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A onda gigante que os asiáticos denominam "Tsunami" não considerou quem merecia férias na orla marítima nem quem se alegrava pela oportunidade de um ganho extra. Não considerou a idade e procedência, os laços de família e amizade, os compromissos e carências. Nem ao menos levou em conta a proximidade com as festas natalinas e o renovar de esperanças do ano 2005, prestes a despontar.
Avassaladora, lavou praias, jardins, ruas, abrigos, habitações... tudo que seu gigantismo encontrou pela frente, repetidas vezes.
Lavou e levou belezas naturais, propriedades, sonhos, projetos, presunções, egoísmos, virtudes e vícios dos humanos.
Levou a segurança de lares e de amores cultivados, levou a mão amiga e o sorriso de tantas crianças.
A onda gigante lavou, levou e enterrou vidas. Obrigou os homens a abrirem grandes valas para enterrarem corpos. Empurrou muitos países a abrirem
caminhos de solidariedade para irem ao encontro dos sobreviventes.
Abriu também caminhos para os oportunistas. Há rumores de que chegam a seqüestrar crianças para receberem os fundos do governo destinados aos órfãos.
Nossa ajuda chegará ao destino certo? Cabe a nós devolver a Deus, através dos flagelados, um pouco do muito que recebemos em bens materiais e espirituais.
Há o sofrimento de milhões de pessoas que choram seus mortos e que perderam tudo.
Há centenas de anjos voluntários que buscam amenizar a dor e devolver dignidade.
Vacilam fagulhas de FÉ. A ESPERANÇA procura luzes para continuar em meio aos escombros da vida. Desponta e floresce a fina flor da CARIDADE.
A humana DOR grita pelo AMOR.
Situações caóticas abrem espaço para questionamentos e aprendizados.
Percebemos, em meio a tanta tragédia, algumas centelhas de luz?
A VIDA é presente, o que estamos fazendo dela?
O PLANETA é nossa casa, como cuidamos dele?
Há diversas formas de AJUDAR, o que faremos?
Que nossas preces, independente de crença e nacionalidade, nos irmane em torno do Deus da Vida, pelos que partiram e pelos que permanecem.
Que nas fendas abertas pela tragédia, no solo de tantas vidas e nações, consigamos plantar sementes de misericórdia, ajuda e esperança.
Que esta dor aproxime corações mentes, mãos e sentimentos e mova o mundo a ações de solidariedade e de paz.
Que a água, fonte de pureza e de vida, retorne de mansinho, lave nossas mágoas, nossos medos, nossa dor, nossas dúvidas e deixe espaço para o beijo do sol que vem reacender nossa fé e brindar-nos com o arco-íris de esperança!
Que nosso PENSAR, ORAR e AGIR atenuem, silenciem e harmonizem, pelo menos em parte, as NOTAS TRÁGICAS na SINFONIA da VIDA!
Ir. Zuleides Andrade
Curitiba - PR
11 /01/2005

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