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NOVA YORK - A atual deterioração do ecossistema mundial, devido à constante exploração dos recursos naturais, poderá ter conseqüências devastadoras sobre o desenvolvimento humano e a vida de todas as espécies animais, afirma o relatório da ONU "Recursos Mundiais 2000-2001", publicado nesta terça-feira (18). O estudo recomenda aos governos que revisem suas políticas ambientais e estudem novas formas de crescimento econômico, para conservar os recursos essenciais ao ser humano.
As conclusões do informe, elaborado conjuntamente pelas agências de desenvolvimento e meio ambiente das Nações Unidas, o Banco Mundial e o Instituto de Recursos Mundiais, são preocupantes: a metade das terras férteis desapareceu nos últimos cem anos; as florestas mundiais também perderam a metade de sua superfície devido às crescentes necessidades habitacionais da população mundial; 9% das variedades das espécies de árvores correm risco de extinção; o desflorestamento tropical segue grande; as frotas pesqueiras são 40% maiores do que a capacidade dos oceanos; 20% dos peixes de água doce correm risco de extinção.
Esses são apenas alguns dados apresentados pelo estudo, que destaca a absoluta despreocupação pelo meio ambiente nos países ricos e pobres. "Durante muito tempo as prioridades de desenvolvimento se concentraram no que podemos extrair do ecossistema, sem dar atenção ao impacto de nossas ações", disse o chefe da agência de desenvolvimento da ONU (UNDP), Mark Malloch Brown.
"Os governos e as empresas devem repensar seus critérios de crescimento econômico", disse James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial. "Os pobres, que com freqüência dependem diretamente do ecossistema para sobreviver, são os que mais sofrem quando ele se degrada."
Conhecimento escasso
Klaus Topfer, um dos responsáveis pela agência para o meio ambiente da ONU, disse: "Nosso conhecimento do ecossistema aumentou de forma incrível, mas não conseguiu modificar nossa escassa habilidade para conservá-lo."
As atuais tendências de desenvolvimento não permitem prever mudanças no ritmo de deterioração dos recursos mundiais, a menos que os governos tomem em mãos a situação.
O crescimento da população mundial vai intensificar os problemas de alimentação nos próximos 30 anos -serão mais 3 bilhões de pessoas no mundo. O consumo de recursos naturais pelas economias industriais continua muito elevado, entre 45 e 86 toneladas anuais por pessoa.
O uso da energia aumentou 70% desde 1971, e prevê-se que continue crescendo mais de 2% ao ano nos próximos 15 anos, o que aumentará a produção de gases causadores do efeito estufa. E a água é, sem dúvida, o recurso mais ameaçado.
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