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Dizeres e Cacofonias


Dizem que mato tem olho
que parede tem ouvido
beijei a boca da noite
O peba é bicho atrevido
Dente de alho não caria
Tem o beijo que arrepia
Carro tem rastro comprido.

Com a pulga atrás da orelha
Fico com barba de molho
Viver no mundo da lua
Na rua também tem olho
Se comeu e não gostou
o pão que o diabo amassou
Cuide bem do seu pimpolho.

E cada ovo que se come
É um pinto que se perdeu
Todo cão que late em terra
Dizem que o conde D’eu
A galinha do vizinho
Bota ovo amarelinho
Pimenta não vai no meu.

Quando é olho por olho
E também dente por dente
Cabra bom não bebe água
Só bebe a boa aguardente
O bom cabrito não berra
Em riba daquela serra
Onde o sol é mais quente.

Quem olha o rabo do outro
Esquece do próprio rabo
Quem não gosta de verdura
Às vezes gosta de nabo
Quem pratica a ingratidão
Vai matar toda a afeição
E ficar ruim pra diabo.

Na boa terra da Bahia
por onde o babaçu abunda
Em terra minha vermelha
Mulher feia tem cacunda
Peru no jogo falando
Vai acabar apanhando
É Feia, mas é Raimunda.

O mineiro come quieto
Quem tem pressa come cru
Aquele que come engole
Frango preto é urubu
Rato não vira morcego
Vaca não cria borrego
Em pau não sobe tatu.

Daniel Fiuza Pequeno
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