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Auto Bibliografia
Nasci no dia 12 de outubro de 1912, no núcleo colonial de Cruz Machado, em
pleno sertão paranaense. Eram 8 horas da manhã de um dia de sol e geada.
Meus pais eram ucranianos, que se conheceram a casaram no Paraná. Eu sou a
primogênita e a 1ª brasileira de minha família.
Miguel Kolody, meu pai, nasceu na parte da Ucrânia chamada Galícia Orienta, em
1881. Tendo perdido o pai na grande epidemia de cólera que assoloua Ucrânia em
1893, Miguel, no ano seguinte, emigrou para o Brasil com a mãe e os irmãos.
Mamãe, cujo nome de solteira era Victoria Szandrowska, também nasceu na
Galícia Oriental, em 1892. Veio para o Brasil em 1911.
Vovô radicou-se em Cruz Machado, onde papai trabalhava. "Seu" Miguel
conheceu a jovem Victoria e apaixonou-se por ela. Casaram-se em Janeiro de 1912.
Estava escrito o primeiro capítulo da minha história.
Texto retirado do Livro "Helena Kolody - Sinfonia da vida; Organização:
Tereza Hatue de Rezende. Coleção Antologia poética. D.E.L. Editora/Letraviva,
Pólo Editorial do Parná "A transformaçaõ que a gente lê. - 1997, pág.
11.
HELENA
KOLODY
Helena Kolody nasceu em Cruz Machado, Paraná, Brasil no ano de 1912.
Em 15 de fevereiro de 2004, morre em Curitiba, aos 92 anos.
Filha primogênita de Miguel e Vitória Kolody, ucranianos que se conheceram e
casaram no Brasil, nasceu em Cruz Machado, Paraná, no dia 12 de outubro de
1912. É considerada, por quase unanimidade, a maior poetisa do Paraná.
Beirando aos 92 anos de idade "Voa entre o céu e os abismos, o feiticeiro
inventor."
Com apenas 15 anos, já em 1928 publicava sua primeira poesia, "A
Lágrima", na revista "O Garoto".
Professora primária e inspetora de ensino aposentada, Helena só veio a
publicar sua obra financiada por um editor após completar os 73 anos. Antes
disso tudo ficava por sua conta e risco: exemplo concreto de persistência e
dedicação, de amor às letras e à arte.
Descoberta pelos círculos acadêmicos e intelectuais, transformou-se em "cult",
sendo uma espécie de "madona" do cineasta Sílvio Bach, em sua
"Babel de Luz" (1992), documentário que, segundo ele, é "um
auto-retrato protagonizado pelo poema de Helena Kolody".
Também em homenagem a ela foi criado o Concurso de Poesias Helena Kolody, da
Secretaria de Estado da Cultura (PR) , que ha sete anos vem revelando novos
talentos e reafirmando outros tantos.
A arte de Kolody não tem fronteiras. Sensível às belezas da poesia japonesa,
ela foi a primeira a publicar um "haicai" no Paraná.
Em julho de 93, nos 300 anos de Curitiba e 85 anos de imigração japonesa, a
comunidade nipo-brasileira de Curitiba outorgou-lhe o nome de "Reika",
em reconhecimento à sua dedicação e à divulgação e grandiosidade que deu
à poesia de origem japonesa.
"Reika", substantivo de difícil tradução, é um nome poético ou
"hincaista", composto de dois ideogramas específicos, que significa,
aproximadamente, "perfume de literatura" ou "renomeada
fragrância de poesia", ou ainda "aroma da poeta maior".
Ou seja, algo como um perfume que vai se espalhando pelo ar, cujo cheiro é
poesia. Não se refere ao perfume em si, mas ao seu contagio, uma vibração que
vai envolvendo as pessoas pelo encanto que a poesia dessa pessoa emite.
Assim é que Helena Kolody ultrapassa as palavras que possam querer falar dela,
pois é muito mais que palavras: é luz e encantamento. Azul, como a serenidade,
cor que ela mesma definiu, como a cor de seus poemas: "Minha poesia é
serena, mesmo quando ela tem amargura, quando ela tem dor".
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