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Filho de João Amado de Faria e de D. Eulália Leal, Jorge Amado de Faria nasceu
no dia 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, em Ferradas, distrito de
Itabuna - Bahia. O casal teve mais três filhos: Jofre (1915), Joelson (1920) e
James (1922).
Com apenas dez meses, vê seu pai ser ferido numa tocaia dentro de sua própria
fazenda. No ano seguinte uma epidemia de varíola obriga a família a deixar a
fazenda e se estabelecer em Ilhéus. Em 1917 a família muda-se para a Fazenda
Taranga, em Itajuípe, onde seu pai volta à lida na lavoura de cacau.
Em 1918, já alfabetizado por sua mãe, Jorge retorna a Ilhéus e passa a
freqüentar a escola de D. Guilhermina, professora que não hesitava usar a
palmatória e impor outros castigos a seus alunos. No ano de 1922 cria um
jornalzinho, "A Luneta", que é distribuído para vizinhos e parentes.
Nessa época vai estudar em Salvador, em regime de internato, no Colégio
Antonio Vieira, de padres jesuítas.
A bela redação que apresentou ao padre Luiz Gonzaga Cabral, com o título de
"O Mar", lhe rende elogios e faz com que o religioso passe a lhe
emprestar livros de autores portugueses e de outras partes do mundo. Dois anos
depois, seu pai vai levá-lo até o colégio após as férias. Despedem-se e
Jorge, ao invés de entrar nele, foge. Viaja por dois meses até chegar à casa
de seu avô paterno, José Amado, em Itaporanga, no Sergipe. A pedido de seu
pai, seu tio Álvaro o leva de volta para a fazenda em Itajuípe.
É matriculado no Ginásio Ipiranga, novamente como interno. Conhece Adonias
Filho e dirige o jornal do grêmio da escola, "A Pátria". Pouco tempo
depois funda "A Folha", que fazia oposição ao primeiro. No ano de
1927, passa para o regime de externato e vai morar num casarão no Pelourinho.
Emprega-se como repórter policial no "Diário da Bahia". Pouco depois
vai para o jornal "O Imparcial". Uma poesia de sua autoria,
"Poema ou prosa", é publicada na revista "A Luva". Conhece
o pai-de-santo Procópio, que o nomeará ogã (protetor), o primeiro de seus
muitos títulos no candomblé.
Reúnem-se em torno do experimentado jornalista e poeta Pinheiro da Veiga os
integrantes da Academia dos Rebeldes, grupo literário do qual, além de Jorge,
faziam parte Clóvis Amorim, Guilherme Dias Gomes, João Cordeiro, Alves
Ribeiro, Edison Carneiro, Aydano do Couto Ferraz, Emanuel Assemany, Sosígenes
Costa e Walter da Silveira. A Academia fazia oposição ao grupo Arco &
Flexa e pregava, no dizer de Jorge Amado, "uma arte moderna sem ser
modernista". Os trabalhos de seus integrantes são publicados nas revistas
"Meridiano" e "O Momento", ambas fundadas por eles.
Em 1929, começa a trabalhar em “O Jornal” onde publica, sob o pseudônimo
de Y. Karl, a novela "Lenita", escrita em parceria com Dias da Costa e
Edison Carneiro, que assinavam como Glauter Duval e Juan Pablo.
No ano seguinte transfere-se para o Rio de Janeiro para estudar. Conhece
Vinicius de Moraes, Otávio de Faria e outros nomes importantes da literatura.
"Lenita" é editada em livro por A. Coelho Branco Filho, do Rio de
Janeiro.
Aprovado, entre os primeiros colocados, na Faculdade de Direito da Universidade
do Rio de Janeiro, em 1931, Jorge vê publicado pela Editora Schmidt seu
primeiro romance, "O país do carnaval", com prefácio de Augusto
Frederico Schmidt e tiragem de mil exemplares. O livro recebe elogios dos
críticos e torna-se um sucesso de público.
No ano de 1932, muda-se para um apartamento em Ipanema com o poeta Raul Bopp.
Conhece José Américo de Almeida, Amando Fontes, Rachel de Queiroz (através de
quem se aproxima dos comunistas) e Gilberto Freyre. Sai a segunda edição de
"O país do carnaval", desta vez com tiragem de dois mil exemplares.
Aconselhado por Otávio de Faria e Gastão Cruls, desiste de publicar o romance
"Rui Barbosa nº. 2"; para eles, o livro não passava de uma cópia de
"O país do carnaval". Viaja para Pirangi, na Bahia; impressionado com
a vida dos trabalhadores da região, começa a escrever "Cacau".
A Ariel Editora, do Rio, em 1933, publica "Cacau", com tiragem de dois
mil exemplares e capa e ilustrações de Santa Rosa. O livro esgota-se em um
mês; a segunda edição sai com três mil exemplares. Entre a primeira e a
segunda edição de Cacau, Jorge tem acesso, através de José Américo de
Almeida, aos originais de "Caetés", romance de Graciliano Ramos.
Empolgado com o talento do escritor alagoano, viaja para Maceió só para
conhecê-lo, iniciando uma amizade que duraria até a morte de Graciliano.
Conhece também José Lins do Rego, Aurélio Buarque de Holanda e Jorge de Lima.
Torna-se redatorchefe da revista "Rio Magazine". Casa-se em
dezembro, em Estância, Sergipe, com Matilde Garcia Rosa. Juntos, eles lançam,
pela Schmidt, o livro infantil Descoberta do mundo.
Em 1934, publica — também pela Ariel — o romance "Suor". Trabalha
na Livraria José Olympio Editora, do Rio de janeiro, primeiro escrevendo
releases e depois na parte editorial propriamente dita; tendo influenciado na
publicação de "O conde e o passarinho", primeiro livro de Rubem
Braga, e no lançamento de autores latino-americanos como o uruguaio Enrique
Amorim, o equatoriano Jorge Icaza, o peruano Ciro Alegría e o venezuelano
Rómulo Gallegos (de quem traduziu o romance "Dona Bárbara").
