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O Prisioneiro
Livro em que encara os problemas da guerra.
Palavras do Autor, na apresentação do livro:
O Prisioneiro é uma espécie de parábola moderna sobre vários aspectos da
estupidez humana, como, por exemplo, a guerra e o racismo, bem como um comentário
à margem das muitas prisões do homem como peça da Engrenagem.
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O tenente encontrou o major no corredor.
- O seu homem acaba de chegar - disse este último.
- O coronel já lhe deu as ordens, não?
O outro sacudiu a cabeça, taciturno.
- Sabia o que o comandante queria de mim?
- Naturalmente.
- E que acha de tudo isso?
- Você tem nas mãos uma tarefa dura e ingrata. Vai ter de trabalhar sob uma
pressão tremenda.
- O coronel praticamente me induziu a usar até a violência em caso extremo...
mas teve o cuidado de não me "autorizar" isso oficialmente.
Se eu falhar, pessoas inocentes morrerão e eu ficarei responsável por essas
mortes. Se eu torturar o prisioneiro, é a desonra...
O major sorriu:
- Mas você não acha que, a esta altura dos acontecimentos, dum modo ou de
outro, já estamos todos um tanto desonrados?
- As Forças Armadas são uma espécie de corpo místico. Eu sou um indivíduo.
Dentro de poucas horas, um civil. E sempre, irremediavelmente, um negro. O
coronel arranjou um álibi perfeito para si mesmo e para o Exército. E eu caí
na armadilha...
- Não seja tão pessimista. Talvez nossos soldados encontrem a bomba dentro de
menos duma hora...
- Numa cidade de tamanho desta?
- Tudo pode acontecer na vida, inclusive as boas coisas...
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