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Você já experimentou usar flores e folhas para pintar?
E também convidar crianças para entrar na brincadeira?
Vai estragar o jardim? As flores duram alguns dias.
Muito tempo dura a amizade, o aprendizado e a alegria.
Hei! Estação nova chegando! Vamos lá!
Na primavera, que tal mudar a forma de pintar?
Sugiro aproveitar pétalas de flores, folhas,
vegetais, terra e outras cores naturais.
Pegue também juras de amor sob a lua cheia,
mãos entrelaçadas de pares a caminhar na areia.
Resgate sonhos antigos, planos e ilusões até.
Experimente uma iluminada, com toques de fé.
Junte fragmentos de angústia, cacos de dor
e dê realce à pintura, com a cor complementar.
Pegue aqueles tons suaves de ternura e paz,
algum filete de fonte cristalina que a sede desfaz.
Vá com calma, construa seu caminho com arte,
as pegadas serão seguidas, mesmo que em parte.
Solte a voz, cante para o sol, mesmo desafinado.
Poderá acompanhar você, um coral, em trinados.
Plante sementes de alegria, vida e esperança.
Perdoe, é possível, e ajude a curar lembranças.
Quem sabe, uma poda aqui, outra ali, faz parte.
Mas que seja com carinho e um pouco de arte.
Vamos lá, mude a forma de pintar!
Que tal, uns riscos e rabiscos de poetar?
Para mim, poema-primavera é assim:
Uma braçada multicor de belas flores
colhidas no jardim e nas estradas da vida,
que a gente vai contemplando e ajeitando.
No desejo de que fique o mais correto,
envolvemos amores e amarramos flores
com fitas generosas de cuidados e afeto.
Ir. Zuleides Andrade - Declamado por Rosany Costa

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