Nasce sua filha Eulália Dalila Amado, em 1935. Escreve em "A Manhã",
jornal da Aliança Nacional Libertadora, pelo qual cobre a viagem do presidente
Getúlio Vargas ao Uruguai e à Argentina. "Cacau" é publicado pela
Editorial Claridad, de Buenos Aires. Neste mesmo ano "Cacau" e
"Suor" seriam lançados em Moscou. Conclui o curso de Direito. Lança
"Jubiabá" pela José Olympio Editora.
Sofre sua primeira prisão em 1936, por motivos políticos: acusado de
participar do levante ocorrido em novembro do ano anterior em Natal — chamado
de "Intentona Comunista” — é detido no Rio. Publica “Mar morto”,
que recebe o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras.
No ano seguinte faz papel de pescador no filme “Itapuã”, de Ruy Santos, no
qual também colabora com o argumento. Viaja pela América Latina e depois vai
aos Estados Unidos. Enquanto está fora, sai no Brasil “Capitães da areia”.
Quando chega a Belém, vindo do exterior, é avisado pelo escritor paraense
Dalcídio Jurandir do golpe de Vargas. Foge para Manaus, mas lá é preso. Seus
livros, considerados subversivos, são queimados em plena Salvador por
determinação da Sexta Região Militar. Segundo as atas militares, foram
queimados 1.694 exemplares de "O país do carnaval",
"Cacau", "Suor", "Jubiabá", "Mar morto"
e "Capitães da areia".
Liberto, em 1938, o escritor é mandado para o Rio. Muda-se para São Paulo,
onde reside com Rubem Braga. Depois vai para a Bahia e em seguida, Sergipe; aqui
imprime uma pequena edição do livro de poemas “A estrada do mar”, que
distribui para os amigos. Estréia em dois consagrados idiomas literários do
Ocidente: "Suor " sai em inglês pela pequena New America, de Nova
York, e "Jubiabá" em francês pela prestigiosa Gallimard.
Retorna ao Rio no ano de 1939. Exerce intensa atividade política, em
decorrência das torturas de presos e a desarticulação do Partido Comunista.
Torna-se redator-chefe das revistas Dom Casmurro e Diretrizes. Inicia
colaboração com a revista Vamos ler; que manterá até 1941. Compõe, com
Dorival Caymmi e Carlos Lacerda, a serenata "Beijos pela noite". O
escritor franco-argelino Albert Camus, futuro Nobel de Literatura (1957),
escreve artigo no jornal Alger Républicain classificando "Jubiabá"
de "magnífico e assombroso".
Diretrizes publica o primeiro capítulo de "ABC de Castro Alves", em
1940, e edita também, em forma de folhetim, a novela "Brandão entre o mar
e o amor", iniciada por Jorge Amado e continuada por José Lins do Rego,
Graciliano Ramos, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz. Trabalha no jornal
Meio-Dia.
Decide escrever, em 1941, um livro sobre Luís Carlos Prestes, pensando numa
possível campanha por sua anistia. Viaja para o Uruguai a fim de recolher
material; também faz pesquisas sobre o tema na Argentina. Lança "ABC de
Castro Alves", pela Livraria Martins Editora, de São Paulo.
Publica em Buenos Aires "A vida de Luís Carlos Prestes", em 1942.
Embora editado em espanhol, o livro é vendido clandestinamente no Brasil. Volta
ao país, mas é preso ao desembarcar em Porto Alegre. De lá é enviado para o
Rio. Não permanece, porém, na então capital federal: a polícia decide
despachá-lo para Salvador, onde fica confinado.
1943 marca sua volta às páginas de O Imparcial assinando a seção "Hora
da guerra" e escrevendo pequenas histórias na coluna "José, o
ingênuo", que reveza com o jornalista e escritor baiano Wilson Lins. Sai
"Terras do sem fim", seu primeiro livro a ser vendido livremente após
seis anos de censura.
Em 1944, a pedido de Bibi Ferreira escreve a peça "O amor de Castro
Alves", mas a companhia teatral da atriz é desfeita antes da encenação.
Lança "São Jorge dos Ilhéus". Desquita-se de Matilde.
Participa, em janeiro de 1945, na condição de chefe da delegação baiana, do
I Congresso de Escritores, em São Paulo. O encontro termina com uma
manifestação contra o Estado Novo. Jorge é preso por um breve período
juntamente com Caio Prado Jr. O Barão de Itararé apresenta o romancista a
Zélia Gattai na Boate Bambu, durante jantar em homenagem aos participantes do
Congresso de Escritores. Passa a viver em São Paulo, onde chefia a redação do
jornal Hoje, do Partido Comunista Brasileiro. Escreve também na Folha da
Manhã. Torna-se secretário do Instituto Cultural Brasil-URSS, cujo diretor era
Monteiro Lobato. Sai no Brasil "A vida de Luís Carlos Prestes",
rebatizado de "O cavaleiro da esperança". Em julho, passa a viver com
Zélia. No mesmo mês participa, ao lado do poeta chileno Pablo Neruda (que em
1971 ganharia o Nobel de Literatura), do comício de Luís Carlos Prestes no
Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Lança "Bahia de Todos os
Santos". É eleito, com 15.315 votos, deputado federal pelo PCB. Publica o
conto "História de carnaval" na revista O Cruzeiro. "Terras do
sem fim" sai pela respeitada editora A. Knopf, de Nova York.
