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Iemanjá,
a rainha do mar
Yemanjá, cujo nome deriva de Yeye oman ejá, "Mãe cujos filhos são
peixes", é o Orixá dos Egbás, uma nação yorubá estabelecida outrora
na região onde passa o rio Yemanjá, e obrigada a emigrar para o oeste, por
causa da guerra entre nações.
Yemanjá teria sido filha de Olokun, deusa do mar. Seu Axé é constituído por
pedras marinhas e conchas, guardadas numa sopeira de porcelana azul. Considerada
a mãe dos outros Orixás, tem o aspecto de uma matrona , de seios enormes,
símbolo da maternidade fecunda e nutritiva.
Na Bahia, ela é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição,
festejada no dia 8 de dezembro. Ela é mais ligada às águas salgadas do mar
que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxun. Curiosamente, é no dia
2 de fevereiro, data da festa de Nossa Senhora das Candeias, sincretizada com
Oxun, que se organiza um solene presente para Yemanjá. O que mostra que o
sincretismo não é de uma rigidez absoluta.
A festa do dia 2 de fevereiro, uma das mais populares do ano, atrai à praia do
Rio Vermelho, uma multidão imensa de fiéis, que vêm trazer presentes para a
Rainha do Mar. Flores, perfumes e outros presentes agradáveis à uma mulher
bonita, além de pedidos e súplicas, enchem as cestas, que são levadas por
embarcações para alto mar, onde são depositadas sobre as ondas.
Os adeptos de Yemanjá usam colares de contas de vidro transparente como o
cristal e vestem-se, de preferência, de azul-claro. Sábado é o dia da semana
que lhe é consagrado. Yemanjá recebe sacrifícios de carneiros e oferendas de
comida à base de milho branco, azeite, sal e cebolas (Ebó).
Ela dança com um leque de metal branco nas mãos e suas danças imitam o
movimento das ondas, dobrando e endireitando o corpo. Ela executa um curioso
movimento de mãos, levadas alternadamente sobre a testa e a nuca. Saúda-se
Yemanjá gritando Odóia!!
DIA DA SEMANA: Sábado
CORES: cristal, azul claro
SÍMBOLOS: leque (abebé) com sereia, concha
ELEMENTO: água
PLANTAS: colônia, aguapé, lágrima de Nossa Senhora, pístia (erva de Santa
Luzia), trapoeraba branca (olhos de Santa Luzia)
ANIMAIS: peixes
METAL: prata
COMIDA: peixe, camarão, canjica, arroz, manjar; mamão
BEBIDA: champanha
SINCRETISMO: Nossa Senhora das Candeias (da Luz)
DOMÍNIO: mar
O QUE FAZ: protege de confusões e promove a harmonia na família. Ajuda a
progredir na vida.
QUEM É: a Grande Mãe dÁgua e do lar.
CARACTERÍSTICAS: maternal, protetora, competente, dedicada, mandona,
possessiva, intrigante
QUIZÍLIA: poeira, sapo
SAUDAÇÃO: Odó Iyá !
ONDE RECEBE OFERENDAS: na praia
RISCOS DE SAÚDE: problemas no ventre: aparelho urinário, genitais;
deficiência circulatória.
PRESENTES PREDILETOS: flores, perfume, colar, espelho, pente etc; suas comidas e
bebidas.
LENDAS:
Quando Obatalá e Odudua se casaram, tiveram dois filhos: Iemanjá (o mar) e
Aganju (a terra). Os irmãos se casaram e tiveram um filho, Orungã (o ar).
Quando cresceu, Orungã se apaixonou pela mãe. Um dia, aproveitando a ausência
do pai, tentou violentá-la. Iemanjá conseguiu escapar e fugiu pelos campos.
Quando Orungã já a alcançava, ela caiu ao chão e morreu. Então seu corpo
começou a crescer até que seus seios se romperam e deles saíram dois grandes
rios, que formaram os mares; e do ventre saíram os Orixás que governam as 16
direcões do mundo: Exu, Ogum, Xangô, Iansã, Ossain, Oxossi, Obá, Oxum, Dadá,
Olocum, Oloxá, Okô, Okê, Ajê Xalugá, Orum e Oxu.
Iemanjá teve muitos problemas com os filhos. Ossain, o mago, saiu de casa muito
jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas. Contra os conselhos da
mãe, Oxossi bebeu uma poção dada por Ossain e, enfeitiçado, foi viver com
ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou para casa mas Iemanjá,
irritada, expulsou-o. Então Ogum a censurou por tratar mal o irmão.
Desesperada por estar em conflito com os três filhos, Iemanjá chorou tanto que
se derreteu e formou um rio que correu para o mar.
Yemanjá seria a filha de Olokum, deus (em Benin e em Lagos) ou deusa (em Ifé)
do mar. Foi casada pela primeira vez com Orunmyila, senhor das adivinhações,
depois com Olofin-Oduduá, Rei de Ifé, com quem teve dez filhos, que se
tornaram Orixás. De tanto amamentar seus filhos, seus seios ficaram enormes.
