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Rui Barbosa (1849-1923) - Político e jurisconsultor, iniciou sua carreira
política como deputado na Bahia (1878). Com a proclamação da República,
tornou-se Ministro da Fazenda, ocupando este cargo até a queda do Ministério,
em 1891, quando elegeu-se Senador. Fundador do "Club Radical
Paulistano", que foi organizado em 1868, tendo aí iniciado o Partido
Republicano Paulista em 1873.
Rui Barbosa foi, sem dúvida, um dos mais importantes personagens da História
do Brasil.
Rui era dotado não apenas de inteligência privilegiada, mas também de grande
capacidade de trabalho. Essas duas características permitiram-lhe deixar marcas
profundas em várias áreas de atividade profissional: no campo do direito -
seja como advogado, seja como jurista -, do jornalismo, da diplomacia e da
política.
Foi deputado, senador, ministro e candidato à Presidência de República em
duas ocasiões, tendo realizado campanhas memoráveis. Seu comportamento sempre
revelou sólidos princípios éticos e grande independência política.
Participou de todas as grandes questões de sua época, entre as quais a
Campanha Abolicionista, a defesa da Federação, a própria fundação da
República, e a Campanha Civilista.
Mesmo admirando a cultura francesa, como todos os intelectuais de sua época,
Rui conhecia também a fundo o pensamento político constitucional
anglo-americano, que, por seu intermédio, tanto influenciou a nossa primeira
Constituição republicana. Era um liberal, e foi sempre um defensor incansável
de todas as liberdades.
Orador imbatível e estudioso da língua portuguesa, foi presidente da Academia
Brasileira de Letras em substituição ao grande Machado de Assis.
Sua produção intelectual é vastíssima. Basta dizer que a Fundação já
publicou mais de 137 tomos de suas obras completas, e ainda temos material para
novas edições.
Rui representou o Brasil com brilhantismo na Segunda Conferência Internacional
da Paz, em Haia e, já no final de sua vida, foi eleito Juiz da Corte
Internacional de Haia, um cargo de enorme prestígio.
Em suma, Rui foi um cidadão exemplar, e ainda hoje sua memória é fonte de
inspiração para um grande número de brasileiros.
Mário Brockmann Machado
Fonte: http://www.casaruibarbosa.gov.br/
RUI
BARBOSA E O QUILOMBO DO LEBLON
(Uma Investigação de História Cultural)*
Eduardo Silva
www.casaruibarbosa.gov.br
Teria Rui Barbosa, o paladino da lei, participado do acoitamento de escravos
fugidos, ou, mais precisamente, da retaguarda social do quilombo do Leblon? O
presente trabalho pretende investigar exatamente esta interessante - para alguns
até desconcertante - hipótese, dentro do campo da história cultural, ou das
mentalidades. Para bem cumprir a tarefa, dividimos o texto em quatro momentos
distintos. Num primeiro momento, examinamos o surgimento, na década de l880, de
um novo paradigma de resistência à escravidão, enfocando, em especial, o
quilombo do Leblon, nos arredores da cidade do Rio de Janeiro. Depois,
examinamos um ponto-chave da semiótica do movimento abolicionista, a hoje
insuspeita camellia japonica, e suas possíveis sobrevivências no jardim da
Fundação Casa de Rui Barbosa. No terceiro momento, procuramos abordar o
pensamento e a práxis abolicionista de Rui Barbosa, vis-à-vis das idéias e
práxis que presidem à bem montada - e secreta - rede de apoio político aos
quilombos, cujo quartel-general ficava na Rua do Ouvidor, em algum ponto entre a
Confederação Abolicionista e a redação da Gazeta da Tarde. Por último,
procuramos recuperar as possíveis relações de amizade e/ou políticas entre
um certo José de Seixas Magalhães, o chefe do quilombo do Leblon, e o
intelectual Rui Barbosa, um dos ícones da inteligência brasileira, conselheiro
do Império, senador pela Bahia, ministro da República. Esperamos que a
presente investigação possa contribuir, ainda que de forma periférica, para o
debate mais atual sobre a abolição da escravatura no Brasil e seus
prolongamentos estruturais, como a chamada "queima dos arquivos".
"Quilombo Abolicionista": um quilombo historicamente novo
A crise final da escravidão, no Brasil, deu lugar ao aparecimento de um modelo
novo de resistência, a que podemos chamar quilombo abolicionista. No modelo
tradicional de resistência à escravidão, o quilombo-rompimento, a tendência
dominante era a política do esconderijo e do segredo de guerra. Por isso,
esforçam-se os quilombolas exatamente em proteger seu dia-a-dia, sua
organização interna e suas lideranças de todo tipo de inimigo ou forasteiro,
inclusive, depois, os historiadores. Já no modelo novo de resistência, o
quilombo abolicionista, as lideranças são muito bem conhecidas, cidadãos
prestantes, com documentação civil em dia e, principalmente, muito bem
articulados politicamente. Não mais os poderosos guerreiros do modelo anterior,
mas um tipo novo de liderança, uma espécie de instância de intermediação
entre a comunidade de fugitivos e a sociedade envolvente. Sabemos hoje que a
existência de um quilombo inteiramente isolado foi coisa rara. Mas, no caso dos
quilombos abolicionistas, os contatos com a sociedade são tantos e tão
essenciais que o quilombo aparece já internalizado, parte do jogo político da
sociedade mais ampla.
O quilombo do Jabaquara - talvez a maior colônia de fugitivos da história - é
um bom exemplo do novo paradigma de resistência. O quilombo organiza-se em
torno da "casa de campo de um abolicionista" e os quilombolas erguem
seus barracos com dinheiro recolhido entre pessoas de bem e comerciantes de
Santos. A população local, inclusive as senhoras de bom nome, protege o
quilombo das investidas policiais e parece fazer disso um verdadeiro padrão de
glória. Quintino de Lacerda, o chefe do quilombo, levou uma vida bastante
confortável e morreu relativamente rico, deixando extensa lista de bens,
móveis e imóveis, para seus herdeiros, incluindo um pequeno tesouro amealhado
em jóias de ouro e moedas de prata. Quintino não era um guerreiro no mesmo
sentido que o foi Zumbi de Palmares, o indomável general. Era um homem de
sucesso, um administrador, articulador político, líder, intermediário, enfim,
entre o quilombo e a sociedade envolvente. Proclamada a República, Quintino
continuaria sua liderança inconteste na área do porto. Na greve de 1891,
organizou com seus guerreiros o famoso "Batalhão Silva Jardim", o
republicanismo mais puro em defesa da lei e da ordem. Em 1893, por ocasião da
Revolta da Armada, ofereceu Quintino de Lacerda importante apoio ao presidente
da República, General Floriano Peixoto, sendo por isso condecorado major
honorário do Exército. Em 1895, com o voto em peso do Jabaquara, e em
flagrante desacordo com a política local, foi eleito vereador da Câmara
Municipal de Santos.1
Sobre o quilombo do Leblon, no Rio de Janeiro, as notícias são ainda mais
surpreendentes. A começar por seu idealizador, ou chefe, que era o português
José de Seixas Magalhães. Os quilombolas não demonstram qualquer indício de
preconceito racial. Também o Seixas parece um homem de idéias avançadas,
dedicando-se à fabricação e comércio de malas e objetos de viagem, na Rua
Gonçalves Dias, no centro, onde já utilizava os mais modernos recursos
tecnológicos. Suas malas, feitas com máquina a vapor, eram reconhecidas pelo
mundo afora, e mereceram prêmios tanto na Exposição do Rio de Janeiro quanto
na Exposição de Viena d'Áustria.2
Além de sua fábrica a vapor, o Seixas investia pesado em terras na zona sul,
possuindo uma chácara no Leblon, onde cultivava flores com o auxílio de
escravos fugidos. Seixas ajudava os fugitivos e os escondia na chácara do
Leblon, com a cumplicidade dos principais abolicionistas da capital do Império,
muitos deles membros proeminentes da Confederação Abolicionista. A chácara do
Seixas era conhecida mais ou menos abertamente como o "quilombo
Leblond", "quilombo Le Blon" ou "quilombo do Leblon",
então um remoto e ortograficamente ainda incerto subúrbio à beira-mar. Era,
digamos, um quilombo simbólico, feito para produzir objetos simbólicos. Era
lá, exatamente, que o Seixas cultivava suas famosas camélias, o símbolo por
excelência do movimento abolicionista.3
Naquela época, a camellia japonica era uma planta relativamente rara no Brasil,
introduzida no Rio de Janeiro fazia uns 60 anos, se tanto. Exatamente como a
liberdade que se pretendia conquistar, a camélia não era uma flor dessas
comuns, naturais da terra e encontradiças soltas na natureza. Era, pelo
contrário, uma flor delicada, especial, nova, estrangeira, cheia de melindres
com o sol, que requeria ambiente, know-how, relações de produção, técnicas
de cultivo e cuidados muitíssimo especiais. Para cuidar das camélias, somente
um trabalhador livre de todas as amarras. Em l897, quase dez anos depois da
Abolição, o poeta Olavo Bilac ainda contrapunha as "flores da mata",
a nossa natureza comum daqui mesmo, às sofisticadas camélias, símbolos de
refinamento e civilização. "Aí tens tu, leitor amigo, as flores da
mata... Se não as queres, aqui tens as camélias formosíssimas, filhas da
civilização, primores nascidos e criados à custa de cuidados sem
conta".4
Como o liberto Quintino de Lacerda, do quilombo do Jabaquara, o imigrante Seixas
também era muito bem relacionado. Além da cumplicidade que tinha com os grupos
abolicionistas do Rio, contava com a proteção da própria Princesa Isabel.
Pelo menos o homem fornecia suas camélias, em bases regulares, ao Palácio das
Laranjeiras, hoje sede do governo do Estado do Rio de Janeiro. As camélias do
Leblon enfeitavam não apenas a mesa de trabalho da Princesa como ainda sua
capela particular, onde se apegava a Deus e fazia suas orações. Para esse
serviço simbólico, o Seixas reservava, é claro, as mais belas camélias de
seu quilombo.