No ano seguinte assume o mandato na Assembléia Constituinte e passa a residir
no Rio de Janeiro. Várias de suas emendas, como a da liberdade de culto
religioso e a que dispõe sobre direitos autorais, são aprovadas. Lança
"Seara vermelha", pela Martins e, pela Edições Horizonte, do Rio de
Janeiro, "Homens e coisas do Partido Comunista". Entusiasmado com a
leitura de "Jubiabá", chega à Bahia o fotógrafo e etnólogo
francês Pierre Verger, que acabaria se radicando em Salvador e se tornando um
dos amigos mais íntimos de Jorge Amado.
Publica, em 1947, pela Editora do Povo, do Rio de Janeiro, "O amor de
Castro Alves". É um ano de vários acontecimentos na área do cinema para
o escritor: a Atlântida compra os direitos de "Terras do sem fim";
ele escreve os diálogos do filme "O cavalo número 13", uma
produção de Fernando de Barros e ainda o argumento de "Estrela da
manhã", que seria dirigido por Mário Peixoto, encarregado também do
roteiro (o filme acabou sendo feito, mas não por Peixoto). Nasce, no Rio de
Janeiro, o filho João Jorge.
Com o cancelamento, em janeiro de 1948, do registro do Partido Comunista, o
mandato de Jorge Amado é cassado. Sem assento na Câmara Federal e tendo seus
livros considerados como "material subversivo", o escritor, ainda no
mês de janeiro, parte sozinho em exílio voluntário para Paris. Em fevereiro,
sua casa no Rio é invadida por agentes federais, que apreendem livros, fotos e
documentos. Logo após o episódio, Zélia e o filho partem para Gênova,
Itália, onde Jorge os apanha, levando-os a residir com ele em Paris. É nesta
ocasião que o escritor trava amizade com Jean-Paul Sartre, Picasso e outros
expoentes da literatura e da arte mundial. Na Polônia, participa do Congresso
Mundial de Escritores e Artistas pela Paz. Com o título de "Terras
violentas", estréia no Rio a adaptação da Atlântida do romance
"Terras do sem fim". Para comemorar o primeiro aniversário do filho,
escreve a história "O gato Malhado e a andorinha Sinhá". Viaja pela
Europa e União Soviética.
Em 1949, dirigindo-se para a Tchecoslováquia, onde participaria de um congresso
de escritores, sofre um acidente de avião na cidade de Frankfurt, Alemanha;
escapa ileso. Morre no Rio, "de repente", conforme conta o escritor,
sua filha Eulália.
Por motivos políticos, em 1950, o governo francês expulsa Jorge Amado e sua
família do país. O escritor, Zélia e João Jorge passam a residir em Dobris,
Tchecoslováquia, no castelo da União dos Escritores. Realiza viagens
políticas pela Europa Central e União Soviética. Escreve "O mundo da
paz", livro sobre os países socialistas.
No ano seguinte escreve o romance tripartido "Os subterrâneos da
liberdade" (Os ásperos tempos, Agonia da noite e A luz no túnel). Sai no
Brasil, pela Editorial Vitória, do Rio, o livro "O mundo da paz" pelo
qual Jorge Amado seria processado e enquadrado na lei de segurança. Nasce em
Praga sua filha Paloma. Recebe, em Moscou, o Prêmio Internacional Stalin.
Vai à China e à Mongólia, em 1952. Volta ao Brasil com a família fixando
residência no apartamento de seu pai, no Rio de Janeiro. Responde ao processo
por "O mundo da paz". O juiz responsável pelo caso arquiva o
processo, dizendo que o livro "é sectário e não subversivo". Com a
aprovação, nos Estados Unidos, da lei anticomunista, o escritor é proibido de
entrar naquele país; seus livros também são vetados por lá.
Viaja à Europa, Argentina e Chile, em 1953. Na última etapa do giro, é
informado sobre a doença de Graciliano Ramos. Volta ao Brasil para rever o
amigo, que acabaria morrendo em seguida. Jorge Amado faz então o discurso de
despedida à beira do túmulo de Graciliano, a quem substitui na presidência da
Associação Brasileira de Escritores. Dirige a coleção "Romances do
povo", da Editorial Vitória; acabará fazendo este trabalho até 1956. Sai
a quinta edição de "O mundo da paz"; o escritor proíbe reedições
da obra, por acreditar que o livro "trazia uma visão desatualizada da
realidade dos países socialistas".
O romance "Os subterrâneos da liberdade" é lançado em três
volumes, em 1954. A trilogia provoca uma dura reação dos trotskistas
brasileiros, gerando polêmica com o jornalista Hermínio Sacchetta (o
"Abelardo Saquilá" do romance). Sai em Portugal, pela Editorial
Avante, um folheto de seis páginas assinado por Jorge Amado e Pablo Neruda,
cujo objetivo era contribuir para a libertação do líder comunista Álvaro
Cunhal e marcar posição contra o salazarismo.
De janeiro a março de 1955, permanece em Viena. Em dezembro faz rápida viagem
à Bahia.
É lançada, pela Ricordi brasileira, em 1956, a partitura de "Não te digo
adeus", com letra de Jorge Amado e música do músico e maestro amazonense
Cláudio Santoro. Assume no Rio a chefia de redação do quinzenário
Para-todos, ao lado do irmão James, de Oscar Niemeyer e Moacir Werneck de
Castro, dentre outros. Sai do Partido Comunista, segundo explica, "porque
queria voltar a escrever". Jorge Amado diz que sabia desde 1954 das
atrocidades de Stalin, denunciadas publicamente neste ano no XX Congresso do
PCUS. "Mas na realidade deixei de militar politicamente porque esse
engajamento estava me impedindo de ser escritor", afirma.
Viaja ao Oriente ao lado de Zélia, Pablo e Matilde Neruda, em 1957.
"Terras do sem fim" é lançado em quadrinhos. Carlo Ponti, cineasta
italiano, compra os direitos de "Mar morto"; mas o filme não chega a
ser realizado. Conhece a mãe-de-santo Menininha do Gantois, a quem ficaria
ligado até a morte dela, ocorrida em agosto de 1986.
