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Clarissa
É o primeiro livro, escrito em 1933, tem como ambiente a cidade de Porto
Alegre.
Nele, Erico Verissimo traça o perfil psicológico da adolescente Clarissa.
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Sem sono, Clarissa debruça-se à janela. A noite está clara. Refrescou.
Uma lua enorme, cheia, muito clara. Os quintais estão raiados de sombra e de
luz. parece que o disco da lua se enredou entre a ramagem folhuda do plátano
grande do quintal da casa onde D. Tatá morava.
O relógio, na sala, bate onze horas.
Cabeça encostada na vidraça, Clarissa pensa...
Como o tempo passou... Parece que o ano começou ontem. Entretanto, quanta coisa
aconteceu! Sempre desejou voltar para casa. Mas agora que o dia da partida se
aproxima, ela sente algo de esquisito no peito, uma espécie de saudade
antecipada. Vai sentir falta de tudo isto, de todos estes aspectos de todas
essas caras, de todos estes ruídos. Vai se lembrar sempre do papagaio que sabe
dizer o seu nome, do gato que lhe roça preguiçosamente pelas pernas, da siá
Andreza que vive na cozinha como uma gata borralheira. Sentirá falta de tia
Zina, do Tio Couto, de Amaro. E quem sabe se também de Ondina e Nestor; a vida
é tão engraçada... Nunca mais lhe sairá da memória a risada contente do
major...
Fora, o luar cresce, tênue, inundando a paisagem.
Clarissa infla as narinas. Parece-lhe que o luar tem um perfume todo especial.
Se ela pudesse pegar o luar, fechá-lo na palma da mão, guardá-lo numa
caixinha ou no fundo de uma gaveta para soltá-lo nas noites escuras...
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