Tudo isso pode parecer muito interessante, mas, se pensarmos bem, a simples
existência de um quilombo como o do Leblon, assim tão atuante e tão
simbólico, não podia deixar de ser um escândalo público permanente,
perpetrado nas barbas da polícia. O quilombo do Leblon era uma espécie de
ícone do movimento abolicionista, uma de suas melhores bases simbólicas e um
de seus trunfos para a negociação política. Por isso, às vezes, o Seixas
não parece muito interessado em dissimular a existência do quilombo. Nem o
Seixas nem os abolicionistas mais jovens. Estes, pelo contrário, lá promoviam
ótimas festas de confraternização, batucadas memoráveis, dentro de todo o
respeito, como aquela que aconteceu, por exemplo, no dia l3 de março de l886,
aniversário do Seixas. A turma abolicionista passou a noite toda na farra do
Leblon e só se lembrou de voltar para casa altas horas da madrugada. E vinham
eles em animada cantoria pelo caminho, os quilombolas na maior folga do mundo,
tocando suas violas, e os abolicionistas aos gritos sediciosos de "vivam os
escravos fugidos!" Isso durante todo o percurso a pé, do quilombo até
chegar no Largo das Três Vendas (hoje, Praça Santos Dumont), na Gávea, onde
ficava o ponto final do bondinho puxado a burro que os traria de volta à
civilização.
Leblond, Jabaquara e Pai Filipe
Enquanto o quilombo tradicional se esconde, o quilombo abolicionista procura uma
outra estratégia e tem na boa localização uma de suas características mais
marcantes. Sabiam os quilombolas tirar vantagem da moderna rede de transportes
urbanos que se implantou na segunda metade do século XIX. Não é certamente
por acaso que tanto o quilombo do Jabaquara, na cidade portuária de Santos,
quanto o quilombo do Leblon - dois quilombos abolicionistas clássicos -
surgiram exatamente nas proximidades de estações terminais de bondes. Sabemos
que os quilombos abolicionistas eram muito visitados por gente de idéias
avançadas. Na verdade, um jovem abolicionista e/ou republicano não podia
deixar de conhecer, pelo menos, um quilombo abolicionista. Silva Jardim, que era
republicano exaltado, conhecia tanto o quilombo do Jabaquara quanto o do Leblon.
Em suas memórias, somos inclusive convidados a fazer uma visita ao quilombo do
Jabaquara, como se fosse um inocente passeio por arrabalde bonito e pitoresco.
Primeiro, muito civilizadamente, podemos pegar o bonde no centro e seguir direto
até o ponto final, em Vila Matias. Daí para a frente, é necessário seguir a
pé por uma trilha até o quilombo.5 Também para ir ao quilombo do Leblon, no
Rio, era preciso pegar o bondinho da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico
no Largo do Machado e seguir até o ponto final, no Largo das Três Vendas,
freguesia da Gávea. Os bondinhos eram a melhor opção, sem dúvida, como
podemos observar no utilíssimo Memorial fluminense do Comércio, ou folhinha de
lembranças e de assentos diários, editado pela Casa Laemmert e usado por Rui
Barbosa durante o ano decisivo de 1888. A passagem custava apenas $400 réis, e
os bondes saíam de vinte em vinte minutos, ou a intervalos ainda menores, aos
domingos e feriados, quando a afluência de visitantes ao aprazível arrabalde
aumentava substancialmente. A viagem era agradabilíssima. Saía o bonde do
Largo do Machado, atravessava a ponte sobre o Rio Carioca, no Catete, entrava na
Rua Marquês de Abrantes, pegava a Praia de Botafogo até o fim, subia pela
Voluntários da Pátria - passando a apenas uma quadra da casa de Rui Barbosa -,
pegava Humaitá, Lagoa Rodrigo de Freitas, Boa Vista, Jardim Botânico, Olaria
e, finalmente, Gávea. Daí para a frente era necessário também seguir a pé,
ou pegar uma precária charrete do Seixas, até um certo "lugar chamado
Leblond".6
Outro quilombo que sabia tirar proveito do ponto final dos bondes de Vila
Matias, em Santos, era o quilombo de Pai Filipe. Apesar de fechar e unir forças
com o quilombo do Jabaquara, Pai Filipe consegue manter a independência de seu
quilombo. Aqui, os quilombolas viviam quase que inteiramente da mata. E
forneciam lenha, madeira para construção e chapéus de palha para a comunidade
em torno. Aos domingos, Pai Filipe abria o quilombo aos abolicionistas mais
informados, ou mais animados, que lá podiam apreciar o autêntico
samba-de-roda, em sua formação mais tradicional (somente com tambaque,
pandeiro e chocalho), a dança da umbigada e o melhor quentão de Vila Matias.
Resistência armada, e, ao mesmo tempo, resistência cultural, o samba-de-roda
do Pai Filipe acabou se impondo como um dos melhores programas abolicionistas da
cidade, o ponto onde muitos, como o jovem Carlos Vitorino, iam buscar
"distração" da vida dura.7
Dadas as cumplicidades sociais, era quase impossível dar combate a um quilombo
abolicionista. O Jabaquara, por exemplo, nunca foi enfrentado com o mínimo de
eficácia; o mesmo com o quilombo de Pai Filipe e, muito especialmente, com o do
Leblond, que era tido e havido como a menina dos olhos de todo abolicionista
radical. Quando do aniversário do Seixas, por exemplo, lá estiveram Joaquim
Nabuco, José do Patrocínio, João Clapp e muitos outros abolicionistas. Além
das festas, uma outra boa evidência de que o Seixas não estava preocupado em
esconder a existência do quilombo pode ser encontrada na subscrição popular
que ofereceu uma pena de ouro à Princesa Regente, a fim de assinar a lei da
Abolição. A lista é encabeçada pelo diretor da Revista Illustrada, o
abolicionista Angelo Agostini, e traz, entre seus signatários, todos pessoas
físicas, uma entidade coletiva, o "Quilombo Leblond", como aparece
escrito, e que todo mundo sabia tratar-se do Seixas das malas.8
Quando o chefe de polícia, desembargador Coelho Bastos, o temido
"rapa-coco", quis agir e pôr um fim à cantoria abolicionista que se
fazia na Gávea, no ponto final dos bondes, o Seixas foi protegido pela própria
Princesa Isabel e, por trás dela, pelo Imperador do Brasil, que, segundo
consta, teria pedido ao Barão de Cotegipe, seu primeiro-ministro, que
encerrasse o caso sem maiores formalidades ou investigações. O caso é narrado
deliciosamente, com base na tradição oral da corte, por Pedro Calmon e
Lourenço Luís Lacombe.9
A Princesa Isabel também protegia escravos fugidos em Petrópolis. Temos sobre
isso o testemunho insuspeito do grande abolicionista André Rebouças, que tudo
registrava em sua caderneta implacável. Só assim podemos saber hoje, com dados
precisos, que no dia 4 de maio de 1888, "almoçaram no Palácio Imperial 14
africanos fugidos das fazendas circunvizinhas de Petrópolis". E mais: todo
o esquema de promoção de fugas e alojamento de escravos parecia ter sido
montado pela própria Princesa. André Rebouças sabia de tudo porque estava
comprometido com o esquema. O proprietário do Hotel Bragança, onde André
Rebouças se hospedava, também estava comprometido até o pescoço, chegando a
esconder mais de trinta fugitivos em sua fazenda, nos arredores da cidade. O
advogado Marcos Fioravanti era outro envolvido, sendo uma espécie de
coordenador geral das fugas. Não faltava ao esquema nem mesmo o apoio de
importantes damas da corte, como Madame Avelar e Cecília, Condessa da Estrela,
companheiras fiéis de Isabel e também abolicionistas da gema. Às vésperas da
Abolição final, conforme anotou Rebouças, já subiam a mais de mil os
fugitivos "acolhidos" e "hospedados" sob os auspícios de
Dona Isabel. André Rebouças, o intelectual negro de maior prestígio da
época, fazia uma ponte entre o esquema de fugas montado pela Princesa, em
Petrópolis, e o alto comando do movimento abolicionista, no Rio de Janeiro: o
pessoal da Confederação Abolicionista, Joaquim Nabuco, de quem era amigo
fraterno, Joaquim Serra, João Clapp, José Carlos do Patrocínio.10 "Hoje
a regência pratica às escâncaras, em solenidades públicas, o acoitamento de
escravos", constatava de passagem Rui Barbosa, como quem fala de assunto
já conhecido por todos.11
O quilombo de Petrópolis; o quilombo do Cupim, no Recife; o quilombo Carlos
Lacerda, em Campos; o quilombo do Leblon; o quilombo Patrocínio; o quilombo
Clapp; o quilombo do Jabaquara; o quilombo de Pai Filipe, entre outros, são
quilombos abolicionistas, isto é, fazem parte já do jogo político da
transição. Para o modelo anterior, o quilombo rompimento, o melhor exemplo
será sempre o de mocambos guerreiros, como o mocambo heróico de Acotirene; o
mocambo de Dambrabanga; o mocambo de Zumbi; o mocambo de Aqualtune, sua mãe; o
mocambo de Andalaquituche, seu irmão; a Cerca de Subupira; a Cerca Real do
Macaco e toda a vasta confederação a que chamamos Palmares.
