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Vovó me pediu, então, com estranho ar,
Que lhe ensinasse, na internet, navegar.
Queria os detalhes... onde deveria clicar?
Ensinei desde a entrada até o desconectar.
Depois daquele dia, tudo se alvoroçou...
Nem cafezinho fazia para o pobre Vovô.
De portas fechadas, o dia todo teclava.
Preocupado, Vovô nem mais passeava.
A família, curiosa, queria muito saber
E se perguntavam - Que devemos fazer?
Os dias se passavam... e nada mudava...
Aquilo era rotina. Ela nunca se cansava!
Até que, um belo dia, resolvi lhe perguntar
O que tanto fazia e onde queria chegar?
Vovó, com toda sua calma, me fez entrar.
E de portas fechadas, começou a me contar.
Disse que, na praça, Vovô não devia ficar,
Que ela ficava sozinha e o tempo a passar!
Tramou tudo aquilo para o Vovô encucar!
Funcionou, pois ele nem ia mais passear.
Perguntei-lhe o que tanto digitava,
E ela, com um sorriso, disse que poetava
E que, na internet, nem mais entrava.
Perguntei-lhe o que “poetar” significava.
Calmamente, de novo, ela começou a contar
Que escrevia Poemas que falavam do amar...
Dos tempos que, com o Vovô, saía a namorar...
Dos passeios de bonde... dos bosques... do mar.
Leu Poesias bonitas que acabara de escrever.
Textos lindos que faziam a lágrima escorrer.
De repente... um barulho... Eu logo fui ver.
Era o Vovô, curioso, atrás da porta a se esconder.
Com os olhos cheios d’água e vermelhos, entrou
Dizendo ter escutado tudo o que se passou.
Abraçou a Vovó e, com carinho, murmurou
Palavras de apaixonado e ela também chorou.
Com isso, aprendi que tudo na vida acontece
Por causa do amor, porque o amor é uma prece.
Aprendi, também, que a Vovó, além de internauta,
É como as crianças... inteligente e, às vezes, peralta!
© Celso Brasil
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