Na tranqüilidade de Petrópolis, em 1958, escreve "Gabriela, cravo e
canela". O livro, publicado em agosto, esgota 20 mil exemplares em apenas
duas semanas; até dezembro venderia mais de 50 mil exemplares. Sai o disco
"Canto de amor à Bahia e quatro acalantos de Gabriela, cravo e
canela", trazendo leituras de Jorge Amado e música de Dorival Caymmi.
No ano seguinte, "Gabriela" coleciona prêmios: Machado de Assis, do
Instituto Nacional do Livro; Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e Luiza
Cláudio de Souza, do Pen Club, são alguns deles. O romance ultrapassa a casa
dos 100 mil exemplares vendidos. Recebe em Salvador, do Axé Opô Afonjá, um
dos mais altos títulos do candomblé, o de obá orolu (também receberam tal
distinção o compositor Dorival Caymmi e o artista plástico Carybé).
"Obá, no sentido primitivo, é um dos doze ministros de Xangô",
explica Jorge Amado. Funda a Academia de Letras de Ilhéus. Lança na revista
Senhor, do Rio de Janeiro, a novela "A morte e a morte de Quincas Berro
Dágua"; a idéia inicial era que este texto, de 98 páginas datilografadas
e escrito em dois dias, integrasse o romance "Os pastores da noite".
Naquela mesma publicação sairia o conto "De como o mulato Porciúncula
descarregou o seu defunto".
Na condição de vice-presidente da União Brasileira de Escritores, Jorge Amado
promove, com o então presidente Peregrino Jr., o Festival do Escritor
Brasileiro num shopping center de Copacabana, em 1960. A data do evento, 25 de
julho; acabaria sendo consagrada, por decreto governamental, como "Dia do
Escritor". Ciceroneia o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em sua
estada no Brasil.
Por unanimidade, é eleito, no dia 6 de abril de 1961, em primeiro escrutínio,
para a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, que pertencia a Otávio
Mangabeira. No mesmo mês estréia na Tv Tupi do Rio de Janeiro a adaptação de
"Gabriela" feita por Antônio Bulhões de Carvalho e com direção de
Maurício Sherman; no papeltítulo da novela está Janete Vollu de Carvalho e
no de Nacib, Renato Consorte. A Metro Goldwin Mayer compra os direitos de
adaptação para o cinema de "Gabriela". Com o dinheiro, Jorge adquire
um terreno em Rio Vermelho, então na periferia de Salvador, e começa a
construir lá uma casa. Anos depois, o escritor recompraria do estúdio
americano os direitos do romance. Ele assegura que não se lembra mais de nenhum
dos valores negociados com a Metro. A posse na ABL acontece no dia 17 de julho;
lá Jorge Amado é recepcionado por Raimundo Magalhães Jr. Saí "Os velhos
marinheiros", livro que comporta as novelas "A morte e a morte de
Quincas Berro Dáguá" e "A completa verdade sobre as discutidas
aventuras do comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão de longo curso".
É eleito membro do Conselho da Presidência do Pen Club do Brasil. O presidente
Juscelino Kubitschek convida-o para ser embaixador do Brasil na República
Árabe Unida; o escritor recusa o convite. Homenagens no Rio, na Bahia e em
outros estados por seus 30 anos de atividade literária; sua editora, a Martins,
lança um livro alusivo à data. A revista francesa Les Temps Modernes publica a
tradução de "A morte e a morte de Quincas Berro Dágua".
Seu pai morre no Rio de Janeiro, aos 81 anos de idade, em 1962. Cria a Proa
Filmes, companhia de cinema cujo primeiro e único trabalho é a adaptação de
"Seara vermelha", com direção de Alberto D'Avessa e estrelada por
Marilda Alves; o filme estrearia no ano seguinte. Saí, pela gráfica O
Cruzeiro, o romance policial "O Mistério dos MMM", escrito por Jorge
Amado, Viriato Corrêa, Dinah Silveira de Queiroz, Lúcio Cardoso, Herberto
Sales, José Condé, Guimarães Rosa, Antonio Callado, Orígenes Lessa e Rachel
de Queiroz. Viagem a Havana, a convite da União dos Escritores Cubanos.
"O cavaleiro da esperança" é apreendido pela polícia, em 1963.
Instalase na casa do bairro de Rio Vermelho (à Rua Alagoinhas, 33), onde
reside até falecer.
Lança "Os pastores da noite", em 1964.
No ano seguinte publica o conto "As mortes e o triunfo de Rosalinda"
na antologia "Os dez mandamentos", da editora Civilização
Brasileira, do Rio de Janeiro. Graças à intervenção de Guilherme Figueiredo,
então adido cultural do Brasil na França, Jorge Amado e sua família recebem
autorização para poder entrar de novo naquele país. A Warner Brothers adquire
os direitos de filmagem de "A completa verdade sobre as discutidas
aventuras do comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão de longo curso".
Mais de mil pessoas comparecem à primeira sessão de autógrafos de Jorge Amado
em Portugal, em 1966, na Sociedade Nacional de Belas Artes. O escritor chega aos
mil autógrafos no lançamento de "Dona Flor e seus dois maridos" na
livraria Civilização Brasileira, em Salvador. O romance sai com tiragem de 75
mil exemplares. Uma segunda sessão de autógrafos é marcada na capital baiana
para atender aos leitores que ficaram de fora da primeira
A União Brasileira de Escritores, presidida por Peregrino Jr., apresenta em
Estocolmo a candidatura formal de Jorge Amado ao Prêmio Nobel de Literatura, em
1967, embora o escritor a recuse. Durante duas horas e meia, Jorge depõe para o
arquivo do Museu da Imagem e do Som, na presença de James Amado, do crítico
Eduardo Portella e do romancista Antonio Olinto, dentre outros.