Movimento e a semiótica abolicionista: "um mimoso bouquet de camélias
artificiais"
Com a proteção do Imperador, felizmente, o quilombo do Leblon nunca chegou a
ser investigado, continuando a Princesa Isabel a receber calmamente os seus
ramalhetes de camélias subversivas. E com isso crescia barbaramente o poder
simbólico das camelliaceas na vida política do País, sobretudo das que
pudessem ser identificadas como "camélias do Leblon" ou
"camélias da Abolição". Na guerra simbólica que se instaura, uma
ou outra vez, a própria Princesa ousou aparecer em público - o que era sempre
notado pelos que conheciam o código - com uma dessas flores do Leblon a lhe
adornar o vestido. No auge da campanha abolicionista, passou a Princesa a
organizar, em Petrópolis, suas famosas "batalhas de flores", onde
eram arrecadados fundos com propósitos abolicionistas. No dia 12 de fevereiro
de 1888, por exemplo, apesar da tempestade que desabou bem na hora, a festa foi
"magnífica". A Princesa, o marido e os filhos percorreram as ruas da
cidade em carro aberto, abrindo o préstito e promovendo o bando precatório dos
abolicionistas, que ia de casa em casa recolhendo donativos em prol da
libertação dos cativos.12 Tais "batalhas de flores", na verdade,
sinalizavam claramente o apoio pessoal da Princesa à proposta de abolição
imediata. O escândalo não podia ser maior, tanto que o Barão de Cotegipe, o
último baluarte do regime, atribuía sua queda, em março de l888, não ao
movimento abolicionista em si, que o barão classificava como mera
"arruaça", mas ao apoio da Princesa ao movimento, a que o barão se
refere, muito sutilmente, como "batalha das flores". "Dizem que
as arruaças fizeram cair o Ministério. Em parte têm razão, porque se não
foram a causa, foram o pretexto." E resumia com toda clareza: "A causa
real vem da batalha das flores e tudo se liquidará em tempo oportuno."13
Se o Barão de Cotegipe caiu por causa da "batalha das flores", seu
sucessor, o Conselheiro João Alfredo, subiu a Petrópolis exatamente para
assistir à maior de todas, o grande final dessas festas abolicionistas, que
teve lugar no Palácio de Cristal, no dia 1º de abril de l888, quando a
Princesa, auxiliada pelos pequenos príncipes, fez entrega de nada menos que 103
títulos de liberdade.14 O simbolismo das flores estará presente até na hora
da assinatura da lei, no dia 13 de maio, quando se aproximou da Princesa o
presidente da Confederação Abolicionista, João Clapp, e lhe fez entrega,
solenemente, de um "mimoso bouquet de camélias artificiais". E, logo
em seguida, quando se aproximou também o imigrante Seixas, honrado fabricante
de malas, que passou às mãos da Princesa um outro belíssimo buquê de
camélias. Desta feita, contudo, camélias naturais, vindas diretamente do
quilombo do Leblon. Tal buquê, vindo de onde veio, representava, na opinião de
Rui Barbosa, como de qualquer abolicionista radical, "a mais mimosa das
oferendas populares".15
Na verdade, a hoje aparentemente insuspeita camélia, fosse natural ou
artificial, era um dos símbolos mais poderosos do movimento abolicionista. Era
o símbolo da ala radical, o grupo que partiu, na década de 1880, para a ação
direta contra o regime e a criação de quilombos. A flor servia, inclusive,
como uma espécie de código através do qual os abolicionistas podiam ser
identificados, principalmente quando empenhados em ações mais perigosas ou
ilegais, como o apoiamento de fugas e obtenção de esconderijo para os
fugitivos. Um escravo de São Paulo, por exemplo, que desse às de vila-diogo e
viesse parar no Rio de Janeiro, podia identificar imediatamente os seus
possíveis aliados, já na plataforma de desembarque da Estação Central,
simplesmente pelo uso de uma dessas flores no peito, do lado do coração. Caso
o fugitivo não tivesse os aliados certos e ignorasse totalmente os princípios
básicos dessa semiótica política, dificilmente poderia contar com a
proteção da ativíssima Confederação Abolicionista, fundada em 1883, cujo
programa era, exatamente, combater o regime. Caso conhecesse a linguagem
secreta, não é preciso dizer que acabaria devidamente abrigado no quilombo do
Leblon.16
A Vila e o jardim: uma possível sobrevivência do quilombo do Leblon
A camélia era bem o símbolo da Confederação Abolicionista e de seus métodos
de ação. Usar uma camélia na lapela, ou cultivá-la acintosamente no jardim
de casa, era uma quase confissão de fé abolicionista. Alguns pés
remanescentes desse tempo simbólico ainda podem ser encontrados em jardins de
velhos casarões do Rio de Janeiro e, possivelmente, de outras cidades.
Petrópolis, por exemplo, antes de ser a "cidade das hortênsias",
foi, no final do século XIX, a "cidade das camélias", sendo de
especial importância simbólica as que se encontravam nuns prazos de terra
conhecidos como "Chácara das Camélias", onde hoje funciona o SENAI,
e nos jardins do palácio da Princesa Isabel.17 Talvez por todo esse valor
simbólico, mesmo depois de terminada a campanha, o abolicionista Rui Barbosa
tenha feito questão de plantar pelo menos três pés de camélia, quando se
mudou para sua casa definitiva, em 1895. E parece ter reservado para eles o
espaço mais nobre de seu jardim. Os dois primeiros pés foram plantados bem na
frente da casa, para serem vistos da rua e do varandão da sala, ladeando - como
que emoldurando - o centro simbólico da casa, uma escultura de concreto, que
Rui já encontrou lá, onde uma águia (representando o poder, o mérito ou a
majestade, não se sabe ao certo), com suas asas abertas, seu bico e suas garras
poderosas, imobiliza a serpente do mal. Desse equilíbrio tenso entre o céu e a
terra, da boca da serpente, no tempo de Rui, brotava um repuxo d'água que ia
cair no laguinho em frente, constituindo-se o ponto focal do jardim.18 O
terceiro pé de camélia foi plantado bem à janela do quarto de dormir de Rui,
no flanco esquerdo da casa, o caminho natural de quem penetra a intimidade da
Vila Maria Augusta. Lá estão até hoje, a florir no seu tempo certo, de maio a
agosto, estas mesmas três respeitáveis senhoras abolicionistas, documentos
vivos da história do Brasil. Foram ali plantadas, podemos perfeitamente supor,
para marcar bem a casa, para serem vistas da rua ou do varandão da sala de
visitas. São objetos simbólicos, um tipo de atestado ideológico do
proprietário, homem de profunda convicção liberal e abolicionista.
Rui Barbosa era um homem tão organizado em seus estudos quanto no controle de
sua contabilidade pessoal. Dia após dia, ele anotava metodicamente todas as
despesas, grandes ou pequenas, em cadernetas especiais, que mantinha sempre à
mão. Tais cadernetas, preservadas no Arquivo Histórico da FCRB, constituem uma
documentação única para a história social do cotidiano, em particular em sua
vertente cultural. Lá estão, em anotações objetivas, a remuneração do
pessoal da casa e do jardim, o dinheiro das despesas do dia-a-dia, que ia
repassando a Dona Maria Augusta, e mesmo os trocados que gastava com jornais,
passagens de bonde, barbeiro, esmolas, gorjetas, tudo. Graças à boa ordem das
cadernetas de Rui Barbosa, podemos acompanhar hoje, com dados precisos, o amor e
o interesse daquele homem por seu jardim. Desde sua volta do exílio, no final
de l895, já o encontramos inteiramente envolvido com a formação de seu
jardim. Claramente, na divisão do espaço doméstico, não apenas a biblioteca,
mas também o jardim, eram de Rui Barbosa. Assim, desde o dia l8 de novembro de
l895, mal chegava de Londres e punha os pés na nova residência - aquela que
seria sua casa definitiva - já estava Rui absorvido com a compra de
"parasitas" (na verdade, orquídeas), "sementes" e
"plantas", num total de 67$900 de despesa. No mês seguinte, dezembro,
novas aquisições de "plantas" e ainda o "feitio [do]
jardim", subindo as despesas a 194$000. No ano seguinte, 1896, Rui Barbosa
parece arregaçar as mangas e dedicar-se de alma inteira à formação do jardim
de seus sonhos. Os gastos vão sendo anotados meticulosamente. Já no dia 5 de
janeiro desembolsou o Conselheiro nada menos que 583$000 com os itens
"operários jardim", "bacia jardim" e "materiais
jardim". Despesas com "plantas", "sementes" ou
"roseiras" passam a ser fatos rotineiros na vida de Rui Barbosa. Assim
foi nos dias 16, 19, 26 e 29 de janeiro de 1896, o mesmo se repetindo nos dias 2
e 28 de abril; 12 de maio; 6 de setembro e 23 de dezembro, num total nada
desprezível de 492$000 de despesa. Ainda em 1896, gastos com "transporte
de estrume" e "estrume e capim" chegaram a 221$000; despesas com
"trabalhadores Jardim", "João Silveira, jardineiro" e com
apetrechos finos da Belle Jardinière, somariam outros 522$500.19
No ano seguinte, 1897, estando a estrutura básica do jardim já pronta, pôde
dedicar-se Rui Barbosa, com mais tempo, à expansão de sua coleção de
"orquídeas", "plantas" e "parasitas", que foi
adquirindo, em casas especializadas, nos dias 14 e 24 de fevereiro; 10 de
março; 24 e 30 de abril; 15 de junho e 24 de novembro, num total de 176$000 de
despesa. Somem-se a isso os gastos de rotina com a manutenção, com os
salários dos jardineiros (pagos em fevereiro, abril e setembro, num total de
36$000), além de nova dose substancial de "estrume", em julho, no
valor de 240$000. De novo, em 1898, as despesas começam no dia 13 de janeiro,
com a compra de "filtro e regador", por 27$500, e continuam com
repetidas aquisições de "parasitas" e "palmeiras". Isso
nos dias 21 e 31 de janeiro; 17, 21 e 29 de abril e, finalmente, 10 de maio de
1898, mês em que cessam as anotações. Aqui, como nos anos anteriores, não
conseguimos encontrar uma única menção, ligeira que fosse, à compra de
camélias. Refere-se Rui Barbosa, explicitamente, apenas à aquisição de
"orquídeas", "rosas", "plantas",
"palmeiras" ou "parasitas". Sobre as simbólicas e
espacialmente privilegiadas camélias, nem uma só palavra. Caso não tenham
sido adquiridas sob o título genérico e improvável de "plantas",
podemos aventar a hipótese de que tenham vindo ao jardim de Rui Barbosa não
exatamente por compra, como as demais espécies, mas como presente, mimo, algum
tipo de homenagem. Se, finalmente, atentarmos para o fato de que Rui, o
intelectual, foi amigo a vida toda de Seixas, o maleiro, não seria impossível
imaginar que aquelas mesmas respeitáveis senhoras abolicionistas, sobreviventes
de uma grande época, possam ter vindo, como mudas, do legendário quilombo do
Leblon. Seriam, então, legítimas "camélias da Abolição".
