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Um Lugar ao Sol
Com Um Lugar ao Sol, Erico Verissimo apresenta-nos um retrato da vida através
das personagens Clarissa, Fernanda, Vasco, com seus sonhos, lutas e frustrações.
Sobre o livro, disse o próprio Autor:
Considero o elenco humano que povoa este livro o melhor de toda a minha obra,
com exceção talvez de O Tempo e o Vento. Escrevi sobre essa gente com tanta
afeição e interesse, com tamanha fé na sua existência, que acabei cometendo
o pecadilho de todo o pai vaidoso para qual tudo quanto os filhos dizem e fazem
merece ser contado ao mundo.
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Todos os dias Vasco fazia descobertas que o deixavam emocionado.
Mas havia momentos amargos. Era quando lhe faltava o dinheiro.
Quando chegava o fim do mês, ele evitava, constrangido, o pessoal de casa.
Sentia-se um parasita, um explorador... Em junho, felizmente, conseguira, por
intermédio do tio Couto, um trabalho que lhe rendera duzentos mil réis:
pintara cartazes para uma vitrina. Mas o dinheiro criara asas...
E ele sentia uma censura permanente nos olhos de D. Clemência.
Ah! mas vergonha, mesmo, ele tinha era de Clarissa...
Atirou fora o resto da laranja.
Aquilo não podia continuar. Precisava encontrar trabalho...
Viera com tanta esperança... Com a impressão de que ia conquistar a cidade, o
mundo. Parecia-lhe tudo tão fácil... Imaginava que todos os caminhos se
abririam para ele. Nada disso entretanto acontecera.
Entregou-se a reflexões tristes.
Clarissa ia todas as manhãs para Canoas, encolhida de frio, de
nariz vermelho. Fernanda saía um pouco mais tarde; seu colégio ficava no
Partenon. Noel ia para o jornal às dez. Só ficavam nas duas casas as velhas, o
bebê e ele, Vasco.
Eu, o marmanjo!
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