Esta foi a origem dos desentendimentos com o marido. Embora ela já o houvesse
prevenido, dizendo-lhe que jamais toleraria que ele ridicularizasse os seus
seios, uma noite o marido, que havia se embriagado com vinho de palma, não mais
podendo controlar suas palavras, fez comentários sobre seus seios voluminosos.
Tomada de cólera, Yemanjá fugiu em direção ao oeste, o "escurecer da
terra". Olokun lhe havia dado outrora, por medida de precaução, uma
garrafa contendo um preparado, pois
"não-se-sabe-jamais-o-que-pode-acontecer-amanhã". E assim Yemanjá
foi instalar-se à oeste de Abeokutá, alusão à migração dos Egbás.
Olofin-Oduduá lançou seu exército à procura de Yemanjá. Esta, cercada, em
vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa,
segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para
Okun, o mar, lugar de residência de Olokun.
Iemanjá foi casada com Okere. Como o marido a maltratava, ela resolveu fugir
para a casa do pai Olokum. Okere mandou um exército atrás dela mas, quando
estava sendo alcançada, Iemanjá se transformou num rio para correr mais
depressa. Mais adiante, Okere a alcançou e pediu que voltasse; como Iemanjá
não atendeu, ele se transformou numa montanha, barrando sua passagem. Então
Iemanjá pediu ajuda a Xangô; o Orixá do fogo juntou muitas nuvens e, com um
raio, provocou uma grande chuva, que encheu o rio; com outro raio, partiu a
montanha em duas e Iemanjá pôde correr para o mar.
COMIDAS
ARROZ DE LEITE- meia xícara de arroz, meia xícara de leite de côco, sal
Cozinhar o arroz em água e sal. Juntar o leite de côco ,bater para azer uma
papa e deixar secar bem no fogo. Esfriar numa fôrma de pudim molhada. Pode ser
servido como prato salgado ou como doce, regado com mel.
CANJICA DE IEMANJÁ- 100 g de milho de canjica, 1 xícara de leite, 1/3 de
xícara de açúcar, 1 mamão miúdo, mel
Cozinhar a canjica, deixando secar. Juntar o leite e o açúcar e deixar apurar
mais um pouco. Cortar o mamão ao meio, tirar as sementes, encher com canjica e
regar com mel.
MANJAR- 2 colheres ( sopa ) de maizena, meia xícara de leite de côco, 1
xícara de leite, 1/4 de xícara de açúcar, raspa de laranja
Dissolver a maizena no leite frio. Juntar os outros ingredientes e levar ao
fogo, mexendo até engrossar. Esfriar em fôrma molhada.
MOQUECA DE SIRI- 200 g de carne de siri, cebola, tomate, coentro, suco de
limão, sal, zeite de dendê, 1/2 xícara de leite de côco, 1 punhado de
farinha de mandioca
Refogar os temperos. Juntar o siri e cozinhar. No fim, juntar o leite de côco e
apurar o caldo. Tirar a carne e fazer pirão com o caldo.
EJÁ- 250 g de peixe, cebola, coentro, sal, suco de limão, azeite de dendê
Cozinhar o peixe puro. Moer o coentro e a cebola, fazendo uma pasta com o limão
e sal. Juntar o peixe e azeite de dendê.
Fonte:Henrique José
http://www.dhnet.org.br/henrique/galeria/aguas/afro.html
IEMANJÁ
(Texto extraído do livro Os Orixás, publicado pela Editora Três)
O PERFIL DO ORIXÁ
Comparada com as outras divindades do panteão africano, o Orixá feminino
ioruba Iemanjá é uma figura extremamente simples. Ela é uma das figuras mais
conhecidas nos cultos brasileiros, com o nome sempre bem divulgado pela
imprensa, pois suas festas anuais sempre movimentam um grande número de
iniciados e simpatizantes, tanto da Umbanda como do Candomblé.
Pelo sincretismo, porém, muita água rolou. Os jesuítas portugueses, tentando
forçar a aculturação dos africanos e a aceitação, por parte deles, dos
rituais e mitos católicos, procuraram fazer casamentos entre santos cristãos e
Orixás africanos, buscando pontos em comum nos mitos.
Para Iemanjá foi reservado o lugar de Nossa Senhora, sendo, então,
artificialmente mais importante que as outras divindades femininas, o que foi
assimilado em arte por muitos ramos da Umbanda.
Mesmo assim,não se nega o fato de sua popularidade ser imensa, não só por
tudo isso, mas pelo caráter, de tolerância, aceitação e carinho.É uma das
rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas provocadas pelo choro da
mãe que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo,
tomando rumos independentes; e o mar, sua morada, local onde costuma receber os
presentes e oferendas dos devotos.