"A escravidão é um roubo: roubo direto, positivo, material,
pecuniário"
O apoiamento de fugas e quilombos tinha de ser, por sua própria natureza, uma
atividade sigilosa. Hoje, pode até parecer romântico, mas na época era uma
atividade ilegal e perigosa, sujeita aos rigores da lei. Por isso, tirante o
Seixas e a turma mais descompromissada, os demais abolicionistas procuravam
manter uma certa e inevitável discrição no tocante ao quilombo, sinalizado
apenas, por metonímia, através das camélias, brancas ou rosadas, naturais ou
artificiais, que exibiam na lapela do sobretudo ou, com igual elegância, no
jardim da frente de suas residências.
É claro que, ontem como hoje, apenas a preferência por uma flor, por mais
simbólica que seja, não pode ser tomada como "prova definitiva" de
absolutamente nada, contra ou a favor de alguém. No caso das camélias, para
que o indício se torne verdadeiramente significativo, é necessário examinar
ainda o pensamento, as circunstâncias e práxis política do proprietário de
um tal jardim.
A escravidão, como sabemos, não era apenas um "modo de produção",
era também uma ordem político-jurídica secularmente estabelecida. Para Rui
Barbosa, contudo, a ordem escravista não era apenas injusta ou moralmente
condenável, como se dizia até então, era "ilegal". Mas como podia
ser ilegal uma instituição que fazia parte, desde tempos imemoriais, da ordem
estabelecida? O jovem Rui Barbosa, do alto de seus 20 anos, tentou uma resposta
para esse difícil problema. Rui permaneceu fiel a essa resposta por toda a
vida. Para ele, em síntese,
uma porção imensa da propriedade servil existente entre nós (mais de um
terço), além de ilegítima, como toda a escravidão, é também ilegal, em
virtude da Lei de 7 de novembro de 1831, e do regulamento respectivo, que
declaram expressamente - "que são livres todos os africanos importados
daquela data em diante".20
Estávamos em 1869 e aquela era a primeira conferência abolicionista que se
fazia em São Paulo. Todos, naquela platéia oitocentista, como, depois, na
própria historiografia, tinham como certa a proibição do tráfico apenas a
partir de 1850. O jovem Rui, contudo, com "a petulância de um
estudante"21, simplesmente defendeu que aquela velha lei de 1831, assinada
pelo padre Diogo Antônio Feijó, apenas com a intenção de dar cumprimento aos
acordos internacionais assumidos com a Independência; aquela pobre lei que já
nasceu esquecida, feita, como se passou a dizer, "apenas para inglês
ver"; aquela pobre lei continuava em pleno vigor, não tendo sido jamais
revogada. Para Rui Barbosa, então, desde 1831 até 1850, isto é, todo o
tráfico de escravos em seu auge não era senão crime de pirataria. Os escravos
introduzidos desde então, bem como os seus descendentes, eram, na verdade, à
luz da própria lei do país, homens livres, vítimas de cativeiro indevido.
Assim, Rui Barbosa, o paladino da lei, em defesa da lei, tornou-se um
abolicionista radical, um abolicionista como nunca houve, um "abolicionista
da classe dos comunistas", ou "socialistas", como tantas vezes
foram acusados Rui e seus companheiros políticos pelo Barão de Cotegipe.22
Para Rui, se a ordem escravista aceitava a fraude, o escárnio da Lei de 1831,
todo o sistema estava irremediavelmente sob suspeita. Mais que isso: estava fora
da lei. Na verdade, foi exatamente essa idéia básica, formulada pela primeira
vez em 1869, que permitiu o surgimento, na década de 1880, do abolicionismo
radical, cujo melhor exemplo é a Confederação Abolicionista, fundada em 1883,
e cujo slogan - "a escravidão é um roubo" - já dizia tudo. Tal
slogan não vinha exatamente de Proudhon, como se pode imaginar, mas daquela
conferência do jovem Rui Barbosa.23
Desde que a escravidão estava fora da lei, era então possível um combate sem
trégua ao sistema. Era possível a ação direta, o apoio às fugas e à
formação de colônias de fugitivos. O que antes parecia crime de
"acoitamento", furto de propriedade alheia, passou a ser percebido
como uma espécie de ato meritório, o dever moral de salvar homens livres das
garras de piratas e bandidos. Depois de Rui, todos os sinais pareciam trocados.
O sistema, a ordem secularmente estabelecida, transformara-se em crime de
extorsão; o abolicionismo prático, que era crime, passou a ser virtude.
O velho paradigma ideológico fora finalmente rompido e nada parecia ser
exatamente o que era antes. "Estão trocados os lugares entre nós e
vós", declarou Rui Barbosa, de dedo em riste, em sua conferência no
Teatro Lucinda, no Rio de Janeiro, dia 7 de novembro de 1885. O teatro
transbordava de gente. "Nós" era o pessoal da Confederação
Abolicionista, ou seja, a platéia; "vós" eram os defensores do
sistema social vigente.
Nós somos a consciência cristã e a consciência nacional, o saque sois vós,
o saque ungido em instituição legal; porque os encobridores oficiais dos
furtos cometidos contra a Lei de 7 de novembro, a ciganagem que ainda se quer
locupletar com os sobejos de vinte anos de contrabando humano [1831-1850],
incorre em tríplice roubo: roubo moral de centenas de milhares de liberdades;
roubo de lesa-pátria contra a honra nacional, penhorada nos tratados; mas
também roubo direto, positivo, material, pecuniário, do capital metálico que
essa soma de cativeiros ilegais representa.24
Era Rui Barbosa, em um dos seus melhores momentos, em defesa de seu ponto-chave:
a escravidão, no Brasil, era um roubo em todos os sentidos, "roubo direto,
positivo, material, pecuniário". Para ele, a indenização dos
proprietários - fosse em dinheiro ou tempo de serviço - parecia totalmente
inaceitável. Era o mesmo que compactuar com a pirataria. Era, moralmente, uma
espécie de cumplicidade com o próprio crime que se queria combater.
"Quem nos definirá... o que seja acoitar escravos?"
Essas mesmas idéias servirão de base, em 1884, para o chamado Projeto Dantas -
na verdade, como se sabe, "Projeto Rui Barbosa" -, onde se pretendia
não apenas dar liberdade aos escravos de 60 anos, mas, principalmente, como
salientou Homero Senna, consagrar o princípio jurídico da emancipação sem
indenização. O Projeto pretendia ainda, através de uma nova matrícula geral,
descobrir (para libertar) os escravos introduzidos ilegalmente, isto é, depois
de 1831. A reação dos proprietários, tanto liberais quanto conservadores, foi
fulminante, motivando, em poucos meses, a queda do Ministério e a dissolução
da Câmara.25
Pouco depois da queda, quando os abolicionistas promoveram uma grande sessão
pública de desagravo ao Ministério que saía, Rui irá lembrar da tribuna,
exatamente, que aquelas suas idéias não eram na verdade novas; que ele as
tinha e defendia desde os tempos de estudante, em São Paulo, quando pôs-se,
pela primeira vez, "com a Lei de 7 de novembro [de 1831] em punho, contra a
ilegalidade impune, vitoriosa, opulenta do cativeiro, sacudindo a verdade
inflamada do direito às faces da pirataria triunfante sobre as ruínas da lei e
dos tratados".26
Quem assim se pronunciava, em manifestação política promovida pela
Confederação Abolicionista, parece, ipso facto, admitir o seu apoio ao
quilombo do Leblon, onde a mesma Confederação, como era público e notório em
1885, costumava abrigar os fugitivos sob sua responsabilidade e patrocínio.
Rui, aliás, já iniciara esta importante conferência - talvez a mais
reveladora de suas conferências -, agradecendo efusivamente à Confederação
Abolicionista, para ele não apenas "benemérita da pátria", mas
"benemérita da humanidade". E quanto ao projeto do novo Gabinete, o
Projeto Saraiva, que pretendia impor multas de até um conto de réis aos que
ousassem acoitar escravos e apoiar quilombos como o do Leblon, Rui mostrou-se
absolutamente indignado. Esta disposição, em particular, na opinião de Rui
Barbosa, era "inenarravelmente odiosa". Para ele, desde que a
escravidão não respeitava as leis do país, o apoio às fugas e aos quilombos
já não podia ser crime; era, ao contrário, o restabelecimento pleno da lei e
da justiça. O próprio ato de fugir não era crime, era uma "defesa
natural", era a "incoercível revolta do instinto". Era o velho
mundo de cabeça para baixo. A mudança de paradigma ideológico chega a tal
ponto que Rui Barbosa, um lexicólogo assaz competente, um dos pais da língua,
afeta dificuldades intransponíveis na definição de palavras de uso
corriqueiro, como, por exemplo, o verbo acoitar. "Quem nos definirá, por
uma fórmula honesta e segura, o que seja acoitar escravos?", perguntava
ele ao Politeama extasiado. Tanto para o orador como para aquela platéia,
acoitar escravos parecia já um ato meritório. E Rui perguntava:
"Franqueardes a hospitalidade do vosso lar ao oprimido, que se vos prostrou
aos pés com a lividez do terror nas faces, será incorrer em delito?"
Não, pensava ele, "porque a jurisprudência universal tem reconhecido na
evasão um legítimo impulso da natureza". Por isso, dar abrigo e agasalho
aos fugitivos não era senão caridade, virtude que lei alguma ousaria proibir.
Rui falava para uma platéia ligada à Confederação Abolicionista, uma
instituição notoriamente ligada à promoção de fugas de escravos e ao
apoiamento do quilombo do Leblon. Por isso, a clareza de suas idéias e a
explosão final dos aplausos, registrada pelos taquígrafos. Entre o
conferencista e a Confederação parecia haver uma comunhão perfeita e
ninguém, ali, com multa ou sem multa, parecia disposto a abandonar a ação
direta contra o regime. "Eu quisera saber se há, neste auditório, um
covarde bastante vil, para obedecer a tal lei", desafiiava Rui Barbosa sob
os aplausos cerrados da audiência. E continuava com toda a clareza possível:
De mim vos digo: eu aborreceria meus filhos, e rejeitaria de minha alma a cara
companheira de minha vida, se eles e ela não fossem os primeiros a estender
sobre a cabeça do perseguido as asas tutelares dessa simpatia onipotente, de
que têm o segredo as mulheres e os anjos. (Repetidos aplausos.) E se a lei,
essa lei nefanda, batesse à minha porta para arrancar-me o foragido, e
restituí-lo aos seus torturadores, eu diria ao escravo: 'Resisti!', e os cães
da lei perversa não penetrariam no meu domicílio senão como salteadores, pelo
arrombamento e pelo sangue. (Repetidos aplausos.)27
Esta, sem dúvida, parece ser uma linguagem de quem apóia, ou, se não apóia,
admite do mais profundo de sua alma, a possibilidade de vir a apoiar um quilombo
como o do Leblon, do Jabaquara ou de Pai Filipe. Não é de estranhar, portanto,
que o velho Politeama tenha chegado quase ao delírio, terminando a conferência
aos vivas, "aclamações estrondosas, repetidas e prolongadas".