A UBE insiste em apresentar novamente a candidatura de Jorge Amado ao Nobel, em
1968. O escritor concorda, mas exige que ela seja feita junto com a do
romancista português Ferreira de Castro, seu amigo. O cineasta polonês Roman
Polanski visita o escritor na Bahia para "agradecer a alegria que seus
livros me proporcionaram na juventude".
No ano seguinte lança "Tenda dos milagres" (tiragem de 75 mil
exemplares), livro que começou a escrever na casa de campo do pintor baiano
Genaro de Carvalho. Jorge dizia ter sido este seu melhor romance.
Recebe em São Paulo o Prêmio Juca Pato - 1970, da União Brasileira de
Escritores, como "Intelectual do Ano". Lidera, ao lado do escritor
gaúcho Érico Veríssimo, um movimento contra a censura prévia aos livros.
Estréia o filme "Capitães da areia", produção americana dirigida
por Hall Bartlett.
Seu primeiro neto, Bruno, filho de João Jorge e Maria da Luz Celestino nasce em
Salvador, em 1971. Divide com Ferreira de Castro o Prêmio Gulbenkian de
Ficção, entregue na Academia do Mundo Latino, em Paris. Faz conferência no
Instituto de Letras da Universidade da Pensilvânia.
Sua mãe morre em Salvador, aos 88 anos de idade, em 1972. Nasce Mariana, a
primeira neta, filha de Paloma e Pedro Costa. Sai "Tereza Batista cansada
de guerra". A escola de samba Lins Imperial, de São Paulo, apresenta o
enredo "Bahia de Jorge Amado". Numa viagem à Europa encontra, em
Barcelona, o escritor colombiano Gabriel García Márquez, futuro Nobel de
Literatura (1982).
Nasce Maria João, filha de João Jorge e Maria da Luz, em 1973. Fernando Sabino
dirige um documentário sobre Jorge Amado, "Na casa do Rio Vermelho".
Inaugurado em Salvador o Hotel Pelourinho, com registro em placa da época em
que o escritor morou naquele local, em 1974.
A Martins, que havia pedido concordata no ano anterior, começa a lançar livros
de Jorge Amado em co-edição com a Record, do Rio de Janeiro, em 1975. Marcel
Camus leva para o cinema o romance "Os pastores da noite", que é
exibido na França com o título de "Otalia da Bahia". Este é o ano
também da estréia do maior sucesso do escritor na Tv: a adaptação de Walter
George Durst do romance "Gabriela, cravo e canela", levada ao ar pela
Rede Globo, com direção de Walter Avancini, Sônia Braga no papel-título e
Armando Bogus interpretando Nacib.
Com o fechamento da Livraria Martins Editora, em 1976, Jorge passa a ser autor
exclusivo da Record. Nasce a neta Cecília, filha de Paloma e Pedro Costa.
Estréia no cinema "Dona Flor e seus dois maridos", de Bruno Barreto,
com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça. Após três meses de
exibição o filme bate recorde de bilheteria — dez milhões de espectadores.
Na Bahia, começa a escrever "Tieta do Agreste". Participa da Feira
Internacional do Livro de Frankfurt; que neste ano é dedicada à literatura
latino-americana. A pedido do filho João Jorge e do amigo Carybé, que faz as
ilustrações, publica "O gato Malhado e a andorinha Sinhá".
No ano seguinte, cercado de intensa campanha publicitária, é lançado no Rio o
romance "Tieta do Agreste", que Jorge Amado concluíra em Londres.
Também no Rio o autor, participa do ato de inauguração da rua Tieta do
Agreste, localizada no Recreio dos Bandeirantes, zona sul da cidade. Recebe o
título de sócio benemérito do afoxé Filhos de Gandhi. Estréia "Tenda
dos milagres", filme de Nelson Pereira dos Santos. Interpreta um dos
apóstolos de Cristo na cena da "Última Ceia" do filme A Idade da
Terra, de Glauber Rocha. A casa onde o escritor viveu em Ferradas é tombada
pela Prefeitura de Itabuna. Grava no Rio, para a Biblioteca do Congresso dos
Estados Unidos, trechos de seus romances "Os pastores da noite" e
"Tereza Batista cansada de guerra".
Em 1978, Glauber Rocha realiza documentário abordando a obra de Jorge Amado. O
escritor oficializa, no dia 13 de maio, sua união com Zélia Gattai; a
cerimônia acontece na casa do pintor Calasans Neto, em Itapuã.
Sai "Farda fardão camisola de dormir", em 1979. Estréia na Broadway
o musical Saravá, de Richard Nash e Mitch Leigh, baseado em "Dona Flor e
seus dois maridos". Escreve, sob encomenda de um banco, para uma edição
especial de fim de ano, o conto "Do recente milagre dos pássaros
acontecido em terras de Alagoas, nas ribanceiras do rio São Francisco".
Lança em disco, pela Som Livre, uma versão do livro "Bahia de Todos os
Santos".
Nasce João Jorge Filho, em 1980, outro neto que lhe é dado por João Jorge e
Maria da Luz. A revista Vogue Brasil dedica um número a Jorge Amado, que
escreve o texto "O menino grapiúna", onde conta reminiscências da
época em que viveu na região cacaueira. Daí surgiu a idéia de "Tocaia
Grande", que falaria do nascimento e desenvolvimento de uma cidade naquela
área. Recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da
Bahia. É condecorado como Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada pelo
presidente português Ramalho Eanes. Participa, na condição de convidado
especial, do programa L'apostrophe, da televisão francesa, comandado por
Bernard Pivot.