São extremamente concorridas suas festas. É tradicional no Rio de Janeiro, em
Santos (litoral de São Paulo) e nas praias de Porto Alegre a oferta ao mar de
presentes a este Orixá, atirados à morada da deusa, tanto na data específica
de suas festas, como na passagem do ano. São comuns no reveillon as tendas de
Umbanda na praia, onde acontecem rituais e iniciados incorporam caboclos e
pretos-velhos, atendendo a qualquer pessoa que se interesse.
Na África, a origem de Iemanjá também é um rio que vai desembocar no mar. De
tanto chorar com o rompimento com seu filho Oxóssi, que a abandonou e foi viver
escondido na mata junto com o irmão renegado Ossaim. Iemanjá se derreteu,
transformando-se num rio que foi desembocar no mar. É a mãe de quase todos os
Orixás de origem ioruba (com exceção de Logunnedê), enquanto a maternidade
dos Orixás Daomeanos é atribuída a Nanã.
É portanto semelhante às outras mães da água, o que é compreensível, já
que as diferentes tribos e nações acabaram por desenvolver o culto a um Orixá
feminino específico, que relacionavam com um rio da região. No caso de
Iemanjá, as lendas africanas já a identificavam com o mar, como podemos
perceber pela narrativa recolhida por Pierre Verger:
Iemanjá seria a filha de Olokum, deus (no Daomé, atual Benin) ou deusa (em
Ifé) do mar. Em uma história de Ifé ela aparece casada pela primeira vez com
Orunmilá, senhor das adivinhações, depois com Olofin, rei do Ifé, com o qual
teve supostamente dez (10) filhos. Iemanjá, cansada de sua permanência em
Ifé, foge mais tarde em direção ao oeste. Outrora, Olokum lhe havia dado, por
medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado (...) com a
recomendação de quebrá-la no chão em caso de extremo perigo. E assim
Iemanjá foi instalar-se no Entardecer-da-Terra, o Oeste.
A lenda diz que Olofin, rei de Ifé, lançou o exercito à sua procura, o que
fez Iemanjá, no esconderijo, quebrar a garrafa. Teria, então, na mesma hora,
se formado um rio que a tragou, levando-a para Okum, o oceano - morada de seu
pai Olokum.
Apesar dos preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum como Iemanjá à
função da maternidade, pôde estabelecer-se uma boa distinção entre esse
conceitos. As duas Orixás não rivalizam (Iemanjá praticamente na rivaliza com
ninguém, enquanto Oxum é famosa por suas pendências amorosas que a colocaram
contra Iansã e Oba). Cada uma domina a maternidade num momento diferente.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE IEMANJÁ
No arquétipo psicológico, expandem-se as características insinuadas pela
descrição dos mitos e lendas de Iemanjá. Também fica fácil entender os
conceitos principais se mantivermos a comparação com o Orixá Oxum. Como os
filhos da mãe da água doce, os de Iemanjá, também gostam de luxo, das jóias
caras e dos tecidos vistosos. Gostam de viver num ambiente confortável e, mesmo
quando pobres, pode-se notar uma certa sofisticação em suas casas, se
comparadas com as demais da comunidade de que fazem parte.
Enquanto os filhos de Oxum são diplomatas e sinuosos, os de Iemanjá se mostram
mais diretos. São capazes de fazer chantagens emocionais, mas nunca
diabólicas. A força e a determinação fazem parte de seus caracteres
básicos, assim como o sentido da amizade e do companheirismo.
Como são pessoas presas ao arquétipo da mãe, a família e os filhos têm
grande importância na vida dos filhos de Iemanjá. A relação com eles pode
ser carinhosa, mas nunca esquecendo conceitos tradicionais como respeito e
principalmente hierarquia.
São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem falta da tribo,
inconsciente ancestral, e costumam, por isso casar ou associar-se cedo. Não
apreciam as viagens, detestam os hotéis, preferindo casas onde rapidamente
possam repetir os mecanismos e os quase ritos que fazem do cotidiano.
Apesar do gosto pelo luxo, não são pessoas obcecadas pela própria carreira,
sem grandes planos para atividades a longo prazo, a não ser quando se trata do
futuro de filhos e entes próximos.
Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco rígida, refratária a
mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo, indicam alguém doce,
carinhoso, sentimentalmente envolvente e com grande capacidade de empatia com os
problemas e sentimentos dos outros. Mas nem tudo são qualidades em Iemanjá,
como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho desse Orixá a ter uma
tendência a tentar concertar a vida dos que o cercam - o destino de todos
estariam sob sua responsabilidade. Os filhos de Iemanjá demoram muito para
confiar em alguém, bons conhecedores que são da natureza humana. Quando
finalmente passam a aceitar uma pessoa no seu verdadeiro e íntimo círculo de
amigos, porém, deixam de ter restrições, aceitando-a completamente e
defendendo-a, seja nos erros como nos acertos, tendo grande capacidade de
perdoar as pequenas falhas humanas.
Um filho de Iemanjá pode tornar-se rancoroso, remoendo questões antigas por
anos e anos sem esquecê-las jamais.
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