Tampouco é de estranhar que, ao final, tenha sido o orador longamente
"abraçado pelos membros da Confederação Abolicionista".28
A tese da "ilegalidade" da escravidão brasileira, a glorificação da
resistência ao cativeiro injusto, tudo permitia aquela comunhão perfeita entre
Rui Barbosa e o pessoal da Confederação Abolicionista. A
"ilegalidade" do sistema e, portanto, a idéia de não pagar
indenização aos proprietários, continuaria a unir aqueles homens - os
abolicionistas radicais, os "abolicionistas da classe dos comunistas"
- mesmo depois da Abolição. Em 11 de novembro de 1890, quando o ministro da
Fazenda Rui Barbosa indeferiu a criação de um banco especificamente para
indenizar os ex-proprietários, a Confederação Abolicionista organizou
imediatamente uma grande passeata "de industriais e operários", em
apoio ao ato do ministro, além de mandar imprimir o despacho denegatório em
luxuoso papel da Holanda e letras de ouro.29
E, de novo, um mês depois, no dia 14 de dezembro de 1890, quando Rui Barbosa
quis pôr um fim nas pressões "indenizistas", simplesmente mandando
queimar as provas de propriedade existentes no Ministério da Fazenda, o
presidente da Confederação Abolicionista, João Clapp, será citado no
próprio texto da Decisão Ministerial como membro principal da comissão
encarregada dos trabalhos de "queima e destruição imediata" dos
documentos.30
E cinco dias depois, quando se realizou a primeira queima efetiva de documentos,
embora o ministro não tenha podido estar presente, lá estavam, solenes e
emocionados, como se estivessem lavando a História de suas mazelas, o
presidente da Confederação, João Clapp, e o comandante-em-chefe do quilombo
do Leblon, o fabricante de malas José de Seixas Magalhães.31
O jurista e o quilombola: "meu correligionário o Sr. Seixas"
As hipóteses que vimos desenvolvendo neste pequeno trabalho podem ser de algum
interesse, não apenas para os estudos ruianos, ou do movimento abolicionista,
mas ainda para a história cultural, permitindo explorar áreas comuns de
pensamento - as mentalidades coletivas, como queriam os franceses -, a unir, num
determinado momento histórico, um imigrante de poucas letras, chefe de quilombo
abolicionista, e um intelectual de renome, membro proeminente da elite política
brasileira. Homens aparentemente tão diferentes em tudo, mas unidos pelos
sentimentos de liberdade e abolicionismo radical. Até 1888, durante o período
mais acirrado da luta, tal aliança parece pedir certa discrição de ambas as
partes. Mas, logo depois do 13 de maio, com a Abolição consumada, refere-se
Rui Barbosa, pela primeira vez, às "camélias brancas" do quilombo do
Leblon e ao "Sr. Seixas", a quem chama, com todas as letras, "meu
correligionário".32
Rui não poderia ter sido mais claro. O Seixas, da mesma forma, parece ter
mantido uma admiração constante pelo homem público Rui Barbosa, mesmo depois
da Abolição. Em novembro de 1890, com o intuito de demonstrar o apoio de seu
quilombo à atuação do ministro da Fazenda, Seixas encomendou ao calígrafo H.
Santos, um dos melhores da cidade, a confecção de um artístico diploma em
homenagem a Rui Barbosa, "a mais possante mentalidade do Governo
Provisório", "o prodigioso sustentador do crédito da República e o
desveladíssimo Protetor da Indústria Nacional". Assinam o documento,
além do próprio Seixas, "seus empregados e os operários de sua fábrica
de malas".33
Um mês depois, como vimos, o chefe do quilombo do Leblon apoiou sem reservas a
Decisão ministerial de 14 de dezembro de 1890, em que Rui Barbosa mandou
queimar os documentos relativos à escravidão e, cinco dias depois, fez
questão de estar presente na sede da Alfândega, onde se realizou "a
primeira queima dos documentos e livros concernentes ao ignóbil tráfico de
gente".34
O Ministro e o maleiro, sem dúvida, conheciam-se bem. Para o Seixas, em carta
escrita em 1894, depois que voltou para Portugal, Rui Barbosa é o
"Excelentíssimo e prezado amigo", "meu caro Rui", "meu
dileto amigo Rui", "o meu amigo Rui Barbosa", e, mesmo, "o
meu primeiro amigo no Brasil". Com relação à família Rui Barbosa - Dona
Maria Augusta e os filhos -, o Seixas não apenas os conhecia pessoalmente, como
por eles nutria "verdadeira estima".35
O Seixas parecia um homem realmente dedicado ao velho companheiro de luta. Ainda
em 1894, quando pretendeu edificar uma "cidade da Gávea",
aproveitando-se dos muitos terrenos que ainda possuía em torno de seu antigo
quilombo, pensou em fazer de Rui Barbosa nada menos que o presidente de tal
empreendimento. "O meu amigo será o presidente dessa companhia, pois sem o
saber é acionista e eu na qualidade de primeiro acionista desejo tê-lo ali,
por ser o meu primeiro amigo no Brasil, e a primeira capacidade daquele grande
país", escreveu ele em seu estilo característico.36
Rui Barbosa não parece ter aceito o convite, fruto, talvez, apenas do
entusiasmo do Seixas. Mas a amizade parece ter continuado a mesma entre os dois.
Tanto que, poucos anos depois, complicando-se o empreendimento imobiliário,
quando o Seixas precisou defender seus interesses junto a essa mesma
"Companhia Cidade da Gávea", apressou-se em contratar os serviços
profissionais exatamente de seu velho amigo e correligionário abolicionista.
Pelo contrato, que é de 3 de junho de 1898, o advogado Rui Barbosa se
compromete a patrocinar e defender os direitos e interesses do ex-chefe
quilombola, o Sr. José de Seixas Magalhães.37
__________
NOTAS
* Uma primeira versão desta pesquisa foi lida na Fundação Casa de Rui
Barbosa, em reunião do Setor de História, no dia 20 de outubro de 1998; e, a
11 de novembro, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A mesma
versão foi parcialmente publicada no Caderno Idéias, do Jornal do Brasil de
21de novembro, e republicada no mensário Redenção; Jornal da Irmandade de
Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos (Negros) do Rio de
Janeiro, de dezembro de 1998. Uma investigação como esta não teria a mínima
chance de êxito sem a assistência técnica (no caso, especializadíssima) de
meus colegas do Museu Casa de Rui Barbosa e dos setores de História, Arquivo,
Biblioteca e Ruiano. Preciso agradecer, em especial, pela recorrência das
consultas, a Rejane Mendes Moreira de Almeida Magalhães, do Setor Ruiano; a
Maria Lúcia Ludolf, do Arquivo Histórico, e a Cláudia Barbosa Reis, do Museu.
Os estudantes de História Priscila Mancuso e Luiz Alberto Couceiro auxiliaram
muito eficazmente na coleta de dados. O historiador Homero Senna e o escritor
Antônio Carlos Villaça, ruístas consagrados, acompanharam cada fase da
pesquisa e animaram o autor com bons conselhos. O presidente da FCRB, Mario
Brockmann Machado; o Diretor Executivo, Luiz Eduardo Conde; a Diretora do Centro
de Pesquisas, Rachel Teixeira Valença; e a Chefe do Setor de História, Isabel
Lustosa, garantiram o apoio institucional e o bom clima acadêmico. Trabalho
publicado em Isabel Lustosa et al. Estudos históricos sobre Rui Barbosa. Rio de
Janeiro: Edições Casa de Rui Barbosa, 2000.
1 A citação encontra-se em Silva Jardim, Memórias e Viagens; campanha de um
propagandista (1887-1890). Lisboa: Typ. da Comp. Nacional Editora, 1891, p.
87-88. A figura histórica de Quintino de Lacerda ainda está a merecer pesquisa
mais específica. Sobre o quilombo do Jabaquara, ver ainda: Castan [pseud.
Elisiario Castanho], Cenas da Abolição. São Paulo: Typ. Papelaria Americana,
1921, p. 70 e segs.; Francisco Martins dos Santos, História de Santos
(1532-1936). São Paulo: Revista dos Tribunais, 1937, vol. 2, p. 1-59; Afonso
Schimidt, A Marcha; romance da Abolição. S.l.: Editora Anchieta, 1941; Ana
Lúcia Duarte Lanna, Uma Cidade na Transição: Santos (1870-1912). São
Paulo/Santos: Hucitec; Prefeitura Municipal de Santos, 1996, p. 192 e segs.
2 Cf. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Império do Brasil para
1888. Rio de Janeiro: Eduardo von Laemmert, 1888, p. 2108. Anúncio de página
inteira, com clichê: "José de Seixas Magalhães / Fábrica de Malas /
Segurança, Perfeição e elegância em seus produtos / Premiado nas
Exposições do Brasil e Viena d'Áustria / completo sortimento de malas, de
todas as qualidades, bolsas, sacos, cadeiras, estojos, binóculos,
indispensáveis / o que há de mais sólido e perfeito / Oficinas a Vapor / Rua
de Gonçalves Dias, 50." Ver ainda: Arquivo Nacional, Junta Comercial do
Rio de Janeiro. Seixas Magalhães e Cia. Livro 261, Regimento 37075, 22 de fev.
1892. Ibidem, Livro 10, Regimento 1188, 19 abr. 1892. Ibidem, Livro 313,
Regimento 42218, 21 nov. 1895.