"O menino grapiúna" é lançado numa edição não-comercial, em
1981. O jornal francês Le Matin publica o conto "Do recente milagre dos
pássaros acontecido em terras de Alagoas, nas ribanceiras do rio São
Francisco". "Terras do sem fim" estréia na Tv Globo (adaptação
de Walter George Durst e direção de Herval Rossano); na trilha sonora, Jorge
Amado assina, com Dorival Caymmi, a música Cantiga de cego. No centenário de
Ilhéus, o escritor é homenageado com uma placa e uma escultura de bronze numa
rua que leva seu nome; uma outra rua ganha o nome de seu pai. É entrevistado em
Salvador pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa, que à época apresentava,
nas noites de domingo, um programa na TV de seu país.
O autor passa a ser nome de rua em Itapuã, em 1982. É homenageado no carnaval
de Salvador pelo bloco Dengo da Bahia, que apresenta o enredo Bahia de Jorge
Amado. Começa a escrever "Bóris, o vermelho", que, por diferentes
motivos, seria seguidamente interrompido e acabou não sendo concluído. Na
primeira vez que adiou a redação de "Bóris", disse que foi
"porque a idéia não estava bem amadurecida". Jorge Amado inicia
"Tocaia Grande". A Caixa Econômica Federal lança seis milhões de
bilhetes de loteria com a efígie do escritor. Zélia Gattai publica Um chapéu
para viagem, onde conta como conheceu Jorge. Sai a edição comercial de "O
menino grapiúna".
Nasce Jorge Amado Neto, filho de João Jorge com sua segunda mulher, Rízia Vaz
Coutrim, em 1983. Inaugurado em Ferradas um busto do escritor. Estréia o filme
"Gabriela", co-produção BrasilItália dirigida por Bruno Barreto
com Sônia Braga no papel-título e o ator italiano Marcello Mastroianni
interpretando Nacib.
Em 1984, publica "Tocaia Grande" (com uma anunciada tiragem inicial de
150 mil exemplares). Tenta retomar "Bóris, o vermelho", mas o deixa
de lado para escrever "A guerra dos santos", título original do
romance que se chamaria "O sumiço da santa". O presidente francês,
François Mitterrand, outorga-lhe a comenda da Legião da Honra. Lança "A
bola e o goleiro", uma história infantil. Começa a articular a criação
da Fundação Casa de Jorge Amado. Zélia publica Senhora dona do baile, onde
fala do primeiro exílio do escritor.
Toma posse na Academia de Letras da Bahia (cadeira 21), em 1985. Recebe o
título de Grão-Mestre da Ordem do Rio Branco, no grau de Grande Oficial,
oferecido pelo governo brasileiro. Participa do Festival de Cinema de Cannes. É
homenageado pelo Centro Georges Pompidou, de Paris, onde se realiza um debate
sobre sua obra. Estréia na Rede Globo a minissérie "Tenda dos
milagres" (adaptação de Aguinaldo Silva e Regina Braga e direção de
Paulo Afonso Grisolli, Maurício Farias e Ignácio Coqueiro; no papel de Pedro
Archanjo, Nelson Xavier).
Morre, em 1986, aos 73 anos de idade, sua ex-esposa Matilde Mendonça Garcia
Rosa. Participa, como presidente do júri, do VIII Festival Internacional do
Novo Cinema Latino-Americano, em Cuba; na ocasião, é homenageado por Fidel
Castro. Decreto assinado pelo presidente José Sarney no dia 2 de julho, data de
aniversário de Zélia Gattai, cria a Fundação Casa de Jorge Amado. Lança,
pela Berlendis & Vertecchia, de São Paulo, "O capeta Carybé",
sobre o artista plástico argentino, nascido Hector Julio Páride Bernabó, seu
amigo desde os anos 50, quando se instalou na Bahia.
Inaugurada, no dia 7 de março de 1987, a Fundação Casa de Jorge Amado, que
passa a desenvolver intenso trabalho de preservação e divulgação da obra do
escritor. Na presidência da entidade está Germano Tabacof e na diretoria
executiva, Myriam Fraga. O símbolo da Casa é um exu desenhado por Carybé, que
já vinha aparecendo nas edições dos livros de Jorge Amado. Segundo o
escritor, exu é um deus dos mais importantes nas religiões fetichistas; se
elas admitissem a existência do diabo, ele seria o diabo. Segundo as
mães-de-santo, "exu é uma divindade travessa, uma criança, que adora
pregar peças e, principalmente, não admite censura". Recebe o título de
Doutor Honoris Causa da Universidade Lumière, da cidade francesa de Lyon.
Lançamento da revista Exu, da Fundação Casa de Jorge Amado; o número de
estréia traz uma bibliografia do escritor e um texto dele intitulado "O
enterro do Yalorixá". Zélia lança o livro Reportagem incompleta, que
reúne fotos que ela fez de Jorge Amado. O escritor recebe o título de sócio
honorário do Pen Club do Brasil. Lançado 0 filme "Jubiabá",
dirigido por Nelson Pereira dos Santos.
Zélia Gattai publica, em 1988, Jardim de inverno, onde fala do exílio na
Tchecoslováquia em companhia de Jorge Amado. A Orquestra Sinfônica da Bahia,
sob regência do maestro Carlos Veiga, apresenta uma peça do compositor
paulista Francisco Mignone inspirada em "A morte e a morte de Quincas Berro
Dágua". Publica "O sumiço da santa". Recebe em Brasília o
Prêmio Pablo Picasso, da Unesco, durante o Simpósio Internacional de
Escritores da América Latina e do Caribe. Inauguração, em Ilhéus, da Casa de
Cultura Jorge Amado.
A escola de samba Império Serrano, do Rio de Janeiro, apresenta o enredo
"Jorge Amado - Axé, Brasil", em 1989. Recebe o Prêmio Pablo Neruda,
da Associação dos Escritores Soviéticos. Estréia na Rede Globo a novela
"Tieta", com adaptação de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e
Ricardo Linhares e direção de Paulo Ubiratan, Reynaldo Boury e Luiz Fernando
Carvalho; no papel-título, Bety Faria. Jorge Amado é entrevistado no programa
do escritor Georges Simenon na TF1 (França). Escreve texto em favor da
candidatura à Presidência da República, pelo Partido Comunista Brasileiro, do
deputado federal Roberto Freire (PE). Estréia na Tv Bandeirantes a minissérie
"Capitães da areia", com adaptação de José Louzeiro e Antonio
Carlos Fontoura e direção de Walter Lima Jr.
