Grandes Escritores



Consolo amargo
© Cruz e Sousa

Mortos e mortos, tudo vai passando, 
Tudo pelos abismos se sumindo... 
Enquanto sobre a Terra ficam rindo 
Uns, e já outros, pálidos, chorando...

Todos vão trêmulos finalizando, 
Para os gelados túmulos partindo, 
Descendo ao tremedal eterno, infindo, 
Mortos e mortos, num sinistro bando.

Tudo passa espectral e doloroso, 
Pulverulentamente nebuloso 
Como num sonho, num fatal letargo...

Mas, de quem chora os mortos, entretanto, 
O Esquecimento vem e enxuga o pranto, 
E é esse apenas o consolo amargo!      



 

 

 

         

   

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