3 A ligação dos quilombos do Leblon e do Jabaquara com a Confederação
Abolicionista é revelada por vários contemporâneos bem informados, como, por
exemplo, Coelho Neto, A Conquista (episódio da vida literária). Rio de
Janeiro: Laemmert, 1899, p. 280-88: "Justamente nesse tempo a campanha
abolicionista chegara à sua maior intensidade. À luz do sol, nas ruas,
concitava-se à revolta; para os lados da Gávea, em frente ao mar livre, havia
um quilombo mantido pela Confederação Abolicionista e, no escritório da
Gazeta da Tarde, que era o grande homizio de Cã, negros e negras sentados
melancolicamente, fumavam esperando que lhes dessem destino." Ou ainda
Osório Duque-Estrada. A Abolição; esboço histórico, 1831-1888, com
prefácio de Rui Barbosa. Rio de Janeiro: Leite Ribeiro & Murillo, 1918, p.
102: "Para esconderijo dos escravos fugidos ou roubados pelos
abolicionistas, fundaram-se dous grandes quilombos: um na chácara Leblon, na
Gávea, dirigido por Seixas Magalhães, e o de Jabaquara, em Santos, pelo negro
carregador de café Quintino de Lacerda, por Santos Garrafão [também
Português, como o Seixas, era o segundo homem do Jabaquara] e os jornalistas
Galeão Carvalho e Gastão Bousquet." Sobre o apoio dos abolicionistas
paulistas a Rui Barbosa e à Confederação Abolicionista, ver troca de
telegramas, em 1890, entre Antônio Bento (e seus caifases), e João Clapp. In:
Américo Jacobina Lacombe, Eduardo Silva e Francisco de Assis Barbosa. Rui
Barbosa e a Queima dos Arquivos. Brasília/ Rio de Janeiro: Ministério da
Justiça/ FCRB, 1988, p. 115.
4 Olavo Bilac. Vossa Insolência. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p.
219. Sobre a introdução da Camellia Japonica, ver: Manuel Pio Corrêa.
Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas. Rio de
Janeiro: Imprensa Nacional, 1926, vol. 1, p. 424.
5 Silva Jardim. Op. cit., p. 86-87.
6 Memorial Fluminense de Comércio, ou Folhinha de Lembranças e de Assentos
Diários. Rio de Janeiro: Laemmert, 1888, p. 65. Exemplar pertencente a Rui
Barbosa e anotado por ele. Arquivo Histórico da FCRB, DP 22 (00.00.1888).
7 Carlos Victorino. Santos: Reminiscências (1875-1898). São Paulo: 1904, p.
65. Apud Ana Lúcia Duarte Lanna. Op. cit., p. 168.
8 Revista Illustrada. Rio de Janeiro, 13 maio 1888, p. 7; ibid., 9 junho 1888,
p. 7.
9 Pedro Calmon. A vida de D. Pedro II, o Rei Filósofo. Rio de Janeiro:
Biblioteca do Exército, 1975, p. 247-48; Lourenço Luís Lacombe. Isabel: A
Princesa Redentora (Biografia baseada em documentação inédita). Petrópolis:
Instituto Histórico de Petrópolis, 1989, p. 223-24.
10 André Rebouças. Diário 1888. Manuscrito. Arquivo Histórico do IHGB. Rio
de Janeiro. Anotação do dia 4 de maio de 1888. Vejam-se ainda: dia 12 de maio:
"Excedem a mais de 1.000 os Escravizados acolhidos a Petrópolis,
hospedados pela Comissão Libertadora sob os auspícios de Isabel, a
Redentora"; dia 13 de maio, falando da "indescritível"
recepção da Princesa em Petrópolis, depois de assinatura da lei: "Trinta
Ex-Refugiados na fazenda do proprietário deste Hotel formavam a sólida base
dessa manifestação"; dia 17 de maio, depois do perigo passado,
"Jantando no [Hotel] 'Globo' com Nabuco, Silveira da Mata (Barão de
Jaceguai), Conde da Estrela e a Condessa Cecília, uma das mais devotadas
Abolicionistas Amigas de Isabel". Ainda na anotação do dia 27 de maio:
"Despedindo-me das duas Abolicionistas Companheiras de Isabel I, Mm. Avelar
[ilegível] e Cecília, Condessa da Estrela." Ou ainda, no dia 29 de maio,
às 8 horas da noite, quando esteve André Rebouças "em casa do
Conselheiro Dória, com o Visconde de Paranaguá, oferecendo a D. Amanda
Paranaguá Dória uma medalha do Jubileu do Papa para lembrança de seu concurso
Abolicionista junto a Isabel I."
11 Rui Barbosa. "Aos Abolicionistas Baianos", discurso proferido no
Teatro São João, em Salvador, na manifestação promovida pela Sociedade
Libertadora Baiana e outras associações abolicionistas, em 29 de abril de
1888. Cf. Trabalhos Diversos. Rio de Janeiro: MEC, 1965, p. 135-41. (Obras
Completas Rui Barbosa, vol. 15, t. 1, 1888). Citação à p. 139.
12 F.D. [pseud. Franklin Dória]. "As Festas da Emancipação".
Correio Mirim, Rio de Janeiro, 20 fev. 1888, p. 1.
13 Carta de João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe, a João Ferreira de
Araújo Pinho. Rio de Janeiro, 19 de março de 1888. Arquivo Histórico do IHGB,
Lata 548, Doc. 83.
14 Além do Presidente do Conselho, estiveram presentes o Ministro do Império,
Conselheiro Costa Pereira; o Ministro da Agricultura e Obras Públicas,
Conselheiro Rodrigo Silva; o corpo diplomático e os abolicionistas José do
Patrocínio e André Rebouças. Alcindo Sodré, "Palácio de Cristal",
Centenário de Petrópolis, vol. 2, p.103. A ata da cerimônia foi lavrada por
José da Silva Costa, e encontra-se no Arquivo Histórico do Museu Imperial de
Petrópolis.
15 Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, 14 maio 1888, p. 2; Rui Barbosa, "A
Lição da Hora", Gazeta da Tarde, Rio de Janeiro, 19 maio 1888, p. 1.
Republicado em: Trabalhos Diversos. Rio de Janeiro: MEC, 1965, p. 143-47. (Obras
Completas de Rui Barbosa, vol. 15, t. 1, 1888). Citação à p. 146.
16 Como foi o caso, por exemplo, do escravo Godofredo, que fugiu de Campinas já
de combinação com os abolicionistas locais e foi parar no quilombo do Leblon.
O proprietário processou judicialmente o Seixas, mas sem resultado. Cf. Arquivo
Nacional. Juízo de Direito da 2ª Vara. Ano: 1887; Réu: José de Seixas
Magalhães; Autor: Ricardo Gumbleton Damites. Natureza: Precatória. Processo
Número 1320; Caixa 1039; Galeria A. Aparentemente o Seixas já acoitava
escravos no centro da cidade do Rio de Janeiro mesmo antes de adquirir terras no
distante arrabalde "Leblond". Em 1869, pelo menos, envolveu-se com a
fuga de uma certa Alexandrina, baiana, 13 anos, que, simplesmente, desapareceu
na cidade do Rio de Janeiro. Cf. Arquivo Nacional, Juízo Municipal de 1ª Vara.
Ano: 1869; Réu: José de Seixas Magalhães; Autor: Antônio Joaquim Pacheco;
Natureza: Justificação. Processo Número 405; Caixa 24-A; Galeria C.
17 Agradeço a Maria de Fátima de Moraes Argon, do Museu Imperial, as
informações sobre a tradição oral de Petrópolis. Maio de 1999.
18 O caráter simbólico da escultura foi notado desde os tempos de Rui Barbosa.
Virgínia Cortes de Lacerda e Regina Monteiro Real. Rui Barbosa em Haia;
Cinqüentenário da Segunda Conferência da Paz (1907-1957). Rio de Janeiro:
Casa de Rui Barbosa, 1957, p. 103, nos informam que, quando ganhou o epíteto de
Águia de Haia, "Rui Barbosa pensou em suprimir tal ornamento, que poderia
parecer propositado e prova de falta de modéstia". Para as autoras a
escultura é uma "curiosa profecia". Para Edgar Batista Pereira, A
Casa de São Clemente. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1949, p. 14,
trata-se da "representação simbólica da luta em que se empenhou [Rui
Barbosa] a vida inteira contra os reptis do ódio, da calúnia, da
incompreensão, da inveja, do erro, da injustiça, da perseguição".
Cecília Meireles, ao examinar a mesma "escultura simbólica", se
pergunta: "De quem podia ser aquela casa, senão tua? Na verdade, tal como
as roseiras, aquele símbolo se ajustava à sua vida. Sol que seca os pântanos,
águia que destrói as serpentes". Cf. Rui, Pequena História de uma Grande
Vida. Edição comemorativa do centenário de Rui Barbosa. Rio de Janeiro: Casa
de Rui Barbosa, 1949, p. 92. Também a Antônio Carlos Vilaça não escaparia a
desconcertante simbologia, "uma espécie de predestinação" (...)
"um símbolo da sua mesma luta, da vida inteira." Cf. "O Ninho da
Águia de Haia". In: FCRB. Rui, Sua Casa e Seus Livros. Rio de Janeiro:
1980, p. 165-75. Citação à p. 166.
19 Arquivo Histórico da FCRB. DP 2 (28) 00. 00. 1895. Sobre o amor de Rui pelas
plantas, ver, em especial, o depoimento de Carlos Viana Bandeira. Lado a Lado de
Rui (1876 a 1923). Rio de Janeiro: MEC, 1960, p. 9, 11, 13, 61 e passim; e
Rejane Mendes Moreira de Almeida Magalhães. Rui Barbosa na Vila Maria Augusta.
Rio de Janeiro: FCRB, 1994, p. 67-69.
20 Conferência proferida no Clube Radical Paulistano, no dia 12 de setembro de
1869. Cf. Primeiros Trabalhos. Rio de Janeiro: MEC, 1951, p. 172-73 (Obras
Completas de Rui Barbosa, vol. 1, t. 1, 1865-1871).
21 A expressão é do próprio Rui, já maduro, refletindo sobre aquele talvez
imprudente episódio da juventude. Obras Completas de Rui Barbosa, vol. 36, t.
1, 1909, p. 216.
22 Brasil. Anais do Senado Federal. Rio de Janeiro: Typ. Nacional, 1888. Sessão
de 19.06.1888, p. 107.
