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O GUARANY
José de Alencar
Nos idos do século XVII, às margens do Rio Paquequer, na Serra dos Órgãos,
vive o fidalgo português D. Antônio de Mariz. Sua família é pequena: sua
mulher D. Laureana, seu filho Diogo, sua filha Cecília (Ceci) e sua sobrinha
Isabel (na verdade sua filha). Havia ainda dentre os empregados e amigos,
figuras como Aires Gomes (fiel empregado de D.Antônio), um aventureiro italiano
de nome Loredano (ex-padre que matou um companheiro para obter um mapa das
famosas minas de prata que haviam na região, e que alimentava incontido desejo
pela filha do fidalgo), além de Álvaro, jovem apaixonado por Ceci que, logo
percebendo a indiferença da menina, entrega-se aos encantos de Isabel. Vivia
também entre eles o índio Peri, guerreiro goitacá que havia salvo a vida de
Ceci e acabou vivendo junto a família, servindo à moça com tamanha devoção
e paixão.
A trama começa quando Diogo, durante uma caçada, mata sem querer um índia
aimoré, o que provoca a ira de toda a tribo. Os ataques de vingança não
tardam, e pouco tempo depois Cecília e Isabel quase são vítimas de suas
flechas, enquanto se banhavam no rio. O ataque tramado por dois selvagens
aimorés só não se concluiu devido a coragem e a devoção de Peri, que os
matou a tempo. O jovem índio, aliás, evitou também uma tentativa de rapto que
sua jovem senhora sofreria nas mãos de Loredano. O aventureiro italiano, junto
a seus comparsas, tramava o rapto de Ceci e a ruína da família de D. Antônio.
Os aimorés apertam o cerco contra a casa, e Peri descobre um meio de salvar sua
amada e toda a família do ataque da tribo inimiga: ingere uma dose muito forte
de veneno e entra na batalha sem defesa alguma. Sua idéia era ser morto ou
aprisionado e, por seguinte, ter sua carne devorada por todos os indígenas, o
que causaria a morte em massa da tribo. O plano só não dá certo porque
Álvaro consegue salvá-lo, já cativo dos selvagens. De volta à casa de D.
Antônio, Peri sente os primeiros sintomas do veneno e parte em busca do
antídoto. Na volta, traz o corpo de Álvaro, morto em combate. Isabel, em ato
de desespero, suicida-se na cama junto a seu amado.
Loredano continua com seus planos contra D. Antônio, mas logo é capturado e
condenado à morte. Isso de nada serve para agradar o velho fidalgo português e
sua família, já que a ameaça dos aimorés aumenta e pede uma drástica e
trágica solução: explodirem a casa e morrerem como verdadeiros cristãos.
Peri, no entanto, se oferece para salvar Ceci, que está desacordada devido a
uma bebida dada pelo próprio pai. D. Antônio aceita sob uma única condição:
que o jovem índio se torne cristão e leve Ceci até a casa da tia no Rio de
Janeiro. Peri aceita, é batizado, e foge com a jovem adormecida, enquanto a
casa explode.
Ceci acorda algum tempo depois e sabe do ocorrido. Movida de paixão por Peri e
triste pelo fato de que o jovem índio não ficaria com ela na casa da tia no
Rio de Janeiro, decide ficar vivendo com ele. Cai uma tempestade violenta que
faz as águas do rio subirem de forma perigosa, o que os obriga a subir numa
palmeira. O perigo aumenta, e Peri arranca a palmeira da terra, fazendo dela uma
canoa. A narrativa termina com a imagem de ambos sumindo rio abaixo no
horizonte, onde a descrição de um beijo sugere uma possível união.
Fonte: TVE
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