o caso, por ex., de "pagado" e "pago",
"pegado" e "pego", "ganhado" e "ganho",
"gastado" e "gasto"... Assim é que se diz "tem
pago" e "foi pago"; "havia pego" e "fora
pego"; "que ele tenha ganho a parada" e "o salário foi
ganho com muito suor", "tem gastado mais do que ganha" e "o
terno será gasto com o tempo". Não está errado o emprego de "tinha
pagado, pegado, ganhado, gastado". O fato é que esses particípios, na voz
ativa, estão cedendo a vez aos irregulares correspondentes.
2.Atenção, certos cariocas! Vocês têm o hábito singular, no Brasil plural,
de falar "ele foi pego", pronunciando "pego" com a tônica
aberta. Ora, estão fazendo uma bela confusão com a primeira pessoa do
indicativo presente, "eu pego", aqui, sim, com a tônica aberta.
Então, cuidado: eu pego (é), ele foi pego (ê). E o grave é que muitos que
aparecem na TV, principalmente artistas, repórteres e locutores de A Globo,
escancaram aquele "foi pégo" totalmente mecânico, no chute.
3.Há, igualmente, uma tendência de fazer analogia (imitação) com
particípios duplos dos verbos, quando se utilizam verbos totalmente inocentes.
Vejamos o caso de "comprar", cujo particípio único é
"comprado", pelo menos por enquanto. Pois não é que se escuta até
bacharel falando "o automóvel foi compro" (em vez de
"comprado"), "os presentes foram compros" (em vez de
"comprados"). O que aconteceu? Parece que uma aproximação com o
verbo "pagar", cujo particípio usual é "pago". Afinal,
"comprar" e "pagar" estão muito próximos, pois acontecem
nos mesmos lugares e com... quase todas as pessoas. O mesmo se passa com o verbo
"pasmar", citado por Josué Machado em "Educação"
(dezembro de 2000, p.52): "Fernando Henrique Cardoso fica pasmo com alguns
comentários da oposição". "Pasmo"? "Pasmo" é
substantivo, ao passo que o particípio passado e adjetivo é
"pasmado". Já imaginou alguém dizer que "o Ronaldinho ficou
espanto"? As pessoas podem ficar pasmadas, assombradas, estupefatas,
embasbacadas, espantadas, boquiabertas, menos pasmas.
Um abraço do Professor Nilton Mario Fiorio.
nmfiorio@cultura.com.br
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