Em 1990, participa, como representante do Brasil, da comissão internacional que
dará assessoria ao projeto de reconstrução da antiga biblioteca de
Alexandria, no Egito. Aberto em Recife o arquivo do DOPS (Departamento de Ordem
Política e Social) pernambucano, no qual o prontuário de número 6.172 trata
das atividades políticas de Jorge Amado. Recebe o título de Doutor Honoris
Causa da Universidade de Israel e da Universidade Dagli Studi de Bari, Itália.
Na Itália recebe os prêmios Cino del Duca, concedido por um júri presidido
pelo escritor Maurice Druon, secretário-geral da Academia Francesa. A
Universidade Livre de Berlim realiza o seminário "Cultura popular na obra
de Jorge Amado".
Paralelamente a "Bóris, o vermelho", escreve "Navegação de
cabotagem", relato memorialístico, em 1991. Recebe o teatrólogo e
novelista Dias Gomes na Academia Brasileira de Letras. Escreve, sob encomenda,
para uma empresa italiana, a história "A descoberta da América pelos
turcos", que deveria ser incluída num livro ao lado de textos do americano
Norman Mailer e do mexicano Carlos Fuentes. Preside o 14° Festival Cultural de
Asylah, Marrocos, cujo tema é "Mestiçagem, o exemplo do Brasil".
Participa do Fórum Mundial das Artes em Veneza, Itália.
Estréia na Rede Globo, em 1992, a minissérie "Tereza Batista" (com
adaptação de Vicente Sesso, direção de Paulo Afonso Grisolli e Patrícia
França no papel-título). Publica "Navegação de cabotagem". Uma
série de eventos comemora os 80 anos do escritor. As principais homenagens,
naturalmente, se concentram em Salvador: shows no Pelourinho, debates,
exposições. Para festejar a data, a Fundação Casa de Jorge Amado publica o
livro "Jorge Amado: 80 anos de vida e obra", organizado por Maried
Carneiro e Rosane Canelas Rubim. Paloma Amado e Pedro Costa iniciam a revisão
completa da obra do escritor, a fim de eliminar erros acumulados ao longo das
sucessivas reedições de seus livros. É homenageado no Centro Georges Pompidou
com a exposição Jorge Amado, écrivain de Bahia; no mesmo local participa do
seminário "Reencontro de dois mundos", realizado para comemorar o
quarto centenário do descobrimento da América.
Publica, em 1994, no Brasil, "A descoberta da América pelos turcos"
(o projeto do livro com Mailer e Fuentes não vingara, mas o texto de Jorge
Amado já tinha saído em 1992 na França). "Gabriela, cravo e canela"
inaugura a série de relançamentos revisados da obra do escritor.
Recebe, dos governos brasileiro e português, o Prêmio Camões, em 1995.
Começa a escrever um romance provisoriamente intitulado "A apostasia
universal de Água Brusca", que focaliza a luta pelo poder entre a igreja e
os coronéis do sertão baiano. Recebe o título de Doutor Honoris Causa da
Universidade de Pádua, Itália; também na Itália é contemplado com o Prêmio
Vitaliano Brancatti. João Moreira Salles realiza o documentário "Jorge
Amado".
Em maio de 1996, o escritor sofre em Paris um edema pulmonar. Depois de dez dias
de internação, recebe alta e viaja para Salvador, onde em julho comemora com
os amigos os 80 anos de Zélia. Estréia "Tieta do Agreste", filme de
Cacá Diegues, que também assina o roteiro, ao lado de João Ubaldo Ribeiro e
Antonio Calmon. No papeltítulo, Sônia Braga. Em outubro, é submetido a uma
angioplastia. A operação mobiliza atenções do país inteiro e é coroada de
pleno êxito. Na saída do hospital o escritor anuncia que retomará
"brevemente" seus projetos literários.
O romance "Tieta do Agreste" é escolhido como tema do carnaval de
Salvador, em 1997. No domingo de folia, o bloco "Amigos do Amado
Jorge", liderado pelo cantor e compositor Caetano Veloso, desfila em
homenagem ao romancista, que assiste à festa ao lado de Zélia Gattai no
camarote da passarela da Praça do Campo Grande. A editora Record lança
"Milagre dos Pássaros", livro com conto ainda inédito no Brasil.
No Salão do Livro de Paris, em 1998, é uma das principais atrações e recebe
o título de Doutor Honoris Causa na Sorbonne. Estréia na Rede Globo a
mini-série "Dona Flor e seus dois maridos", adaptação de Dias Gomes
para o romance de mesmo nome.
Em maio de 1999, é hospitalizado para fazer exames de rotina e tratar de um
mal-estar digestivo. Em junho, a Fundação Casa de Jorge Amado lança o livro
"Rua Alagoinhas 33, Rio Vermelho", sobre a casa em que o autor vivia e
sobre seu cotidiano.
Cada vez mais recluso, face a seus problemas de saúde, comemora em agosto de
2000, com poucos amigos e a família, seus 88 anos. Vivia deprimido por se
encontrar quase sem enxergar, sob dieta rigorosa, privando-se do que muito
gostava: de escrever, de ler um bom livro e de um bom prato.
No dia 21 de junho de 2001, Jorge Amado é internado com uma crise de
hiperglicemia e tem uma fibrilação cardíaca. Após alguns dias, retorna à
sua casa, porém, em 06 de agosto volta a se sentir mal e falece na cidade de
Salvador às 19,30 horas. A seu pedido, seu corpo foi cremado e suas cinzas
foram espalhadas em torno de uma mangueira em sua residência no Rio Vermelho.