23 Osório Duque-Estrada. Op. cit., p. 25; Américo Jacobina Lacombe. "Rui
e a Abolição". O Abolicionista Rui Barbosa. Ed. comemorativa do
Centenário da Abolição. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1988,
p. 72.
24 Rui Barbosa. "Comemoração da Lei Rio Branco". In: Abolicionismo.
Rio de Janeiro: FCRB, 1988, p. 212 (Obras Completas de Rui Barbosa, vol. 12, t.
1, 1885).
25 Cf. Rui Barbosa. Emancipação dos Escravos. O Projeto Dantas (dos
sexagenários) e o parecer que o justifica. Apresentação de Homero Senna;
prefácio de Astrojildo Pereira. Rio de Janeiro: FCRB, 1988, p. 7-8.
26 Rui Barbosa. "Confederação Abolicionista. Homenagem ao Patriótico
Ministério Dantas" (Conferência no Teatro Politeama do Rio de Janeiro a 7
de junho de 1885). In: Abolicionismo, cit., p. 141-69.
27 Ibid., p. 162-63.
28 Ibid., p. 169.
29 Arquivo Histórico da FCRB. Série Ministério da Fazenda, Doc. 111. Para uma
reprodução desse documento e um dossiê mais amplo, ver: Américo Jacobina
Lacombe, Eduardo Silva e Francisco de Assis Barbosa. Op. cit., p. 28, 37, 43 e
passim.
30 Ministério da Fazenda. "Decisão s/n de 14 de dezembro de 1890".
In: Obras Completas de Rui Barbosa, vol. 17, t. 2, 1890, p. 338-40.
31 Cf. Diário de Notícias. Rio de Janeiro, 20 dez. 1890, p. 1.
32 Rui Barbosa. "A Lição da Hora". Gazeta da Tarde. Rio de Janeiro,
19 maio 1888, p. 1. Republicado em: Trabalhos Diversos. Rio de Janeiro: FCRB,
1965, p. 143-47. (Obras Complets de Rui Barbosa, vol. 15, t. 1, 1888). Citação
à p. 146.
33 Arquivo Histórico da FCRB. RB-MF 5/7 (452) 9. 11. 1890.
34 Ver acima notas 29-31.
35 Carta de José de Seixas Magalhães a Rui Barbosa. Braga (Portugal), 27 de
dezembro de 1894. Arquivo Histórico da FCRB, CR 855/6 (1).
36 Ibid.
37 Contrato de Rui Barbosa com José de Seixas Magalhães. Rio de Janeiro, 3 de
junho de 1898. Arquivo Histórico da FCRB. RB-MF 5/7 (452) 9.11.1890.
Bibliografia:
Publicar as Obras completas de Rui Barbosa tem sido uma preocupação da
Fundação Casa de Rui Barbosa, desde 1930, quando da sua fundação.
Hoje os interessados podem conhecer os trabalhos de Rui pela coleção impressa,
com 137 tomos publicados. Através da base de dados Obras completas de Rui
Barbosa, os leitores encontrarão informações detalhadas sobre as edições,
tais como resumo da obra, colaboradores e ano de edição.
HISTÓRICO DA PUBLICAÇÃO
A partir de 1930, por alguns anos, a direção da Casa tomou as providências
para organização e publicação das Obras.
Em 30 de setembro de 1941, o Decreto-Lei nº 3.668, art. 4, estabeleceu a
divisão das Obras Completas em cinqüenta volumes, cada um dos quais podendo
desdobrar-se em mais de um tomo. Os volumes foram assim organizados:
. 1º volume - trabalhos produzidos até o ano de 1871;
. 2º volume - trabalhos produzidos de 1872 a 1874;
. 3º volume - trabalhos de 1875 e 1876;
. os demais volumes compreendem os trabalhos correspondentes a cada ano, de 1877
(4º v.) a 1923 (50º v.).
A partir do decreto, começou o trabalho de edição, com a publicação do
primeiro tomo em 1942 (v. 9, t. 1,1882 - Reforma do Ensino Secundário e
Superior). Os escritos de Rui (em cada período especificado acima) são
agrupados em tomos por assunto tratado. O critério de escolha e preparação de
volumes não foi o cronológico; os pesquisadores guiaram-se pela importância
ou oportunidade dos assuntos, bem como pela maior facilidade em localizar as
fontes e reunir os originais. Os originais pertencentes à Fundação
encontram-se no Arquivo Rui Barbosa.
À proporção que o trabalho prosseguia (94 tomos tinham sido produzidos sob a
responsabilidade da direção da Casa, que designava colaboradores avulsos para
executar determinados trabalhos), tornava-se mais evidente a necessidade de um
setor específico para pesquisas ruianas. Assim, surge em 1968 o Setor Ruiano,
cuja prioridade é a edição das Obras completas de Rui Barbosa, segundo o
Roteiro das obras completas de Rui Barbosa, publicado em 1973. O Roteiro foi
preparado pelas pesquisadoras Norah Levy e Rejane Mendes Moreira de Almeida
Magalhães, com base nas anotações das obras e fontes (dos textos de Rui)
existentes em cadernos de Américo Jacobina Lacombe, primeiro presidente da
Fundação, parente de Rui e grande conhecedor de sua obra.
O preparo das edições implica pesquisa, cotejo, sistematização e
normatização da extensa e diversificada produção de Rui no período de 1865
a 1923. A coleção já conta com 137 tomos publicados, trabalhos de Rui em suas
diversas áreas de atuação: jurídica, política e jornalística.
Alguns discursos e pronunciamentos de Rui Barbosa foram também editados em
avulso, para atender a solicitações. Além das obras de Rui, a Fundação
publica e vende Obras sobre Rui.
OBRAS COMPLETAS DE RUI BARBOSA
Tomos publicados
OBRAS COMPLETAS DE RUI BARBOSA
Tomos não publicados
OBRAS AVULSAS DE RUI BARBOSA
OBRAS SELETAS DE RUI BARBOSA
OBRAS COMPLETAS DE RUI BARBOSA
Tomos publicados
Primeiros Trabalhos. Vol. 1, t. 1, 1865-1871.
Poesias. Vol. 1, t. 2, 1865-1871.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 2, t. 1, 1872-1874.
Trabalhos Políticos. Vol. 2, t. 2, 1872-1874.
O Papa e o Concílio. Vol. 4, t. 1 e 2, 1877.
Discursos na Assembléia Provincial da Bahia. Vol. 5, t. 1, 1878.
Discursos Parlamentares [Câmara dos Deputados]. Vol. 6, t. 1, 1879.
Discursos Parlamentares [Câmara dos Deputados]. Vol. 7, t. 1, 1880.
Trabalhos Diversos. Vol. 8, t. 1, 1881.
Reforma do Ensino Secundário e Superior. Vol. 9, t. 1, 1882.
Discursos Parlamentares. Centenário do Marquês de Pombal. O Desenho e a Arte
Industrial. Vol. 9, t. 2, 1882.
Reforma do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares da
Instrução Pública. Vol. 10, t. 1 e 4, 1883.
Discursos Parlamentares. Emancipação dos Escravos. Vol. 11, t. 1, 1884.
Abolicionismo. Vol. 12, t. 1, 1885.
Lições de Coisas [Tradução]. Vol. 13, t. 1, 1886.
Trabalhos Diversos. Vol. 13, t. 2, 1886.
Questão Militar. Abolicionismo. Trabalhos Jurídicos. Swift. Vol. 14, t. 1,
1887.
Trabalhos Diversos. Vol. 15, t. 1, 1888.
A Constituição de 1891. Vol. 17, t. 1, 1890.
Atos Legislativos. Decisões Ministeriais e Circulares. Vol. 17, t. 2, 1890.
Queda do Império [Diário de Notícias].Vol. 18, t. 1 a 8, 1889.
Discursos Parlamentares. Jornalismo. Vol. 18, t. 1, 1891.
Relatório do Ministro da Fazenda. Vol. 18, t. 2 e 3, 1891.
Anexos ao Relatório do Ministro da Fazenda. Vol. 18, t. 4, 1891.
Discursos Parlamentares. Vol. 19, t. 1, 1892.
Discursos e Pareceres Parlamentares. Vol. 19, t. 2, 1892.
Trabalhos Jurídicos. Estado de Sítio. Vol. 19, t. 3, 1892.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 19, t. 4, 1892.
Visita à Terra Natal. Discursos Parlamentares. Vol. 20, t. 1, 1893.
A Ditadura de 1893 [Jornal do Brasil].Vol. 20, t. 2 a 4, 1893.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 20, t. 5, 1893.
Discursos Parlamentares. Trabalhos Jurídicos. Vol. 22, t. 1, 1895.
Cartas de Inglaterra. Vol. 23, t. 1, 1896.
Impostos Interestaduais. Vol. 23, t. 2, 1896.
Posse de Direitos Pessoais. O Júri e a Independência da Magistratura. Vol. 23,
t. 3, 1896.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 23, t. 4, 1896.
Discursos Parlamentares. Vol. 23, t. 5, 1896.
O Partido Republicano Conservador. Discursos Parlamentares. Vol. 24, t. 1, 1897.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 24, t. 2 e 3, 1897.
A Imprensa. Vol. 25, t. 1 a 3, 1898.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 25, t. 4 e 5, 1898.
Discursos Parlamentares. Vol. 25, t. 6, 1898.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 26, t. 1, 1899.
Discursos Parlamentares. Vol. 26, t. 2, 1899.
A Imprensa. Vol. 26, t. 3 a 7, 1899.
Rescisão de Contrato. Preservação de uma Obra Pia. Vol. 27, t. 1, 1900.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 27, t. 2, 1900.
Discursos Parlamentares. Vol. 27, t. 3, 1900.
A Imprensa. Vol. 27, t. 4 a 6, 1900.
Discursos Parlamentares. Vol. 28, t. 1, 1901.
A Imprensa. Vol. 28, t. 3, 1901.
Parecer sobre a Redação do Código Civil. Vol. 29, t. 1, 1902.
Réplica. Vol. 29, t. 2 e 3, 1902.
Anexos à Réplica. Vol. 29, t. 4, 1902.
Discursos Parlamentares. Vol. 29, t. 5, 1902.
