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IRACEMA
José de Alencar
A história se transcorre no século XVI, nas então selvagens selvas
nordestinas, onde hoje é o litoral do Ceará. Martin, um jovem guerreiro
português, é ferido por uma índia ao andar só por entre as matas. Essa
índia é a jovem guerreira tabajara Iracema, virgem consagrada a Tupã e que
continha o segredo da jurema: a preparação de um licor que provocava êxtase
nos índios tabajaras. A jovem, percebendo que havia ferido um inocente, o leva
para a cabana do pai, o pajé Araquém. A hospedagem de Martin junto aos
tabajaras não agrada a muitos, principalmente um guerreiro de nome Irapuã,
apaixonado por Iracema. Enquanto isso, Martin convive com a saudade de Portugal
e sua amada que lá foi deixada, e também com a crescente admiração pela
virgem tabajara.
Em meio a festas e guerras travadas com outras tribos, a virgem e o guerreiro
branco se envolvem amorosamente, o que contraria o voto de castidade a Tupã.
Apaixonada por Martin e contrariando a crença de sua tribo, só resta a Iracema
fugir de sua aldeia antes que o pai e os outros selvagens percebam. Essa fuga se
dá ao lado do amado e de um guerreiro da tribo pitiguara de nome Poti, a quem o
jovem português tratava como irmão. Ao perceber o ocorrido, os tabajaras,
liderados por Irapuã e o irmão de Iracema, Caubi, perseguem os amantes.
Encontram a tribo inimiga pitiguara, com quem travam um sangrento combate.
Iracema, vendo a ferocidade com que Irapuã e Caubi agridem Martin, os fere
gravemente. A tribo tabajara, pressentido a derrota e a morte em massa, foge.
A desesperada fuga acaba numa praia deserta, onde Martin e Iracema constroem uma
cabana. Passado algum tempo, Martin se sente na obrigação de ir guerrear junto
ao seu irmão Poti e a tribo pitiguara, deixando Iracema na cabana, grávida.
Martin demora e Iracema dá a luz a um menino, ficando gravemente debilitada
pelo parto. O guerreiro branco chega logo depois e, ao ouvir o canto triste da
jandaia (ave que sempre acompanha Iracema), pressente a tragédia. Volta ainda a
tempo de ver Iracema morrer nos seus braços, enterrando-a ao pé de um
coqueiro. O filho de Iracema e Martin tornou-se assim o primeiro cearense, fruto
da relação muitas vezes trágica entre o sangue português e o sangue
indígena.
Fonte: TVE
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