Romances:
- O País do Carnaval, 1931
- Cacau, 1933
- Suor, 1934
- Jubiabá, 1935
- Mar Morto, 1936
- Capitães da Areia, 1936
- Terras do Sem Fim, 1943
- São Jorge dos Ilhéus, 1944
- Seara Vermelha, 1946
- Os Subterrâneos da Liberdade (3v), 1954
(v. 1:Os Ásperos Tempos; v. 2: Agonia da Noite; v. 3: A Luz no Túnel)
- Gabriela, Cravo e Canela: crônica de uma cidade do interior, 1958
- Os Pastores da Noite, 1964
- Dona Flor e Seus Dois Maridos: esotérica e comovente história vivida
por Dona Flor, emérita professora de Arte Culinária, e seus dois maridos
— o primeiro, Vadinho de apelido; de nome Teodoro Madureira e
farmacêutico o segundo ou A espantosa batalha entre o espírito e a
matéria, 1966
- Tenda dos Milagres, 1969
- Teresa Batista Cansada da Guerra, 1972
- Tieta do Agreste: pastora de cabras ou A volta da filha pródiga,
melodramático folhetim em cinco sensacionais episódios e comovente
epílogo: emoção e suspense!, 1977
- Farda Fardão Camisola de Dormir:fábula para acender uma esperança,
1979
- Tocaia Grande: a face obscura, 1984
- O Sumiço da Santa: uma história de feitiçaria, 1988
- A Descoberta da América pelos Turcos ou De como o árabe Jamil
Bichara, desbravador de florestas, de visita à cidade de Itabuna,
para dar abasto ao corpo, ali lhe ofereceram fortuna e casamento
ou ainda Os esponsais de Adma, 1994
- O Compadre de Ogum, 1995
Novelas:
- A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua, 1959
- A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua (publicada juntamente
com Os Velhos Marinheiros ou A completa verdade sobre as discutidas
aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão de
longo curso, in Os velhos marinheiros, 1961
- Os Velhos Marinheiros ou A completa verdade sobre as discutidas
aventuras do comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão de
longo curso, 1976
Literatura Infanto-Juvenil:
- O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor, 1976
- A Bola e o Goleiro, 1984
- O Capeta Carybé, 1986
Poesia:
- A Estrada do Mar, 1938
Teatro:
- O Amor do Soldado, 1947 (ainda com o título O Amor de Castro
Alves), 1958
Contos:
- Sentimentalismo, 1931
- O homem da mulher e a mulher do homem, 1931
- História do carnaval, 1945
- As mortes e o triunfo de Rosalinda, 1965
- Do recente milagre dos pássaros acontecido em terras de Alagoas, nas
ribanceiras do rio São Francisco, 1979
- O episódio de Siroca, 1982
- De como o mulato Porciúncula descarregou o seu defunto, 1989
Relatos autobiográficos:
- O menino grapiúna, 1981
- Navegação de cabotagem: apontamentos para um livro de memórias que
jamais escreverei, 1992
Textos autobiográficos:
- ABC de Castro Alves, 1941
- O cavaleiro da esperança, 1945
Guia/Viagens:
- Bahia de Todos os Santos: guia de ruas e de mistérios, 1945
- O mundo da paz (viagens), 1951
- Bahia Boa Terra Bahia, 1967
- Bahia, 1970
- Terra Mágica da Bahia, 1984.
Documento político/Oratória:
- Homens e coisas do Partido Comunista, 1946
- Discursos, 1993
Livro traduzido:
- Dona Bárbara (Doña Barbara), romance do venezuelano Rómulo Gallegos,
1934
Em parceria:
- Lenita (novela), com Edison Carneiro e Dias da Costa, 1929
- Descoberta do mundo (literatura infantil), com Matilde Garcia Rosa, 1933
- Brandão entre o mar e o amor, com José Lins do Rego, Graciliano Ramos,
Aníbal Machado e Rachel de Queiroz, 1942
- O mistério de MMM, com Viriato Corrêa, Dinah Silveira de Queiroz, Lúcio
Cardoso, Herberto Sales, Rachel de Queiroz, José Condé, Guimarães Rosa,
Antônio Callado e Orígines Lessa, 1962
Publicações no exterior:
Segundo a Fundação Casa de Jorge Amado, existem registros oficiais de
traduções de obras do escritor para os seguintes idiomas: azerbaidjano,
albanês, alemão, árabe, armênio, búlgaro, catalão, chinês, coreano,
croata, dinamarquês, eslovaco, esloveno, espanhol, esperanto, estoniano,
finlandês, francês, galego, georgiano, grego, guarani, hebraico, holandês,
húngaro, iídiche, inglês, islandês, italiano, japonês, letão, lituano,
macedônio, moldávio, mongol, norueguês, persa, polonês, romeno, russo,
sérvio, sueco, tailandês, tcheco, turco, turcumênio, ucraniano e vietnamita
(48 no total). Essas traduções foram publicadas no mínimo nos seguintes
países: Albânia, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Áustria,
Azerbaidjão, Bulgária, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coréia do Norte,
Coréia do Sul, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Eslováquia, Estônia,
Finlândia, França, Geórgia, Grécia, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irã,
Islândia, Israel, Itália, Iugoslávia, Japão, Letônia, Lituânia, México,
Mongólia, Noruega, Paraguai, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia,
Rússia, Suécia, Tailândia, Turquia, Ucrânia, Uruguai, Venezuela e Vietnã; o
Brasil também deve ser computado em função da edição nacional em esperanto,
totalizando 52 nações
Dados extraídos de livros do autor, portais da Internet, outros livros e
revistas e, em especial, dos Cadernos de Literatura Brasileira publicados pelo
Instituto Moreira Salles.
© Todos direitos reservados
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