Grandes Escritores



Abrigo celeste
© Cruz e Sousa

Estrela triste a refletir na lama, 
Raio de luz a cintilar na poeira, 
Tens a graça sutil e feiticeira, 
A doçura das curvas e da chama.

Do teu olhar um fluido se derrama 
De tão suave, cândida maneira 
Que és a sagrada pomba alvissareira 
Que para o Amor toda aminh'alma chama.

Meu ser anseia por teu doce apoio, 
Nos outros seres só encontra joio 
Mas só no teu todo o divino trigo. 

Sou como um cego sem bordão de arrimo 
Que do teu ser, tateando, me aproximo 
Como de um céu de carinhoso abrigo. 



 

 

 

         

   

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