Discursos Parlamentares. Vol. 30, t. 1, 1903.
Discursos Parlamentares. Vol. 31, t. 1, 1904.
Trabalhos Jurídicos. Pareceres. Vol 31, t. 2, 1904.
Trabalhos Jurídicos. Vol 31, t. 3, 1904.
Limites entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Vol. 31, t. 4 e 5, 1904.
Discursos Parlamentares. Vol. 32, t. 1, 1905.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 32, t. 2, 1905.
Código Civil. Parecer Jurídico. Vol. 32, t. 3, 1905.
Discursos Parlamentares. Vol. 33, t. 1, 1906.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 33, t. 2, 1906.
Discursos Parlamentares. Vol. 34, t. 1, 1907.
A Segunda Conferência da Paz. Vol. 34, t. 2, 1907.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 34, t. 3, 1907.
Discursos Parlamentares. Vol. 35, t. 1, 1908.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 35, t. 2, 1908.
Excursão Eleitoral. Vol. 36, t. 1, 1909.
Discursos Parlamentares. Vol. 36, t. 2, 1909.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 36, t. 3, 1909.
Excursão Eleitoral. Vol. 37, t. 1, 1910.
Memória sobre a Eleição Presidencial. Vol 37, t. 2, 1910.
Discursos Parlamentares. Vol. 37, t. 3, 1910.
O Direito do Amazonas ao Acre Setentrional. Vol. 37, t. 5 e 6, 1910.
Anexos ao Direito do Amazonas ao Acre Setentrional. Vol. 37, t. 7, 1910.
Discursos Parlamentares. Vol. 38, t. 1, 1911.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 38, t. 2, 1911.
Jornalismo. Diário de Notícias. Vol. 38, t. 3, 1911 e vol. 39, t. 4, 1912.
O Caso da Bahia. Petições de “Habeas-Corpus”. Vol. 39, t. 1, 1912.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 39, t. 2, 1912.
Discursos Parlamentares. Vol. 39, t. 3, 1912.
As Cessões de Clientela e a Interdição de Concorrência nas Alienações de
Estabelecimentos Comerciais e Industriais. Vol. 40, t. 1, 1913.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 40, t. 2 e 3, 1913.
Discursos Parlamentares. O Caso do Amazonas. Vol. 40, t. 4, 1913.
Discursos Parlamentares e Jornalismo. Vol. 40, t. 5, 1913.
Trabalhos Diversos. Vol. 40, t. 8, 1913.
Discursos Parlamentares. Vol. 41, t. 1 e 3, 1914.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 41, t. 4, 1914.
Limites Interestaduais. Vol. 42, t. 1, 1915.
Discursos Parlamentares. Vol. 42, t. 2, 1915.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 42, t. 3, 1915.
Embaixada a Buenos Aires. Vol. 43, t. 1, 1916.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 43, t. 2, 1916.
A Grande Guerra. Vol. 44, t. 1, 1917.
Questões de Portos no Brasil. Vol. 45, t. 1, 1918.
Questão Minas x Werneck. Vol. 45, t. 4 e 5, 1918.
Campanha Presidencial. Vol. 46, t. 1 e 2, 1919.
Campanha da Bahia. Vol. 46, t. 3, 1919.
Art. 6o. da Constituição e a Intervenção de 1920 na Bahia. Vol. 47, t. 3 e
4, 1920.
Cláusula Enquanto Bem Servir. Demissão Ilegal. Vol. 48, t. 1, 1921.
Caso da São Paulo Northern Railroad Company. Vol. 49, t. 1, 1922.
OBRAS COMPLETAS DE RUI BARBOSA
Tomos não publicados
Obras Didáticas. Vol. 2, t. 3, 1872-1874.
Trabalhos Jurídicos e Políticos. Vol. 3, t. 1 e 2, 1875-1876.
Trabalhos Jurídicos e Políticos. Vol. 4, t. 3, 1877.
Trabalhos Políticos. Vol. 7, t. 2, 1880.
Trabalhos Jurídicos e Políticos. Vol. 10, t. 5, 1883.
Jornalismo. Trabalhos Jurídicos. Vol. 11, t. 2, 1884.
Trabalhos Jurídicos e Políticos. Vol. 16, t. 9, 1889.
Dispersos. Vol. 20, t. 6, 1893.
Trabalhos Diversos. Vol. 21, t. 1, 1894.
Trabalhos Diversos. Vol. 22, t. 2, 1895.
Trabalhos Jurídicos (Suplemento). Vol. 25, t. 5, 1898.
Pareceres. Vol. 26, t. 8, 1899.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 28, t. 2, 1901.
Trabalhos Jurídicos e Políticos. Vol. 29, t. 6, 1902.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 30, t. 2, 1903.
Pareceres. Vol. 32, t. 4, 1905.
Trabalhos Diversos. Vol. 33, t. 3, 1906.
Trabalhos Jurídicos (Suplemento). Vol. 35, t. 2, 1908.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 37, t. 4, 1910.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 39, t. 5, 1912.
Trabalhos Diversos. Vol. 40, t. 7, 1913.
Discursos e Escritos. Vol. 41, t. 5, 1914.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 43, t. 3, 1916.
Discursos Diversos. Vol. 44, t. 2, 1917.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 44, t. 3, 1917.
Jubileu Cívico. Vol. 45, t. 2, 1918.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 45, t. 3, 1918.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 46, t. 4, 1919.
Diversos. Vol. 47, t. 1, 1920.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 47, t. 2, 1920.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 48, t. 3, 1921.
Trabalhos Jurídicos. Vol. 49, t. 2, 1922.
Trabalhos Diversos. Vol. 50, t. 1, 1923.
OBRAS AVULSAS DE RUI BARBOSA
Oração aos Moços. Estabelecimento do texto, prefácio e breves notas
explicativas por Carlos Henrique da Rocha Lima. 1949.
Rui Barbosa e o Exército. Conferência às Classes Armadas. Pref. Pedro da
Costa Leite. 1949.
A Conferência de Haia. Dois autógrafos do Arquivo da Casa de Rui Barbosa.
Pref. João Neves da Fontoura, 1952.
Antologia. Seleção, prefácio e notas de Luís Viana Filho. 1953.
Discurso no Colégio Anchieta. Palavras de Américo Jacobina Lacombe em
comemoração do cinqüentenário do discurso de Rui Barbosa. 1953.
Antologia. Selección y notas de Luís Viana Filho. Traducción de Justo Pastor
Benítez. 1954.
A Short Anthology. Translated by Gladys Patrina Medrado Stephens. Foreword by
Sílvia Medrado Clinton. 1955.
Oração aos Moços. Estabelecimento do texto, advertência e notas de Adriano
da Gama Kury. Pref. Edgar Batista Pereira. 1956.
O Adeus da Academia a Machado de Assis. 1958.
Coletânea Forense para os Estudantes de Direito. Org. Silvino Gonçalves. Pref.
Américo Jacobina Lacombe. 1959.
A Conferência de Haia. Discurso pronunciado em Paris a 31 de outubro de 1907.
1962.
Oração aos Moços. Edição popular. Notas de Adriano da Gama Kury. 1980.
Saudação a Anatole France. Texto original em francês do discurso de Rui
Barbosa, saudando Anatole France na Academia Brasileira de Letras, em 1909.
Introdução, tradução e apêndices de Sérgio Pachá. Apres. Homero Senna.
1980.
Discurso no Colégio Anchieta. Plano Geral, prefácio e notas de Carlos Henrique
da Rocha Lima. Intr. Américo Jacobina Lacombe. 1981.
Cartas à Noiva. Correspondência com D. Maria Augusta. Pref. Maria José de
Queirós. Co-edição com a Civilização Brasileira, Rio de Janeiro. 1982.
Os Conceitos Modernos do Direito Internacional. Conferência Pronunciada em
Buenos Aires em 1916, e conhecida como “O Dever dos Neutros”.
Estabelecimento do texto do original castelhano, tradução, notas, apêndices e
introdução de Sérgio Pachá. Apres. Homero Senna. 1983.
A Questão Social e Política no Brasil. Conferência pronunciada no Teatro
Lírico, do Rio de Janeiro, a 20 de março de 1919. Edição anotada. Intr.
Evaristo de Morais Filho. Apres. Homero Senna. Co-edição com a LTR, São
Paulo. 1983.
O Dever do Advogado. Carta a Evaristo de Morais. Pref. Evaristo de Morais Filho.
Co-edição com a AIDE, Rio de Janeiro. 1985.
Discursos no Instituto dos Advogados Brasileiros. Apres. Homero Sena.
Co-edição com o IAB, Rio de Janeiro; Sérgio Antônio Fabus Ed., Porto Alegre.
1985.
Oração aos Moços. Edição popular. 2. ed. rev. Notas de Adriano da Gama
Kury. 1985.
Às Classes Conservadoras. Confeência pronunciada na Associação Comercial do
Rio de Janeiro, a 8 de março de 1919. Intr. Evaristo de Morais Filho. Apres.
Homero Senna. Notas de Adriano da Gama Kury. Co-edição com a LTR, São Paulo.
1986.
Emancipação dos Escravos. O Projeto Dantas (dos Sexagenários) e o parecer que
o justifica. Apres. Homero Senna. Pref. Astrogildo Pereira. 1988.
Oração aos Moços. Edição popular. 3. ed. rev. Notas de Adriano da Gama
Kury. 1988.
OBRAS SELETAS DE RUI BARBOSA
Tribuna Parlamentar. Império. 1952.
Tribuna Parlamentar. República. 1954.
Tribuna Parlamentar. República. 1955.
Tribuna Parlamentar. República. 1955.
Tribuna Parlamentar. República. 1956.
Campanhas Jornalísticas. Império (1869-1889). Pref. Américo Jacobina Lacombe.
1956.
Campanhas Jornalísticas. República (1893-1899). Vol. 2. 1956.
Campanhas Jornalísticas. República (1899-1918). Vol. 3. 1957.
Tribuna Judiciária. 1958.
Trabalhos Jurídicos. Org. José Gomes Bezerra Câmara. Advertência de Américo
Jacobina Lacombe. 1961.
Trabalhos Jurídicos. Advertência de Eugênio Gomes. 1962.
© Todos direitos reservados
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